Sonar Barcelona 2012
Lana
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2012
Estilos: eletronica
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Sonar Barcelona 2012
Lana del Rey e a vitória do moombahton
11.07.12 10:20
O Sónar Barcelona 2012 ocorreu mais uma vez em clima de muita festa e muita polêmica. A primeira foi garantida especialmente pela confirmação do moombahton como a vertente "mais importante do momento" da música eletrônica - coisa que o dubstep foi em anos passados. Já a segunda foi causada pelo line-up um tanto quanto disconexo.

Esta foi a maior edição do Sónar até hoje: 98 mil visitantes de mais de 80 países durante três dias e três noites (14,15 e 16/junho). O sucesso de público causou grandes engarrafamentos no trânsito entre os palcos, um pouco de claustrofobia, e ocupação total das áreas onde podíamos sentar um pouco. Mas a apresentação do Die Antwoord fez tudo valer a pena.

WAT POMP!!
O performático trio sulafricano liderado pelos insanos Ninja e Yo-Landi incendiaram o palco principal em frente a uma plateia que não sabia bem se dançava ou ficava abismada. Yo-Landi, com um short minúsculo e voz infantilizada, realmente parece um alienigena. O show deles é agressivo, mas de uma agressividade que você quer participar, não se afastar.

Com repertório tirado de seus dois discos ($O$, de 2009 e Ten$Ion, de 2012), o Die Antwoord faz juz a alcuna de "rave rap" e por vezes nos deixa questinando se tudo aquilo é mesmo real ou uma grande pegadinha. Mas que é divertido (e intenso) pra caramba, isso é.



Lana tímida, Ian Curtis revirando no caixão
Lana del Rey, talvez a mais polêmica atração do festival ("o que ela fazia alí?", perguntavam-se muitos), garantiu a maior e mais massiva concentração de bees e garotas com lacinho no cabelo de todo o Sónar. Inegavelmente bela e de uma presença quase angelical, Lana mostrou que consegue sim cantar ao vivo e tem boa voz - mesmo que ainda esteja bem desajeitada, sem saber se movimentar muito pelo palco ou dançar, e bastante tímida, o que ficava evidenciado no fato de que, ao final de cada música, uma sequencia de risadinhas nervosas fatalmente se seguia.

A cantora desfilou todas as músicas de seu único álbum, cujo auge foram, é claro, hits como "Video Games" e "Born to Die". A surpresa talvez ficou para o final, com Lana literalmente indo até a plateia, abraçando todo mundo e posando para fotos com muitos dos fãs amassados contra a grade da primeira fila. A sensação final foi a de que, talvez num lugar menor e mais íntimo, o show tivesse funcionado mais - mas no quesito carisma, ela se deu bem.



Outro headliner do evento, Fatboy Slim, teve seu set cortado no meio por problemas técnicos, deixando o palco (e o público) em silêncio durante alguns bons minutos, mas mesmo quando voltou surpreendeu mais pelos efeitos visuais do que pelo seu set list - o que não impediu de ser um dos shows mais comentados da noite. Já o New Order começou muito bem, com a banda afinada e tocando seus maiores hits em versões potentes, botando todo mundo pra dançar. Mas o final trágico, com Bernard Summer (cuja voz mostrou problemas desde a primeira música) destruindo o clássico joydivisiano "Love Will Tear Us Apart", pôs muito marmanjo pra chorar de dor. Já o Azari & III não sobreviveu às expectativas e fez um set bastante confuso.

A Hora do Moombahton
Talvez uma das principais surpresas do festival tenha sido a mini-pista improvisada ao lado dos famosos carrinhos de bate-bate, e cujos DJs (nenhum deles "top") tinham apenas a função servir de trilha sonora para o brinquedo - mas todos acabaram produzindo sets muitas vezes até melhores do que os artistas que estavam nos palcos.

E o moombahton teve seu momento de glória. Suas batidas misturando reggaeton, ritmos latinos, africanismos em geral e basslines pesadas eram ouvidas a todo instante, e poucos quadris resistiam a seus encantos. Quem ficou por Barcelona depois do festival e conseguiu acordar no dia seguinte pôde conferir ainda uma excelente festa paralela com alguns dos principais nomes do estilo já no domingo, na melhor ação anti-Sónar deste ano (as famosas festas underground que rivalizam com o evento), num local bem próximo ao centro da cidade. O moombahton deu o toque de "vanguarda" que o festival reproduz em seu tema.

Medalhões como Modeselektor, Amon Tobin, Squarepusher, Kode9 e Deadmau5 mostraram serviço e agradaram seus respectivos fãs. A parte rocker divertida ficou a cargo do Metronomy e Flying Lotus, ambos tocando em palcos totalmente lotados, e saindo igualmente ovacionados.

Amon Tobin foi, disparado, o melhor no quesito visual, trabalhando com cubos onde imagens eram projetadas e que também interagiam entre si. Algo para VJs (aspirantes ou profissionais) ficarem com os olhos cheios d'água.



Outro que impressionou bastante foi o Daedelus, que trouxe para o palco uma engenhoca feita de espelhos iluminados - era quase impossível não ficar hipnotizado.



E no mais...
O calor tórrido de Barcelona serviu bem para os três dias do Sónar Day, que transformou a área do MACBA (Museu d'Art Contemporani de Barcelona) quase numa praia no meio da cidade. Seu grandes estrelas (com exceção dos ótimos Austra, num show ao ar livre super inspirado) e com um clima mais relax, o Sónar Day se confirma mais pelos expositores e workshops que acontecem em algumas das salas do museu. Os últimos e mais tecnológicos modelos de equipamentos para DJs e produtores causaram longas filas nestas áreas.

E foi ótimo perceber que a organização do festival continua bem satisfatória: a parte noturna, bem afastada do centro, manteve os ônibus fretados em alta circulação (mesmo custando dois euros por trajeto), facilidade pra entrar e sair, grande quantidade de banheiros, praça de alimentação, etc, confirmando o Sonar como um dos festivais europeus mais legais para quem vem de fora conhecer.

Barcelona ainda é uma cidade incrível, embora cada vez menos segura - mas nada que um paulista ou carioca não saiba enfrentar. Ano que vem, é a edição do 20o aniversário do festival... bora cotar as passagens aéreas?

Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
www.twitter.com/alissongothzzzz
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