Em sua estreia pela Kompakt, dupla de Los Angeles faz música livre de amarras estéticas e geográficas
World music é um termo mala que geralmente rotula artistas idem, e volta e meia ainda aparece em alguma publicação (gringa) se referindo a qualquer música estranha à cultura anglo-saxã. Se há anos isso era pejorativo, em tempos de internet soa como piada.
Absorver e regurgitar múltiplas referências culturais hoje é regra, como um sem número de artistas vem provando dia após dia com produções que vão da ousadia ao ridículo. Basta pensar em Gang Gang Dance e no tecnobrega, por exemplo.
Este ano, uma das vítimas do termo world music é o duo de Los Angeles Rainbow Arabia, responsável pelo ‘exótico' álbum Boys and diamonds.
Lançado pela Kompakt, o disco é uma continuação do que o casal Danny e Tiffany Preston vem fazendo desde que decidiram criar música juntos; uma viagem por paisagens coloridas e distintas que estranhamente formam um conjunto uniforme.
Expressar isso usando referências musicais pode confundir mais que explicar, mas Boys and diamonds é como um encontro entre M.I.A e Siouxsie num projeto que juntasse new wave/pós punk, música do oriente médio, electro, dub e synth pop; ao mesmo tempo experimental e pop, sombrio e festivo, chapado e bicudo, retrô e futurista, eletrônico e orgânico.
As provas cabais destas afirmações aparentemente contraditórias são músicas como "Sequenced", que poderia estar em um álbum do Vitalic; o pós punk dançante (ou disco punk, que seja) "Blind"; o dub sinistro e geneticamente alterado "Hai" ou a gótica "Mechanical". Todas diferentes, mas com algo em comum.
Como dito acima, há um fio que liga todos estes diferentes pontos do espaço/tempo da estreia do Rainbow Arabia: a voz de Tiffany. Ela dá unidade às oscilações rítmicas deste caleidoscópico mapa-mundi musical que é Boys and diamonds.
Um álbum divertido feito para mentes abertas, definitivamente.