Um homem enfeitiçado pelo próprio instrumento? A mente criativa por trás do At The Drive-in e Mars Volta tem carreira solo examinada em coletânea.
Quando o meteoro post-hardcore conhecido como At The Drive-In se separou em 2001, estava no auge do seu jogo. Afiados como navalhas, Cedric Bixler e companhia constituiam uma força vigorosa incomparável no mundo das bandas de rock do período. A banda havia acabado de lançar a
pièce de résistance de sua carreira, o álbum
Relationship of Command, e se posicionava como a banda a ser seguida. Mas talvez a pressão tenha sido muito grande e os integrantes não conseguiram permanecer juntos para novos álbums. Com o fim da banda, alguns projetos-orfãos surgiram. Jim Ward, Paul Hinojos e Tony Hajjar formaram o Sparta, banda que seguia a mesma linha do At The Drive-In mas sem o mesmo brilho. Cedric Bixler juntou forças ao guitarrista Omar Rodriguéz-López para montar o progressivo
The Mars Volta. E talvez o mais exótico fruto do fim do ATDI tenha sido a carreira solo de Omar Rodriguéz-López.
Desde o fim do At The Drive-In, o compositor e multi-instrumentista de origem porto-riquenha entrou em um frenesi criativo e lançou 17 álbuns solo. Omar aproveitou estes momentos de gravação como um playground criativo. Enquanto seu som com o Mars Volta se tornava cada vez mais conciso, seus discos solitários soltavam uma a uma amarras criativas que poderiam existir e funcionaram como verdadeiros
freak-outs experimentais. E realmente, alguns de seus discos são muito disformes e até mesmo indigestos para serem consumidos em uma tacada só, como é o caso com a sua colaboração com o parceiro frequente Jeremy Michael Ward ou o recente e esquisito
Tychozorente.
Mas em 17 álbuns é claro que dá pra encontrar muitas pérolas. A coletânea
Telesterion traz 37 faixas que ilustram de forma bem precisa a gama sonora de Rodriguéz-López, desde números que exaltam seu dna latino, como "Boiling Death Request A Body To Rest Its Head", até sua paixão pelo jazz fusion, como em "Melting Chariots".
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Omar Rodriguez Lopez - Boiling Death Request A Body To Rest Its Head (mp3)
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Omar Rodriguez Lopez - Melting Chariots (mp3)
Mas o que parece interessar mesmo Omar é a boa e velha psicodelia surrealista. Sua prodigiosa guitarra se metamorfosea em raios laser, refrações de luz que fazem cócegas nos neurônios, como em "Agua Dulce del Pupo". Em "Amanita Virosa", se esgoela e vomita como um xamã entorpecido... danada a guitarra mágica de Omar Rodriguéz-Lopéz. Os andamentos também se esgueiam e retorcem, lépidos, malemolentes, como o coelho branco que você vê, e num momento seguinte, não vê mais. Faixas como "Noir" ou "Half-Kleptus", demonstram claramente a capacidade de retorcer cérebros dos seus companheiros de banda, que fazem um trabalho extremamente competente.
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Omar Rodriguez Lopez - Agua Dulce De Pulpo (mp3)
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Omar Rodriguez Lopez - Amanita Virosa (mp3)
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Omar Rodriguez Lopez - Noir (mp3)
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Omar Rodriguez Lopez - Half Kleptos (mp3)
Talvez o que ouvimos em
Telesterion sejam os grandes exercícios criativos que, depurados, se encaixaram de forma harmônica no Mars Volta. Apresentadas de forma organizada, essas experimentações todas ganham um significado maior. Demonstram um comprometimento com a arte que parece até extenuante e que não faz mais parte da relação de muitas bandas com seu ofício nos dias de hoje. Nesse sentido, Omar lembra os grandes
guitar-heros do rock psicodélico, como Ritchie Blackmore ou Jimmy Page: para sempre enfeitiçados pelo próprio instrumento.