Continuando sua viagem pelos confins do espaço, O Mago segue nos enviando as mensagens produzidas a partir de suas experiências extraterrenas.
Desde que partiu de Detroit (ou do Japão, se preferirem) em sua jornada pelo cosmos, Jeff Mills periodicamente entra em contato com sua manifestação física para que este nos mostre o que ele vem codificando em forma de música.
Ano passado o álbum The ocurrence cumpriu o papel de trazer à terra esses vislumbres, missão agora cumprida por The power (também em edição limitada), mais recente incursão de Mills ao obscuro e pouco explorado universo onde o techno e a ficção científica são a mesma e híbrida criatura.
Nas mãos de seu criador essa criatura musical permanece como nasceu: hipnótica e cerebral, capaz de levar a mente humana a conhecer alguns de seus limites; e expondo nossos corpos à diferentes e variáveis radiações de energia, da contemplação ao êxtase.
O disco começa e termina da mesma maneira - apesar dos formatos diferentes - com duas abstrações que podem ser lidas como decolagem e pouso. Durante a jornada, há mais algumas pausas para abastecimento, mas na maioria do tempo a velocidade é mantida com propulsores 4X4 gerando techno minimalista e sensorial.
Divagações a parte, em The power os beats estão contidos; as oscilações de áudio à Silver Apples e o transe sci-fi em cada uma de suas faixas o põe a anos-luz de distância da euforia acelerada dos tempos de "The bells", por exemplo. As raízes ainda estão em Detroit, mas o tempo e essa imersão em estranhas realidades (sair dos EUA para o Japão - e de lá para a vida extraterrestre) causaram efeito no toque do mago em seus controles, evocando mais Kraftwerk que anfetaminas.
Jeff Mills, meio que como um Major Tom high tech, narra sem palavras a viagem (com ou sem volta) de quem se perdeu no tão misterioso e escuro quanto fascinante vácuo espacial; e dentro de um gênero desgastado produz mais uma vez música com seu jeito, feita sob medida para acompanhar tanto luzes estroboscópicas quanto a leitura de Philip K. Dick.