Wilco - The Whole Love
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ficha técnica
Nota: 3.6 / 5
Ano: 2011
Selo: DBPM Records/ Anti Records
Estilos: indie, rock, alt country
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Wilco - The Whole Love
Sem maiores pretensões, veteranos do indie rock lançam álbum recheado de boas canções
23.09.11 03:35

Reconheço que não sou fã histérico do Wilco. Conheci a banda ainda nos anos 90, dica do reverendo Fabio Massari, venho acompanhando desde então - a certa distância - a carreira dos heróis indie de Chicago e sempre achei que em Yankee Hotel Foxtrot (álbum de 2002) eles haviam atingido seu ápice criativo, e dali em diante não iriam muito além. Continuo pensando exatamente da mesma forma em 2011.

Se fosse pegar pesado, diria que é engraçado o disco seguinte a Yankee Hotel se chamar A Ghost Is Born (2004), já que sob uma ótica mais aguda à partir dali o Wilco passou a ser um fantasma assombrando a si mesmo, não conseguindo recriar a mágica dos dez pimeiros anos de carreira. Mas isso seria injusto e mentiroso.
Apesar de não ser fã de carteirinha, gosto e respeito muito a música dos caras, e não consigo vê-los como uma banda desesperada tentando resgatar ou recriar algo já feito nem como acomodados, fazendo discos por obrigações contratuais ou se aproveitando de sua posição influente ‘na cena'. Eles simplesmente tocam e ponto.

Então o que acontece em relação a The Whole Love, novo álbum do Wilco, é o mesmo que aconteceu em seus últimos três trabalhos; são realizações respeitáveis e acima da média, (mas só) porque o Wilco é uma banda acima da média, e mesmo quando se repetem têm a manha de cometer alguns pequenos clássicos.


O disco carrega tudo que Jeff Tweedy e cia. construíram até agora em canções que, se não memoráveis ou épicas, mantêm firme o traço de honestidade das composições da banda.
Do alt country onde são referência com as belas e tristonhas "Black moon", "Open mind", Rising red lung" e a psicodélica "One sunday morning (song for Jane's smiley's boyfriend)" - cuja segunda metade fecha o disco numa trip à Beatles circa 68, mesma pegada de "Sunloathe" e "Capitol city" - à experimentos com distorções e baixa fidelidade, mas ainda assim palatáveis ("Dawned on me", puro Pavement na fase "Crocked rain, croocked rain") e o indie rock simples e sem disfarces de "Born alone" (ótima, por sinal), "Standing O" e "I might" - todas grandes músicas assobiáveis - está tudo em The Whole Love, o álbum e faixa de mesmo nome, que condensa em poucos minutos todo tudo que foi dito acima.

Dispensável só a primeira do álbum, "The art of almost", que fica no quase. Quase experimental, quase pop, quase barulhenta, quase melódica...

No apito final, o resultado é o seguinte: mais uma vez, quem esperava do Wilco algo arrebatador ficará frustrado; e quem- como eu - não tinha expectativas, encontrará em The Whole Love uma boa companhia para momentos agradáveis. Sem compromisso, é claro.

Wilco - I Might by antirecords

Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
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