Esben and the Witch - Violet Cries
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2011
Selo: Matador
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Esben and the Witch - Violet Cries
15.02.11 16:50
O Esben and the Witch faz parte da recente safra de bandas que usa o gótico como o veículo pelo qual expressa sua visão de mundo. Embora não esteja armada de singles e sobrecarregada de elogios, a banda está emergindo para o mainstream com uma proposta mais tortuosa e carregada de um feitiço etéreo. Violet Cries, seu disco de estréia, é ambicioso, profundo e soa prodigioso.

O trio de Brighton tem suas influências. Como um dos expoentes do Witch House, eles não fazem algo estritamente gótico. O grupo faz um rock que flerta com experimentalismos eletrônicos e apresenta tonalidades psicodélicas com uma pincelada de progressivo. O vocal, por sua vez, remete a Siouxsie Sioux. No entanto, apesar dessa teia de influências, o debut não soa retro ou datado. A banda executa seu trabalho de um jeito próprio, bonito e grandioso.

O gótico, a maior referência por aqui, como foi dito, exige uma atmosfera adequada. O grupo é bem sucedido na construção de densas, sombrias e inquietantes paisagens sonoras. A vocalista Rachel Davies se encarrega de gritos e gemidos sedutores e fantasmagóricos. Os acordes ecoam em um vazio cavernoso, flutuando como névoa de cemitério.



O sol desaparece e a neblina toma conta de tudo. Os espíritos começam a se agitar e somos arrastados para dentro de uma beleza sobrenatural. Porém, não se trata exatamente de escapismo. Na verdade, o álbum é um espelho das incertezas da vida. A atmosfera inquieta e ansiosa, o amontoado de guitarras e vocais que proporciona uma experiência claustrofóbica, a alternância entre o caos e a fragilidade - tudo isso é reflexo da nossa existência.

A catártica faixa de abertura, "Argyria" dá o tom do álbum. Apresenta uma construção lenta e constante até que explode. Esse modelo é repetido ao longo do trabalho. As músicas saem da escuridão, nos deixam desnorteados, e recuam, a fim de retomar fôlego e serenidade antes da próxima subida. As faixas são épicas e excitantes.



Violet Cries é uma unidade fluida, com cada faixa desaguando sutilmente na próxima. É um disco hipnótico, cheio de turbilhões inebriantes. Seu conceito e sua execução são ótimos. O álbum é bonito e instintivo. O Esben and the Witch retrata muito bem o tormento que vem da capacidade de pensar e sentir. O único problema é que, talvez pelo fato de as músicas estarem muito fundidas ou por seguirem essencialmente o mesmo padrão, o impacto cumulativo não é tão grande com pretendia.

Vivian Reis
Vivian Reis
Vivian é jornalista e vê a música como um meio de comunicação.
comentários
3 comentários
Felicio Marmitex
Bela resenha!!
God-Dog
God-Dog(28.02.11)
0AprovadoQueima
álbum ótimo, merecia uma nota maior lol
Degásperi Netto
3AprovadoQueima
o Som é soturno e gótico e apesar de não ser muito do meu gosto, ou raramente encontro trabalhos que merecem destaque e crédito. Violet Cries, foi pro meu Ipod!