O Esben and the Witch faz parte da recente safra de bandas que usa o gótico como o veículo pelo qual expressa sua visão de mundo. Embora não esteja armada de singles e sobrecarregada de elogios, a banda está emergindo para o mainstream com uma proposta mais tortuosa e carregada de um feitiço etéreo.
Violet Cries, seu disco de estréia, é ambicioso, profundo e soa prodigioso.
O trio de Brighton tem suas influências. Como um dos expoentes do Witch House, eles não fazem algo estritamente gótico. O grupo faz um rock que flerta com experimentalismos eletrônicos e apresenta tonalidades psicodélicas com uma pincelada de progressivo. O vocal, por sua vez, remete a Siouxsie Sioux. No entanto, apesar dessa teia de influências, o debut não soa retro ou datado. A banda executa seu trabalho de um jeito próprio, bonito e grandioso.
O gótico, a maior referência por aqui, como foi dito, exige uma atmosfera adequada. O grupo é bem sucedido na construção de densas, sombrias e inquietantes paisagens sonoras. A vocalista Rachel Davies se encarrega de gritos e gemidos sedutores e fantasmagóricos. Os acordes ecoam em um vazio cavernoso, flutuando como névoa de cemitério.
O sol desaparece e a neblina toma conta de tudo. Os espíritos começam a se agitar e somos arrastados para dentro de uma beleza sobrenatural. Porém, não se trata exatamente de escapismo. Na verdade, o álbum é um espelho das incertezas da vida. A atmosfera inquieta e ansiosa, o amontoado de guitarras e vocais que proporciona uma experiência claustrofóbica, a alternância entre o caos e a fragilidade - tudo isso é reflexo da nossa existência.
A catártica faixa de abertura, "Argyria" dá o tom do álbum. Apresenta uma construção lenta e constante até que explode. Esse modelo é repetido ao longo do trabalho. As músicas saem da escuridão, nos deixam desnorteados, e recuam, a fim de retomar fôlego e serenidade antes da próxima subida. As faixas são épicas e excitantes.
Violet Cries é uma unidade fluida, com cada faixa desaguando sutilmente na próxima. É um disco hipnótico, cheio de turbilhões inebriantes. Seu conceito e sua execução são ótimos. O álbum é bonito e instintivo. O Esben and the Witch retrata muito bem o tormento que vem da capacidade de pensar e sentir. O único problema é que, talvez pelo fato de as músicas estarem muito fundidas ou por seguirem essencialmente o mesmo padrão, o impacto cumulativo não é tão grande com pretendia.