Atlas Sound - Parallax
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ficha técnica
Nota: 4.5 / 5
Ano: 2011
Selo: 4AD
Estilos: indie, experimental
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Atlas Sound - Parallax
Novo álbum do projeto paralelo de Bradford Cox traz belas melodias, fluindo tranquilamente entre o passado e o futuro
18.11.11 14:30
Se Bradford Cox fosse um trabalhador comum, como eu e você, seria chamado de workaholic e seus amigos lhe diriam para tirar férias e relaxar, etc. Como ele é músico, é chamado de prolífico, e seus amigos...bem, não faço a menor ideia do que dizem seus amigos.

Flash Content
Atlas Sound - Angel Is Broken (mp3)

Negócio é que o cara não descansa. À frente do Deerhunter desde o começo dos anos 2000, Cox aproveitou a pausa da banda em 2007/08 para dar vazão a sua própria e bem particular visão de música, dando à luz a um dos projetos solo mais bacanas já surgidos, o Atlas Sound.

Ano passado, após já ter lançado dois discos sob este moniker (Listen Now! Let the Blind Lead Those Who Can See But Cannot Feel, de 2008 e Logos, de 2009), Cox teve a manha de disponibilizar na rede não um, mas quatro álbuns, numa série intitulada The Bedroom Databank, com demos experimentais (há uma historinha sinistra sobre os mesmos, já publicada aqui no rraurl).

E como não há férias no estranho mundo do estranho homem por trás do Atlas Sound, 2011 marca a chegada de seu terceiro trabalho oficial, com o curioso título Parallax.



O disco é, a grosso modo, um apanhado de canções pop atmosféricas, delicadas, sutis, guiadas pela visão experimental de Cox.
Há arranjos de violão e voz que poderiam muito bem fazer parte de um tributo ao rock dos anos 50/começo dos 60; outras vezes (na mesma faixa, por que não?), efeitos eletrônicos e/ou a impressão de se estar ouvindo lounge music numa nave a caminho do espaço. Estranho, né? Não para o Atlas Sound.

Logo de cara, "The shakes" abre dissonante à Sonic Youth para depois se tornar um pop rock que lembra um Roy Orbison indie, (mais) low profile e modernizado, com ecos e efeitos quebrando a rotina melódica; o papo de lounge espacial fica claro na sequência com a preguiçosa e surreal "Amplifiers", cuja sonoridade se aproxima de outro maluco, o japonês Cornelius.
"Te amo", previamente disponibilizada na rede, é outra amostra do que Cox fez em Parallax, flutuante, experimental e pop, frágil e doce. A outra e reduzida face do disco, essa realmente torta e altamente complexa, fica por conta de "Quark" - partes 1 e 2, experimentais e - no caso de "Quark part 1" - anti melódicas.

As canções citadas resumem bem todo o conteúdo desta nova empreitada do Atlas Sound. A figura um tanto grotesca que é Bradford Cox (ele sofre da síndrome de Marfan, assim como Joey Ramone) conseguiu amarrar com delicadeza 12 faixas 'oficiais' de Parallax e criar um belo álbum, rico em pequenos detalhes , tranquilo e viajante; um quadro pintado usando tintas antigas mas com verniz futurista, onde música folk, David Bowie, ficção científica e Stereolab convivem numa boa.

Flash Content
Atlas Sound - Doldrums (mp3)

Flash Content
Atlas Sound - The Shakes (mp3)

Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
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