Teebs - Ardour
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2010
Selo: Brainfeeder
Estilos: downtempo, experimental, lo-fi, la beat scene
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Teebs - Ardour
01.12.10 13:55
O que esperar de um artista que tem como mentor o músico líder de uma geração de produtores pioneiros do post-hiphop? Teebs, discípulo de Flying Lotus, aos 23 anos tem histórico curioso: skatista em Nova Iorque, cidade natal, sua formação artística se deu primeiramente nas artes visuais e a música só entrou em seu fluxo criativo quando se mudou para Los Angeles e passou a fazer parte do My Hollow Drum - coletivo de músicos, artistas, amigos e DJs ativos na noite da cidade.

Nesse período Mtendere Mandowa dividiu apartamento com FlyLo e, segundo palavras dele, acordar logo cedo e ver o colega trabalhando em suas produções o incentivou a fazer o mesmo. Daí em diante a evolução de seu trabalho tomou forma em sua participação no Red Bull Music Academy de 2008, um debut em compilação de Mary Anne Hobbs e teve seu primeiro lançamento oficial, um EP em parceria com o produtor Jackhigh, lançado pelo selo Svetlana Industries em abril desse ano.

16. Teebs - Wlta by Ctrl_f

Ardour, seu primeiro álbum, foi lançado em outubro pelo Brainfeeder mas ficou incubado durante um período por conta da morte de seu pai, fato que o afastou das produções. Entretanto, o disco não carrega sentimentos de perda. Inundado de elementos orgânicos (piano, guitarras e cordas, muitas cordas) o disco é leve e açucarado, é como algodão doce e a sensação de retorno a um tempo eternizado pela memória.



Preferindo não fazer uso das mesmas extravagâncias sintetizadas encontradas em boa parte dos trabalhos dos produtores locais, Teebs realizou obra única na seleção de samples que brincam com nossa sensorialidade: é como atravessar um campo no início da primavera, quando o ar ainda carrega o frescor dos ventos frios do inverno entrecortados pela profusão de cores e fragâncias que anunciam dias de encontro com a vida.





Sinestesismos à parte, façamos analogia com sua obra visual - a qual ilustra todos os seus trabalhos enquanto músico - e perceberemos recortes de realidade sobrepostos de elementos que explodem em cores vivas e criaturas reais, não reais e surreais que compõem o imaginário visual e sonoro do artista, o qual não parece ser estabelecido separadamente. Fato que fica evidente quando nos é revelado uma das grandes influências no processo de criação do álbum, o anime Paprika:



Tal exuberância de cores e tons faz contraponto ao caráter minimalista encontrado nos arranjos. Nota-se não ser uma produção de muitas camadas. Os elementos estão à superfície, emergindo a todo momento, colocando-se em órbita de uma intensidade gerada nas idéias do produtor, preenchendo a atmosfera quase nostálgica do disco.



Nasce daí a necessidade de classificar Ardour como obra completa, não há prólogos ou epílogos; não é disco de hits, livro de capítulos. É disco ímpar - dos grandes lançados em 2010, como Caribou, Four Tet e Gold Panda - e consegue com tamanha beleza e uniformidade ir além até mesmo da obra de seu mentor.

Rodrigo Roman
Rodrigo Roman
comentários
2 comentários
Belo album, bem terapeutico. Tem passagens que me lembram um Four Tet inspirado.
Jade Augusto Gola
Apesar do FlyLo ter feito algumas músicas sublimes no "Cosmogramma", arrisco dizer que o Teebs, no pacote completo, é um álbum bem melhor