PJ Harvey - Let England Shake
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 4.00/5
Nota: 4.0 (2 votos)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 4.5 / 5
Ano: 2011
Selo: Vagrant Records
Estilos: rock, folk, pop, vocal
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
PJ Harvey - Let England Shake
14.02.11 11:30
Em 18 de abril do ano passado, PJ Harvey se apresentou no programa de Andrew Marr, na BBC inglesa. Acompanhada apenas de um instrumento chamado autoharp e de um sample de Istanbul, do The Four Lads, PJ mostrou em primeira mão a canção "Let England Shake", que sairia em seu próximo CD. Apesar de não ter sido das melhores (PJ errou acordes e não cantou bem, a autoharp tem um timbre meio tosco e o sample em loop estava desconectado do resto da música), a apresentação foi memorável.



Porque exatamente no dia em que PJ foi chamada para cantar os versos "England's dancing days are done/ Another day for you to come home/ And tell me indifference won", o convidado principal do programa era simplesmente o primeiro-ministro da Inglaterra, Gordon Brown. Coincidência ou jogada planejada, foi o sneak peak perfeito para o novo disco de PJ, que será lançado no dia 15 de fevereiro e já está disponível para streaming.

Levando o nome da canção tocada no programa, Let England Shake é um álbum conceitual sobre o país-natal da artista. Não é a primeira vez que ela usa um lugar como inspiração. Em Stories From the City, Stories From the Sea, de 2000, há referências à cidade de Nova York, mas esta aparece apenas como cenário no qual se desenrolam amores, ressacas e desilusões. Em Let England Shake, o país não é palco para dramas íntimos, é o personagem principal.

O tom narrativo do disco aparece no uso de diversas vozes entoando uma melodia e de efeitos de eco - o que remete ao recurso cinematográfico de embaçar a imagem quando esta é produto da lembrança de um personagem. PJ também explora timbres e registros vocais diversos, como se as canções fossem cantadas/contadas por pessoas diferentes. É uma boa sacada, mas também um problema: PJ não é uma grande cantora e provavelmente não conseguirá sustentar ao vivo registros agudos como o de "On Battleship Hill" - que já não soa muito bem na gravação.

Mas isso não é o bastante para abalar um disco como Let England Shake. Sem experimentações sonoras (harmonia, melodia e ritmo, tudo é na verdade muito simples), sua força reside na relação ambígua entre forma e conteúdo. A substituição de guitarras ruidosas pela acústica autoharp resultou em arranjos delicados, que beiram o folk em "England" e "The Colour of the Earth". A inserção de metais na faixa-título e em "The Last Living Rose" confere um clima quase dançante, e o toque de globalização fica por conta do uso do sample de "Blood and Fire", do jamaicano Niney. Mas a Inglaterra que aparece nas letras não é a Inglaterra dos campos bucólicos nem a Inglaterra da Londres cosmopolita. É a Inglaterra devastada por guerras, a Inglaterra em que soldados caem como pedaços de carne ("The Words that Maketh Murder") e a terra é arada por tanques e pés marchando ("The Glorious Land"). Para escrevê-las, PJ mergulhou em uma intensa pesquisa que incluiu desde livros de história sobre a Primeira Guerra Mundial até blogs de mulheres afegãs.

Desse contraste entre a delicadeza dos arranjos e a barbárie dos versos surgem canções que passam longe da exaltação nacional e que vão além da descrição dos horrores da guerra e da crítica à política inglesa de ontem e de hoje. Elas tratam de uma inquietação que afeta qualquer cidadão de qualquer nacionalidade: como conciliar o amor pelo país (não no sentido chauvinista do termo, mas no sentido de sentir-se pertencente a um lugar e a uma cultura) e os sentimentos de culpa, vergonha e tristeza frente às atrocidades cometidas em nome da pátria?

Se a questão é impossível de se resolver, talvez reste somente transformá-la em arte. É o que PJ faz.

Cada faixa de Let England Shake virá acompanhada de um vídeo dirigido pelo fotógrafo de guerra Seamus Murphy. Os de "The Last Living Rose" e "The Words That Maketh Murder" já estão disponíveis:




Raquel Setz
Raquel Setz
Barulhos, experimentações e esquisitices em geral
comentários
5 comentários
José Horta
José Horta(23.05.11)
0AprovadoQueima
Bela resenha para um belíssimo trabalho.
Lucas Túlio
Lucas Túlio(21.02.11)
0AprovadoQueima
bom, eu curti o album, apesar de ser realmente beeeem temático. Acho que isso atrapalhou um pouco, algumas letras soam muito parecidas.
Angelo
Angelo(19.02.11)
0AprovadoQueima
ponto para" in the dark places"!
Angelo
Angelo(19.02.11)
0AprovadoQueima
Gsoto muito dela, apesar de achar que to bring you my love, rid of me e is this desire os melhores albuns, este disco é diferente como de costume, ave Pj!
Fabio Spavieri
Fabio Spavieri(16.02.11)
0AprovadoQueima
Estou tentando assimilar este album, rs.