Sepalcure - Sepalcure
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ficha técnica
Nota: 4.5 / 5
Ano: 2011
Selo: Hotflush
Estilos: post-whatever
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Sepalcure - Sepalcure
Lovestep? Uhm?
19.12.11 08:55
A denominação dos novos sub-gêneros da bass music mundial chegou ao seu ponto de completo esgotamento. Em várias publicações de respeito é comum ler tags como "post-whatever". E não é por sacanagem ou falta de botar os neurônios para funcionar. 2011 foi um ano extremamente frutífero para os campeões da batida quebrada e frequências subgraves. Discos extremamente inspirados incineraram completamente algo que há muito tempo deixou de ser dubstep, e das cinzas do moribundo muita música multi colorida e evoluida surgiu.

O disco de estreia do Sepalcure é talvez o mais emblemático de toda essa safra musicalmente evoluida de 2011. Ao ouvir o disco pela primeira vez, é imediata a percepção de que se trata desse "post-whatever" de que tanto se fala. Graves potentes e bem delineados, estrutura rítmica fraturada com suíngue característico da bass music dos últimos anos, vocais picotados e usados de forma inteligente. O diferencial é que a música do Sepalcure é tanto garage quanto house quanto dubstep quanto techno quanto acid jazz quanto trip hop, tudo isso ao mesmo tempo e de forma orgânica. Não são fragmentos díspares que se unem de forma forçada. Essa amálgama de muitas formas de dance music parece ter nascido assim, de forma natural.

Em algumas momentos, nem é necessário fritar os neurônios para criar a tal tag. Os próprios artistas se encarregam de fazer isso. No caso do Sepalcure, Praveen Sharma surgiu com o termo: "lovestep". Embora cafona, bem pertinente. Embora ritmicamente cheio de detalhes intensos (muito provavelmente cunhados por Travis Stewart, que lançou este ano o também excelente Room(s) sob o pseudônimo Machinedrum) e trazendo algumas linhas de baixo pulsantes, é bem carregado de emoções sutis e sensações aveludadas. O Sepalcure se diferencia da atual safra de produtores por três elementos: uso criativo de samples de divas house e garage (de forma que em nenhum momento as faixas soem como releitura de qualquer coisa), ambiências delicadas e emotivas e uma textura aconchegante, provinda de samples tirados diretamente do vinil e um reverb manhoso que cobre alguns fragmentos sonoros como um cobertor quentinho. Segundo entrevistas da dupla, o disco foi gravado em apenas duas semanas, com o uso de muitos elementos acústicos e num clima de improviso. Os dedos da dupla imprimiram esse calor e vibração na mixagem final. Esses aspectos todos ecoando juntos criam uma atmosfera íntima e sensual, um convite a conversas ao pé do ouvido, sussurros e carinhos. Música para gerar filhotes.



Além dessa sensação gostosa que fica ao ouvir o disco de cabo a rabo, temos também algumas faixas maravilhosas, como "Pencil Pimp". Ah, "Pencil Pimp". A faixa evolui de forma espantosa em seus exatos 6 minutos de duração, ganhando momento e esfregando percussão contra linha de baixo, fricção constante, gerando energia potencial a cada acorde de violão que ecoa a cada compasso, trabalhando incansavelmente em direção ao clímax. Frio na espinha, pêlos da nuca arrepiados. Magistral.

O dubstep na forma modorrenta e cadavérica que teima em existir nos Estados Unidos atualmente é o total avesso disso. Ao que nos toca, mal poderia ser chamado de música. Sequências de barulhos desconexos, nada férteis, de onde nenhum tipo de sentimento poderia aflorar. Post-whatever. Qualquer denominação serve. O Sepalcure trabalha com a hipótese de que a música é um canal direto para os corações, e que pode existir amor (não sintético) em pistas de dança. Esse amor do século XXI, dinâmico, raro e intenso.

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
2 comentários
Rodrigo
Rodrigo (05.01.12)
1AprovadoQueima
Tem um quê de house também. Maravilhoso mesmo!
Rodrigo Roman
Rodrigo Roman(27.12.11)
1AprovadoQueima
ALL WE NEED IS LOVE!