St. Vincent - Strange Mercy
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ficha técnica
Nota: 3 / 5
Ano: 2011
Selo: 4AD
Estilos: Indie Rock
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St. Vincent - Strange Mercy
04.10.11 14:40
Quanto tempo leva-se para amadurecer? A anti-musa de pouco mais de 28 anos Annie Clark dançou com essa noção durante o período de gravação de Strange Mercy, seu terceiro LP. A moça de aparência dócil e frágil se mostrou uma força em cima do palco, esmurrando e espancando sua guitarra (que já apoiou bandas como Polyphonic Spree e Sufjan Stevens) e com uma musicalidade muito fresca, que exalava talento. Como lidar com esse sucesso de crítica e continuar em um caminho de crescimento pessoal?

O estilo de composição de Annie Clark costura influências tão clássicas e elegantes quanto George Gershwin e Duke Ellington, e ao mesmo tempo consegue quebrar uma esquina e acelerar tranquilamente numa pegada disco rock, como na primeira música de trabalho do disco, "Cruel", ou em arroubos agressivos, como na faixa "Northern Lights".
A sonoridade em Strange Mercy está mais aberta, mais radiante do que em seus discos anteriores. Essa vibe "pra cima" pode parecer em horas um flerte excessivo com a música pop, mas sempre surge no meio das faixas um interlúdio maníaco para lembrar que estas não são simples canções de ninar.

Desta vez, Annie tem à sua disposição sintetizadores barulhentos, ambientações brilhantes e digitais, que se somam às orquestrações de caixa de música e a guitarra vigorosa da moça. Esses elementos nem sempre convivem harmonicamente, deixando a voz de St Vincent perdida em avalanches de barulho. A entrega deveria ser dilacerante, mas algumas letras são pouco inspiradas e não contribuem para o resultado final.

Annie parece não querer fazer mais do mesmo. De uma forma engraçada, os artistas que fazem parte do nosso hall da fama pessoal são quase sempre aqueles que se sentem confortáveis consigo mesmos e não são tão movidos pela inovação. Os mais radicais bradam em coro: "em time que está ganhando não se mexe!". Pois. Annie Clark fez algumas alterações no esquema tático do St Vincent, que surtiram efeitos tanto bons quanto ruins. Os melhores momentos de Strange Mercy acontecem quando Clark para de se preocupar em amadurecer e dá vazão ao seu songwritting claro e curioso. Talvez se ela parasse de tentar se desconstruir com tanto afinco, o disco pudesse falar por si só.

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
1 comentários
Fábio Bridges
Fábio Bridges (05.10.11)
1AprovadoQueima
Po, achei meia boca esse disco..."Talvez se ela parasse de tentar se desconstruir com tanto afinco, o disco pudesse falar por si só". disse tudo!