Das Racist - Relax
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2011
Selo: greedhead
Estilos: indie hip-hop
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Das Racist - Relax
10.10.11 09:10
Para tentar entender o Das Racist (uma tarefa bem complicada, diga-se de passagem) é necessário falar um pouco sobre os seus integrantes. Em primeiro lugar, Kool A.D, Hima e Dapwell não são negros nem brancos. Suas ascendências incluem sangue indigena americano, linhagem hindu e também sangue negro e branco. Em segundo lugar, seus integrantes tem diplomas universitários. Por último, o grupo está baseado em Williamsburg, o epicentro hipster no coração do Brooklyn. Por conta desses fatores, parece que o Das Racist não se encaixa em nenhuma patotinha do mundo do Rap.

Quando se lê algumas das entrevistas deles, percebe-se que o grupo não se afilia a nenhum movimento e está sempre tirando sarro de tudo: o "homem branco", rappers materialistas, a indústria musical, garotas brancas, consumismo, cultura de massa, deles mesmos, do próprio rap, egos, raças, dinheiro... nada escapa da ironia do grupo. Ironia jorrando de caminhões-pipa enfileirados por quilômetros. Ironicamente, o grupo caiu nas graças do "establishment" hipster mundial. Talvez porque a própria ironia seja um dispositivo de linguagem muito típico do mundo indie branquelo. Mas também não é novidade no hip-hop.

O pulo do gato é que a ironia do Das Racist é na verdade o glacê docinho que encobre a massa de sarcasmo que compreende a maior parte do bolo musical do grupo. Insultos em forma de piadas. Jabs no queixo disfarçados de carinho nos lóbulos. É o tipo de resíduo.... ácido... que sobra depois de uma sessão de gargalhadas tresloucadas em torno de um terceiro, alheio à loucura. Todos riem, mas todos sabem que por trás das risadas existe algo real. Fica um incômodo esquisito. E é nesse lugar incômodo que o Das Racist gosta de trabalhar. Ou você presencia esse incômodo todo pacientemente e dá valor, ou vira as costas e ignora. Não há como ficar passivo em relação ao som dos caras.

Em Relax, muito mais que nas mixtapes anteriores do grupo, isso fica muito claro. O Das Racist produz um dos momentos mais sarcasticamente impactantes do rap em 2011 com a faixa "Power". O grupo emula de forma clara a rima de Jay-Z e Kanye West, criticando de forma sagaz a forma pela qual o "trono" busca estabelecer uma supremacia negra na cultura americana: com muitos dólares, força bruta e egos gigantes. Ironicamente, o Das Racist canta em algumas músicas versos como "Give us all your money"... com dinheiro ninguém brinca.

Na verdade, o fluxo das rimas de Kool A.D, Hima e Dapwell é bem invejável. Em faixas como "Rainbow in The Dark" e "Shut up, Man" o grupo vai de leste a oeste num piscar de olhos, ziguezagueando como o mestre kung-fu bêbado, falando muitas vezes sobre nada em específico e sobre tudo ao mesmo tempo. O Das Racist rima como uma metalinguagem anárquica caótica, sob efeitos. As produções vão desde muito inspiradas a somente medianas, mas sempre com uma aura esfumaçada e meio jogada, meio feita de bate pronto.

O Das Racist é uma grande incógnita. Como a própria banda diz na última música do disco "Você pode nos perguntar o que é isso, mas ainda assim nós não diríamos". É muito difícil avaliar até onde vai a ironia do grupo e até onde começa uma construção pretensiosa. Talvez por isso, o mundo rap torça um pouco o nariz para os caras. Mas não dá para ignorar o fato que estes são três rapazes muito inteligentes que rimam como poucos. Com um pouco mais de foco, o Das Racist pode muito bem fazer história.

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
1 comentários
illogic
illogic(13.11.11)
0AprovadoQueima
Ótimo album entra para minha lista dos 10 melhores do ano
Como diz, é para quem gosta de hip hop mas não se ancaixa na patotinha..
Parabéns pela resenha