Skinny Puppy - HanDover
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2011
Selo: Synthetic Symphony
Estilos: ebm, industrial, experimental
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Skinny Puppy - HanDover
Com 30 anos de estrada, dupla canadense chega a seu 14º álbum ainda relevantes na cena que ajudaram a criar
04.11.11 15:15
Você aperta o play e a primeira coisa a ser despejada em seus ouvidos é "Ovirt". Daí você pensa: ‘Como é possível? A tecnologia mudou, a música mudou, o mundo mudou, e o Skinny Puppy continua fazendo música relevante e atual COM CARA de Skinny Puppy?'. Afinal, lá se vão praticamente 30 anos - contando-se um intervalo na virada do milênio - desde que cEvin Key e Ogre fundaram essa verdadeira instutuição da eletrônica.

Diretamente do lado escuro da música, longe de qualquer vestígio de luz do sol, os Puppies vêm criando seu próprio universo de pesadelos góticos induzidos pelo caos industrial, onde os corpos vão do frenesi à introspeção soturna, e assim até a completa exaustão dos sentidos.

01 Ovirt by ThatEricAlper

HanDover, novo trabalho da dupla canadense, segue por esse mesmo caminho mal ou nada iluminado, guiado pelo som das pancadas de Key e pela voz distorcida de Ogre.
A citada "Ovirt" abre o álbum como se fosse do catálogo da Warp, fraturada, às vezes desconexa, percussiva e com várias interferências em seu andamento - como o zumbido de um inseto eletrônico e chiados substituindo o som da caixa na bateria.

Na sequência o Skinny Puppy chega ao que talvez sejam seus momentos mais palatáveis: "Collorblind" e "Wavy" são, cada uma a sua maneira, as expressões de uma face menos perturbada do duo. Sombrias, claro, mas com uma guitarra limpa dedilhada (em ambas) e até certo ponto melódicas.

03 Wavy by ThatEricAlper

A proximididade da ebm com as pistas de dança - não necessariamente a do Madame Satã - e sua influência no techno (e outros gêneros menos interessantes, como o trance) se faz sentida em "Icktuns", faixa 4X4 que caberia em sets de DJs como Chris Liebing, por exemplo. Mais lentas mas também dançantes, "Point" e "Vyrisus" trazem junto a si elementos de electro sob uma ótica distorcida, desprovidas de qualquer apelo emocional ou comercial.

"Brownstone" e "Village" são o que se pode chamar de electronic body music clássica. A primeira causa arrepios, com as batidas minimalistas ao fundo cortadas por uma infinidade de barulhos e por um Ogre extremamente freak fazendo referência à heroína que matou Dwayne Goettel (ex-mebro da banda) em 1995; a segunda pulsante e com riffs de guitarra pesados, soando quase como uma marcha, mais uma vez com Ogre à frente do pelotão de dois soldados.

Village (from hanDover) by officialskinnypuppy

Por fim, "NoiseX" - um breakcore experimental até os ossos - encerra HanDover e mostra a versatilidade e a ligação do Skinny Puppy com o que vem sendo produzido no submundo da música eletrônica hoje em dia.

E se o industrial é uma das raízes dessa enorme árvore chamada e-music, os Kevins (Crompton e Ogilvie - ou cEvin Key e Ogre, respectivamente) têm os nomes gravados em seu tronco. Mas no lugar do típico coraçãozinho, uma bigorna.


Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
comentários
3 comentários
Fabio Martins
Fabio Martins(13.11.11)
2AprovadoQueima
A resenha captou perfeitamente o clima do disco, parabéns! Lembro-me bem quando ouvi "Assmilate" (R23 remix)) pela primeira vez, o primeiro som da banda que tive contato, lá por 1991: tive medo, mas fui contaminado por completo! E é impressionante como os caras não jogam a toalha, não se rendem a fórmulas fáceis ou revivals do próprio som: eles experimentam o tempo inteiro, desafiam até mesmo os mais fanáticos pela banda (como eu) com discos como esse,cuja audição se mostrou muito mais difícil que "Mythmaker", que muitos já consideravam desafiador. E coloco "Ovrit" e "Vyrisus" lado a lado de sons incrivelmente únicos desta banda fenomenal como "Mirror Saw", "Antagonism" ou "Worlock". Mas, dentro da discografia da banda, daria uma nota 8 e isso por si só já é excelente!
Fábio Bridges
Fábio Bridges (07.11.11)
0AprovadoQueima
valeu, @edson. olha, quem sabe um festival ou algo assim. ficamos no aguardo!
edson moreira
edson moreira(07.11.11)
1AprovadoQueima
Parabéns pelos comentários sobre o álbum. Será que algum iluminado se interessaria em traze-los para tocar aqui em SP?