The Field - Looping State of Mind
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ficha técnica
Nota: 4.75 / 5
Ano: 2011
Selo: Kompakt
Estilos: Eletrônica
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The Field - Looping State of Mind
01.11.11 09:15
O escritor anárquico Hakim Bey, um dos grandes filósofos do caos do século XX e notório bucaneiro da consciência, desenvolveu a ideia das Zonas Autônomas Temporárias: pequenas aglutinações de pessoas que se encontravam e viviam sob um sistema livre de regras por um período curto, fora dos radares da ideologia vigente. Esse conceito foi utilizado no início dos anos 90, na formação das primeiras raves de música eletrônica. Hakim Bey acompanhou o nascimento das festas de longa duração regadas a psicotrópicos, sua potencialidade como contra-cultura e a viagem para dentro da espiral caótica realizada por muitos frequentadores das raves. Todavia, a frase mais famosa de Hakim sobre as raves é a seguinte: "Os ravers sempre estiveram entre meus maiores leitores. Eu só gostaria que eles repensassem esse tal de techno". Well, well... como muitos de nós sabemos, a ideia de que o techno poderia mudar o mundo continuou forte por muitos e muitos anos. De utopias robóticas a linguagem abstrata universal, as construções austeras em loop do techno da velha guarda dificilmente teriam o impacto na história que se imaginava.

O suéco Alex Willner, que atende pelo pseudônimo The Field, está há 4 anos apontando suas sondas para a história do techno, tentando resgatar pequenos cacos da música eletrônica loopada do início dos anos 90 que lhe sirvam na construção da sua própria sonoridade. Em seu primeiro disco, From Here We Go Sublime, Alex examinou a cavidade emotiva silenciosa que se esconde entre o começo de um loop e o início de outro. Em Yesterday and Today, decidiu diluir a face mecânica do seu som repetitivo e adicionar outros elementos reconhecíveis (com alguns resultados bons e outros um tanto quanto exagerados). Agora, em seu terceiro disco Alex acha um caminho do meio entre a repetição mecânica e a liberdade que uma base loopada permite. Não estamos falando de música pela música nem técnica pela técnica. Em Looping State of Mind, o The Field é tântrico, cósmico. Cada música soa como uma meditação tibetana, ecoando diversos tons de forma contínua, criando acordes psíquicos. A sensação é de paz compenetrada. Tranquilidade com propósito.



Talvez seja a influência dessa nova geração fazendo música eletrônica pós-digital de notebook que imprima nas faixas de Looping... uma característica mais errática e menos funcional. Em faixas como "Burned Out" e a faixa-título, fica a sensação de que Alex andou ouvindo os recentes lançamentos de Washed Out, Balam Acab, oOoOO e toda a galera do selo Tri-Angle. Tudo isso com a propriedade e o distanciamento para observar novas referências e re-ajustar a trajetória da própria sonoridade sempre à frente, como um grande artista deve fazer.



O The Field é progressivo consigo mesmo. Não mais techno progressivo, mas uma mentalidade progressiva sobre o fazer música. No seu último disco, o The Field medita sobre o caos enquanto força criativa, presente nas ebulições loopadas de tonalidades abertas, manipulando chakras e dissolvendo energias negativas e radioatividade. Talvez o velhote doido Hakim Bey viesse a gostar desse disco.

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
1 comentários
Adoro The Field! Excelente resenha!

Ps. Hakim Bey arrasa muito!