2011 foi um ano - como têm sido os últimos dez, mais ou menos - de muitos, muitos lançamentos. Entre artistas na ativa e outros que voltaram a lançar material inedito, muita gente (boa) surgiu recentemente e estreou em disco neste ano que vai rapidamente ao encontro de seu fim.
Nem todos esses novos nomes vão se firmar e seguir adiante. Vivemos em tempos efêmeros, e o barateamento da tecnologia para se gravar um disco e compártilhá-lo da forma que se quer ($ ou CC) facilita a vida dos mais inquietos, que podem estar num projeto hoje, amanhã em outro e assim por diante.
Mas com um futuro pela frente ou não, muitas dessas bandas/produtores lançaram ótimos trabalhos, e se ainda não têm uma grande história a ser contada, já garantiram lugar na lista de álbuns a serem ouvidos antes que o ano acabe.
Porque: Mesmo com as mesmas influências musicais e estéticas de milhares de novas bandas (My Bloody Valentine, Jesus and Mary Chain) o quarteto conseguiu caminhar pelas trilhas do shoegaze (distorções, efeitos, vocais etéreos, batidas dançantes, etc) sem soar como várias bandas diferentes no mesmo álbum.
Porque: Lançou o disco mais freak do ano, uma ode à loucura que tem como bases a psicodelia e o experimentalismo. Algo entre Syd Barrett, Residents e Beck.
Porque: Com apenas 21 anos fez um disco cheio de personalidade. Sua música fica entre eletrônica e orgânica, desacelerada, fria, com muitos elementos (pianos, cordas, synths diversos, vocais, etc) e referências (Matthew Dear, Kraftwerk, Philip Glass).
Porque: A mistura deste projeto do vocalista do The Horrors vai do gótico mais cavernoso ao rock dos anos sessenta antes que se perceba, e sob qualquer ponto de vista (audição) é surpreendente e intenso.
Porque: O primeiro EP da banda de um homem só (Al Schenkel) vai do pós punk ao industrial, do shoegaze ao downtempo, sempre guiado por beats, efeitos eletrônicos distorcidos e riffs de guitarra, sem vocais. Tudo feito em casa.
Porque: Não soa gelado, nem cabeçudo, nem minimalista. É deep house dos melhores, cheio de grooves de funk e jazz no cozido, com batidas a 128 BPM e clima bem viajante.
Porque: É tão deslocado no tempo e espaço que é bem legal. Para entender, basta pensar no Haçienda durante a explosão do Madchester e nos Stone Roses tocando por lá. Rock dos 60‘s + acid house.
Porque: É espacial, psicodélico e não parece com nada hippie/colorido/sunshine. Riffs repetitivos e hipnóticos de guitarra e um sintetizador encobrindo tudo para levar direto ao transe. Pense em três bandas com ‘s' (Spacemen 3, Stereolab e Suicide) e você achou a fórmula.
Porque: A banda tem aproximadamente 20 anos de idade mas parece ter exatamente o dobro. sabe aquele papo de filhos de hippie serem hippies também? Estes são filhos de indies, e têm o rock de guitarra dos anos 90 no sangue.