Rótulos são muletas. Muletas para críticos preguicosos. É muito fácil categorizar qualquer coisa dentro de uma definição muito pouco precisa, arbitrária e, por vezes, até jocosa. Esses rótulos inchados e capengas são muitas vezes espirrados por "entidades superiores" do conhecimento musical e são rapidamente adotadas como o cânon oficial da história recente. Mini-gêneros que pipocam como piolho em pré-escola. E isso causa também uma avalanche de surfistas de hype, igualmente preguicosos, que se lançam contra a onda que estiver passando no momento e esperam que ela seja grande o suficiente para o tubo os levar até a areia. E como a gente bem sabe, essas ondas costumam acabar bem antes da praia.
O rótulo de 2010 foi o tal do
"chillwave", cujo uso foi convencionado para descrever qualquer tipo de música eletrônica de bpms bem tranquilos. Capenga. E incômodo para alguns que querem se firmar. Chazwick Bundick foi um dos primeiros a carregar essa rotular pecha, à partir do lançamento de seu LP de estréia, o aclamado
Causers of This. E com a mesma rapidez que ganhou notoriedade no cenário musical, apressou-se em gravar outro LP e lançá-lo pouco menos de um ano após seu
debut.
Bundwick optou por uma sonoridade bem orgânica em
Underneath the Pine. A sonoridade muda, já a temática se estende. A música do Toro y Moi continua sendo o retrato da sensualidade juvenil. Um romantismo inexperiente, como o choque de dois aparelhos ortodônticos em um sofá tarde adentro. O relacionamento dos instrumentos acústicos é azeitado por doses consistentes de reverberações, dando uma qualidade não abrasiva e aveludada ao som. Bundick é carinhoso com os seus ouvidos. Doçura e elegância.
Ao passo que o ouvinte penetra nas faixas, camadas se desenrolam gentilmente. Orquestrações sutis ganham forma como em "Before I'm Done". Uma profusão de
Ohhhs,
Ahhhs e
Lalalas marcam presença por todo o disco. "How I Know" inclusive deixaria Brian Wilson com uma certa inveja. Música pop perfeita, com sabor de 40 anos atrás. "Light Black" é progressiva e profunda. "Still Sound" e "Elise" tem potencial para grandes hits indie do 2011, com total propriedade.
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Para um crítico preguiçoso, seria muito fácil catalogar
Underneath the Pine como um simples revival funk ou disco. Mas o segundo disco do Toro y Moi é muito mais que isso. O álbum é a afirmação de Chazwik Bundik como compositor e produtor, dos mais idiosincráticos a surgir nos últimos anos. Talvez a sonoridade romântica e melódica não seja para todos os gostos, mas há algo que é claramente detectável por qualquer par de ouvidos que se permita ouvir com cuidado: musicalidade incontida que desafia rótulos.
Underneath the Pine sai oficialmente no final de fevereiro pela Carpark Records nos EUA e terá lançamento simultâneo no no Brasil, pelo selo
Vigilante em CD e digital.