Mogwai - Harcore Will Never Die, But You Will...
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2011
Selo: Sub Pop
Estilos: post-rock, shoegaze
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Mogwai - Harcore Will Never Die, But You Will...
19.01.11 12:20
Muitas vezes, as diversas formas de expressão artística se tornam pontos de contato entre as pessoas. Como naquele filme obscuro de sessão da tarde, onde traficantes encontram uma forma de gravar os sonhos das pessoas e vender a ávidos espectadores, a música (ao menos a que preza pela qualidade), de certa forma, é isso. Seus ouvidos se aprontam para percorrer a faixa de uma música. O artista se encarrega de empunhar o volante e levar você por um percurso que só ele conhece. Caminhos secretos, profundos. Você se deixa levar. Um caminho de sensações, percepções sutis que precedem emoções complexas. Por uma porção de minutos você olha pra dentro dos olhos de quem dedilhou aqueles instrumentos todos. Você se conecta.

Os rapazes de Glasgow estão, definitivamente, mais calmos.
Os rapazes de Glasgow estão, definitivamente, mais calmos.
O Mogwai vem há 16 anos capturando sensações em faixas de áudio. Era essa toda a premissão do post-rock. Ultrapassar um certo conteúdo padronizado que se apoderou da formação baixo-guitarra-bateria-piano, e permitir outra expressão e conexão entre as pessoas, de uma forma quase intuitiva. O Mogwai é mestre em te levar por cenas de sonhos, daqueles muito melancólicos e até incômodos. Com seis álbuns anteriores a Hardcore will never die..., estes são cinco escoceses que realmente não tem mais nada a provar. Uma discografia consistente que lhes garante a possibilidade de fazer o que lhes parece mais confortável.

Harcore will never die... é tradução perfeita desse conceito. Confortável. Como o disco é basicamente instrumental, sobram após uma audição cuidadosa diversos sentimentos diferentes, interpretados por uma via muito arterial que leva direto ao córtex. Ansiedade agitada que precede uma boa notícia. A sensação de sol queimando lento no rosto, numa tarde tranquila. Otimismo. Sim, otimismo. O Mogwai também é capaz de enxergar em tecnicolor. A melancolia ainda está lá, menos evidente é bem verdade, mas arraigada fundo no semblante da banda.

Não são mais aqueles ataques furiosos de ondas sonoras incontroláveis (o Mogwai já foi considerado uma das bandas que costumava tocar mais alto no mundo todo) e white noise caótico. Hoje, as modulações por meio de efeitos como delays e flangers são cuidadosamente aplicadas. A banda inventa menos e soa mais contida em alguns momentos. Andamentos mais conservadores, como nas faixas "Mexico Grand Prix" e "George Square Thatcher Death Party". Em outros, como na faixa "Rano Pano" (a melhor do disco), o Mogwai cita a si próprio em seus primórdios, usando distorção e acordes arpegiados cada vez mais amplos para construir uma parede de som que se ergue por alturas inimagináveis.



O sétimo disco do Mogwai não reinventa a roda. Mas carrega emoções sempre contundentes. É um alívio ouvir uma banda tão sossegada com seu papel no mundo da música. Eles nunca serão rockstars. Até mesmo porque, como o rótulo que lhes foi dado prediz, eles estão além de tudo isso. Mas essa sensação de ter ultrapassado uma barreira estilística nunca passa por cima da vontade de construir boas faixas. E nisso, temos um excelente disco. Assim, sem muito esforço.

Thiago Freitas
Thiago Freitas
everybody love everybody
comentários
5 comentários
excelente resenha!
Daniel Takinn
Daniel Takinn(19.02.11)
0AprovadoQueima
tudo o que eu queria ouvir por esses dias. mto foda.
parabéns pelo texto. fino.
Fábio Bridges
Fábio Bridges (19.01.11)
3AprovadoQueima
captou a essência, hein bicho ;)
Mariana Rezende
Mariana Rezende(19.01.11)
ótimo disco, ótima resenha