O
Balam Acab sempre esteve junto da #tag witch house, música arrastada e cheia de meandros com supostas conexões com o oculto (que de house não tem nada). Talvez tenha sido uma brincadeira que saiu ligeiramente do controle dos seus pioneiros, e as centenas de capas sinistras e alusões nada comedidas a símbolos pagãos ganharam uma certa projeção na internet e na mídia musical. Mas ao contrário de outros nomes que ajudaram a fixar esse gênero como
Salem e
oOoOO, o Balam Acab não evoca rituais ocultos claustrofóbicos cheios de alucinações auditivas.
Se o som produzido pelo americano Alec Koone é a trilha sonora de um encontro de bruxas, ao ouvir
Wander Wonder só conseguimos imaginar um convescote Wicca. Bruxas Wicca moderninhas, é bem verdade. O disco de oito faixas é em alguns momentos literalmente ambient: pássaros cantando, fogo crepitando, madeira que range, o tilintar de objetos metálicos, água corrente.... muita água corrente. Ao ouvir o disco com atenção, um cenário natural rico se desenrola. Florestas verdes e húmidas, povoadas por animais coloridos porém sorrateiros. Imagina-se personagens fantásticos e mitológicos, goblins gananciosos contando moedas de prata, fadas brincalhonas, cidades maravilhosas onde magos poderosos cozinham poções em grandes caldeirões, dentro de torres de mármore rosado. É como se o disco fosse um espelho por onde pudesse se atravessar para chegar a este lugar mágico, e quando se chega lá sente-se um torpor acalorado gostoso.
Flash Content
Balam Acab - Welcome (mp3)
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Balam Acab - Apart (mp3)
Musicalmente,
Wander Wonder soa muito mais cristalino do que os primeiros demos e eps do Balam Acab, e isso é mais um fator que o distancia de bandas como oOoOO, por exemplo. Além da rica ambientação, o disco apresenta muitas harmonias gentis de instrumentos de corda, harpas, violoncelos e outras delicadezas, tudo aliado a uma produção eletrônica de baterias downtempo sutis, drones, vocais com o pitch lá em cima (talvez cantados pelas próprias fadas brincalhonas) e baixos sintetizados que não engolem o resto das músicas. Tudo isso culmina em belos momentos, como nas faixas "Oh, Why" e "Await".
Mas esse upgrade na produção aliado a uma repetição da fórmula acaba deixando um gosto esquisito na boca. Um
aftertaste não muito agradável. Parece que Alec esbarrou em grandes possibilidades, mas ao invés de ir mais fundo atrás do que havia além dos primeiros rascunhos, optou por segurar a onda e apostar na segurança. Por conta disso, algumas músicas do disco acabam soando como uma versão atualizada de algum disco perdido da Enya, um tipo de muzak new age atualizado para ouvidos hipsters.
Flash Content
Balam Acab - Oh, Why (mp3)
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Balam Acab - Await (mp3)
Wander Wonder não é o disco que legitima de vez o gênero dos triângulos. Mas isso não quer dizer que não seja um bom disco. Nada contra as bruxas boazinhas, mas no fim das contas as bruxas más sempre acabam sendo mais interessantes. Esperamos pelo próximo do oOoOO.