Smirnoff Nightlife Exchange Project mostra "balada australiana" em São Paulo
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ficha técnica
Nota: 3 / 5
Ano: 2010
Estilos: synth-pop, disco, house
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Smirnoff Nightlife Exchange Project mostra "balada australiana" em São Paulo
29.11.10 13:30
Assim como o evento Experience encerrou a temporada de shows de 2009 a marca de vodka Smirnoff fecha o principal da programação paulistana de 2010 com outra festa, batizada Nightlife Experience. A ideia era ter um intercâmbio entre países, que no caso deu-se entre Brasil e Austrália. Ótimo gancho para trazer artistas de uma animada cena synth e electro-pop que o rraurl já vem martelando desde 2007. A festa rolou em um complexo de galpões na Vila Leopoldina em SP, perto da Pacha e exatamente no mesmo lugar que houve o Campari Rock de 2005, com MC5, CSS e Optimo, lembra?

O palco principal tinha as atrações australianas, entre eles o histérico one man show Muscles, que abriu a noite uivando alto num microfone abafado e soltando synths fáceis, que ganhavam alguma dimensão audível quando o beat ficava gordo. De fato, um show de abertura. Licença poética na brincadeira australiana, os americanos do Golden Filter apresentaram-se com pompa pela segunda vez no Brasil, mostrando uma fusão de disco e electro-pop: imagine um híbrido de Glass Candy, Stop Play Moon e Vive la Fête, protagonizado pela misteriosa Penelope Trappes, que ao que parece evoluiu desde sua primeira vinda ao país não só na voz, mas também na presença visceral de palco. Ponto também para o VJ Alexis e o telão de fundo, que complementaram bem a estrutura do palco.

Golden Filter


Na segunda pista, dedicada a DJs de diversos países, o primeiro destaque foi o sul-africano Culoe de Song, DJ de house deep e tribal que virou uma exoticidade querida a selos do deep modernoso como o alemão Innervisions. Destaque para o feeling de pista de De Song, que começou naquela seara sensual e rebolativa do deep house, e evoluiu sem medo de ser feliz para um tribal requebrado e um bate-cabelo cheio de vocais e inserções funky, som que há tempos não era valorizado em festas grandes por aqui. Com sua presença curiosa e étnica, de Song ao mesmo tempo que o Golden Filter tocava no palco foi de fato o momento de maior interação sonora de diversos países, muito mais que a mera ação de distribuição de caipirinhas de algodão doce (!) e bolinhos de carne australianos que eram oferecidos ao público.

Culoe de Song


Com o álbum de estreia recém lançado, a dupla australiana Bag Raiders - que veio em esquema DJ set ao Brasil em 2008 pra comemorar 11 anos de rraurl - aparentou maturidade no palco mostrando somente músicas próprias, muitas vezes em versões extendidas, cheias de modulações e efeitos. Chris Stacey e Jack Glass fizeram um show animado e fizeram o público cantar junto os hits como "Shooting Star". Destaque para faixas como "Snake Charmer" e "Sunlight".

Bag


Mas a grande atração da noite foi mesmo o set dos nova-iorquinos do Holy Ghost!, nomes em ascensão na DFA e que fizeram a grandiosa pista do festival ser, naquele momento, o espaço mais animado de toda a festa. Alex Frankel e Nicholas Millhiser não focaram seu set em suas faixas próprias, como a memorável "Hold On!" ou "I Will Come Back", ou mesmo seu remix para "Drunk Girls" do LCD Soundsystem, mas passearam por diversos momentos da disco music, da house e de bons grooves que, hits ou não, soaram clássicos e grandiosos: "I Want your Love" (Chic), "Around the World" (Daft Punk), "Purple Drank" (Axel Boman) foram destaques, assim como a magnífica "Beam me Up", faixa de 2010 do Midnight Magic que tem bombado muito por aí via remix do Jacques Renault. É do selo Permanent Vacation.

Holy Ghost!


Entre outras memórias de disco music galopante, finíssima, o Holy Ghost! inseria pequenos momentos, interlúdios rápidos de coisas como "Thriller" e "I Like to Move in Here" (Moby), temperando o set com uma sagacidade pop que só bons DJs conseguem. E, encerrando com glória, eles celebraram toda uma geração sonora 2000s com "Get Innocuous", faixa do Sound of Silver do LCD Soundsystem - banda vem ao Brasil pela quarta vez em 2011.

Se o Holy Ghost! saciou o apetite por pista, o mesmo não pode ser dito do alemão Aksel Schaufler, o Superpitcher. O produtor não aproveitou a esperteza house e pop de seu último disco, Kilimanjaro e focou o set no já velho e manjado minimal techno. Linhas de beats abafados e efeitos excessivamente repetitivos eram prolongados por longos minutos, à exaustão, até que ele, enfim, soltava alguma espécie de evolução maior - um beat mais gordo ou um efeito simples de metais, por exemplo. É um tipo de som bom em clubes, mas que esvaziou a pista num piscar de olhos. Como se o pinga-pinga não fosse suficiente, o público ainda teve que lidar com a ironia imposta. Tocar uma versão da polêmica "Minimal" (Matias Aguayo) foi quase cinismo, pois o som do Superpitcher definitivamente não era más nocturno, más profundo e más sensual do que qualquer coisa que havia sido tocado ali antes por outros DJs. ¡Basta ya deste tipo de minimal!, mesmo.

Quem ficou até o amanhecer no palco viu ainda Renato Ratier tocar (logo após um pouco inspirado show dos australianos do Van She, que passou batido). Ele deveria estar efuziante na semana em que o D-Edge 2.0 abriu e fez um set que correu por sua conhecida trinca funky/house/groove e não decepcionou. E o epílogo sugerido por muitos àquela hora era, de fato, ir conhecer ou aproveitar o "novo D-Edge", um bom after para essa temporada de shows, eventos e festivais dignos de maratona e que reafirmam a sustância da cena nacional após um 2009 hesitante e cheio de mudanças por causa da crise econômica mundial. 2011, que manterá a efervescência deste fim de ano já com Amy Winehouse e LCD Soundsystem antes do Carnaval, é um ano que promete.

fotos: Marcelo Fubah

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
Mariana Rezende
Mariana Rezende
Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
comentários
3 comentários
Paulo Berenguel
Paulo Berenguel(18.04.11)
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Curtí a festa e discordo parcialmente quanto à apresentação de superpitcher... eu pessoalmente achei excelente e acho que vai muito de gosto! Quanto ao Renato Ratier e tudo mais, concordo plenamente! Também fui na inauguração da d-edge 2.0 aquela semana, good vibe total! :D
Lembro-me bem de culoe, fiquei triloco na pista heheh Holy Ghost, sem palavras...
De fato foi uma festa Be There! Estrutura e tudo mais, Smirnoff fez bonito! :)
CAio C B
CAio C B(30.11.10)
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quem dera pudesse ter feito um after na "D rete", o after foi no longo e flashback caminho de volta pa casa, aahhahahaa
CAio C B
CAio C B(30.11.10)
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FESTAO!!!
Holy Ghost! Foi o melhor, nunca tinha escutado em uma festa um set tao louco, dançante, empolgante e "orgasmante", ahahahahha.
Culoe é demais, sonzeira, bem melhor que o pitcher, que de super nao teve, decepcionante.
Bag Raiders tambem foi sensacional, se bem que nessa hora estava bem acompanhado, ai o som ja vibra de outra forma, pirei no Snake Charmer!!
SMIRNOFF FEZ A FESTA!!! Vida Longa!