Norte-americana lança primeiro disco depois um tempo fazendo o seu nome na cena eletrônica
Depois de alguns anos fazendo algum barulho na cena eletrônica norte-americana,
Laurel Halo assinou com o selo Hyperdub - responsável por colocar na praça álbuns de Burial, King Midas Sound e Darkstar - para lançar o seu primeiro disco propriamente dito,
Quarantine. Antes ela havia lançado apenas alguns EPs.
Laurel é claramente uma estudiosa da música. Cita Steve Reich como referência em entrevistas e diz que aquelas canções que não a surpreendem são chatas. Surpresa não é um problema em
Quarantine. Logo na segunda faixa, "Years", Laurel surge cantando propositalmente alto e sem efeito nenhum "limpando" a sua voz, de maneira a causar desconforto no ouvinte, frases como: "I'll never see you again" e "You're mad because I'll never leave you alone". A decisão de colocar vocais em suas músicas (as de seus EPs anteriores eram apenas instrumentais) é sábia, pois
Quarantine ganha em sentimento - e até em dramaticidade às vezes -, da maneira como ela quer.
No entanto, a força - e até mesmo a poesia - do álbum está na ambiência. Os climas lembram o Fennesz do disco clássico,
Endless Summer, só que ao contrário do sabor de verão daquele álbum,
Quarantine, de Laurel Halo, tem uma sombra escura que paira sobre todas as músicas. Títulos como "Carcass" (Carcaça) ou "Tumor" dão uma ideia da temática das canções, que mesmo com a "doença" são esperançosas. "Wow" e a própria "Carcass", que vem na sequência, são um exemplo disso.
Laurel Halo já falou também sobre o seu interesse pela cena tecno de Detroit - e artistas como Model 500 e Underground Resistance -, mas
Quarantine é mais sobre climas, sobre imagens cinematográficas criadas por meio do som, do que sobre dançar. Mesmo com os sintetizadores e com todo o talento para criar batidas "de pista", Laurel faz um disco mais pessoal, com letras confessionais e estruturas que a deixam esposta, mais ou menos como
as meninas da arte da capa, bastante colorida e trágica ao mesmo tempo.
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