A Riviera Inglesa é composta por três cidadezinhas na baía de Torbay, na Cornualha. Brixham, Torquay e Paington são o mais próximo que nossos amigos do Reino Unido podem chegar de um clima tropical (but not quite) sem ir até o continente. Pelas 22 milhas de encosta, os ingleses podem desfilar seus casaquinhos listrados em branco e azul e botar as coxas branquelas pra tomar um solzinho (but not quite), molhando os pés nas águas quentes do Canal da Mancha. Alegria ensolarada. But not quite. No, sir.
Como esse verão que arde mas não queima, essa é a tônica do terceiro LP da carreira do Metronomy. Melodia amorosa, harmonia frustrada. Harmonia apaixonada, ritmo neurótico. Ritmo tranquilo, melodia frenética. Instrumentação ensolarada, letra ácida. O som produzido pelo quarteto nunca chega a ser abrasivo, mas corroe como maresia. A banda funciona perfeita pelas 11 faixas do disco, uma engrenagem bem azeitada, que com muito poucos elementos consegue produzir momentos de beleza sutil, paixão pueril, decepção, otimismo e até momentos de sacolejo de quadril. Bem impressionante.
O Metronomy já foi muito mais um esforço de propriedade do
band-leader Joseph Mount, mas em
The English Riviera a banda soa muito mais concisa e há espaço para todos os seus integrantes brilharem nos momentos certos. Seja a (bela) bateirista Anna Prior com um delicado trabalho vocal na faixa "Everything Goes My Way", onde a moça canta por cima dos backing vocals cedidos por ela mesma, ou o baixo pulsante de Gbenga Adelekan, que segura pelos colarinhos faixas como "The Bay" e "Corinne". Backing Vocals brincalhões, assinaturas rítmicas diferenciadas, sintetizadores, guitarra sequinha e pontual. Tudo preciso, intenso e nada forçado.
Songwriting inteligente, quase minimalista.
Flash Content
Metronomy - Corinne (mp3)
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Metronomy - The Bay - 11B/11A (mp3)
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Metronomy - Love Underlined (mp3)
Traços de oitentismo estão presentes no disco, mas
The English Riviera está longe de ser um revival. Há quem reconheça notas de bandas como The Bolshoi, Pet Shop Boys ou Spandau Ballet, mas quem as ouve falando mais alto que a sonoridade da banda está muito preocupado com a genealogia e esquecendo da musicalidade. O disco reflete um Metronomy que delimita muito bem seu ramo de atuação (pop avant-garde com sensibilidade melódica e melancólica) e que evoluiu de forma espantosa desde o último LP. Tudo bem que a Riviera Inglesa não é Baía de Guanabara. Joseph Mount e sua trupe estão tranquilos em relação a isso (but not quite) e, se você quiser, eles te levam até lá.