Na história da música recente, uma banda pode posicionar-se com destaque de duas formas: ou re-inventa a roda ou coloca várias delas juntas e sai por aí se divertindo muito. O Copacabana Club certamente se enquadra no segundo grupo: traz uma junção de influências modernas que não se cristalizam em inovação sonora mas se traduzem em muita autenticidade e diversão. Hoje, o Copacabana Club é uma das bandas nacionais com uma identidade mais bem formada na cabeça do público. É indie rock tropical para dançar.
Se existe algo que pode ser dito sobre o Copacabana Club é que estes curitibanos sabem direitinho o valor da produção. Desde seu surgimento, quando a banda tinha apenas umas poucas dezenas de shows no currículo, os Copas maximizaram sua exposição com o muito bem produzido clipe de "Just Do It" e uma imagem impecável. A estrada se tornou a mãe da banda. Shows em palcos cada vez maiores trouxeram a necessidade de construir uma sonoridade mais cheia e profissional.
Foi aí que o produtor Dudu Marote entrou em cena. O disco levou mais de 1 ano e meio sendo gravado e afinado em seus mínimos detalhes. A experiência de Dudu com a música pop e também com a eletrônica cairam como uma luva para a banda. Guitarras, baixo, teclados, bateria e vocais conspiram de forma harmônica para criar o clima ensolarado e bem-humorado de Tropical Splash. O disco soa como deveria: grandioso, energético, sensual e divertido.
As composições novas também são um grande destaque do disco. A faixa "Pas Toujours" (com a proeminência da voz do guitarrista Alex) é uma das mais bacanas de Tropical Splash, com seus sintetizadores ligeiramente desafinados, baixo a la New Order e guitarrinhas emulando gaivotas. Nice. A faixa "Tropical Splash", que dá nome ao disco, também é bem legal. Segundo a vocalista Cacá V, a música surgiu durante aulas de natação e, cá pra nós, tem cheiro de hit.
E talvez um dos pontos que mais avançaram das primeiras demos dos Copas para este lançamento tenha sido justamente a presença da voz de Cacá. Enquanto os primeiros registros da banda carregavam sua voz com uma quantidade cavalar de efeitos, em Tropical Splash sua presença é muito mais segura e natural. Desta vez, conseguimos ouvir as pequenas nuances de timbre em sua voz. Momentos de rouquidão, arranhados, pequenas desafinadas, dinâmicas diferenciadas. Está tudo lá e isso é muito bom, dá ainda mais personalidade ao som do Copas.
Tropical Splash é o retrato de uma banda que consegue levar muito a sério seu trabalho, e ao mesmo tempo não levá-lo nada a sério. O Copacabana Club não quer inventar nenhuma roda, mas encara com coragem trabalho de fazer todo mundo dançar (vale acrescentar que o disco foi produzido de forma totalmente independente). Grande lançamento.
Um dos melhores álbuns lançados esse ano. Eu era do grupo que cornetava o Copas por demorarem a lançar o álbum, mas, esse tempo de espera foi fundamental, pois o resultado final foi excelente. Vãos ascender muitos com esse primeiro trabalho.
Eu era do grupo que cornetava o Copas por demorarem a lançar o álbum, mas, esse tempo de espera foi fundamental, pois o resultado final foi excelente. Vãos ascender muitos com esse primeiro trabalho.