Organizadores do
Amsterdam Dance Event celebraram a 15ª edição de sua conferência anual de dance music como a mais bem-sucedida até hoje, com público estimado em mais de 110.000 pessoas e 2.500 participantes da indústria musical de várias partes do mundo.
O evento híbrido inclui festas e apresentações especiais nos 44 clubs parceiros em toda Amsterdam a cada noite, e uma programação diurna com paineis e entrevistas com nomes célebres do mercado como
Pedro Winter,
Jeff Mills e Roger Sanchez.

Winter, que foi hilário ao falar de discotecagem em roupas peludas de dragão e outras fantasias animais, também tocou nas festas dos clubs Boynoize e Melkweg, antes de voar para sua estreia no Berghain berlinense.
"Eu fiquei impressionado, mesmo. Eu conhecia a ADE, claro, mas nunca tinha estado no evento", disse ele. "É muito vom conhecer pessoas com quem você está sempre lidando por email ou telefone e gosto dessa mistura de conferência e festa. Eu acho que as pessoas precisam conhecer umas as outras no mundo real. A vida digital é divertida, mas não tem nada melhor do que falar com alguém que está na sua frente. Talvez o negócio da música eletrônica seja humano, afinal [NE:
human, after all]".
Ele também esteve no painel "Gêneros em Desintegração" junto com o colega Dubfire, do Deep Dish.
"A dance music está indo muito bem, mas não é novidade. A novidade é o fato de que as barreiras dentro da música eletrônica estão caindo", continua Pedro. "Eu gostei de sentar e conversar com o Dubfire, por exemplo. Foi uma boa idéia, nos colocar juntos, perceber que nós temos a mesma paixão por música eletrônica. A guerra do minimal/maximal está lá atrás. Eu acabei de tocar no Berghain em Berlim: quem poderia imaginar a
Ed Banger dentro do templo da música eletrônica?", riu. "E quando eu estava lá eu não toquei nenhuma música de que eu não gosto. Eu apenas trabalhei um pouco mais para encontrar o som que caberia nesse club e combinasse com meus sentimentos. E parece que deu certo: me pediram para tocar mais. E mais. Eu sai do som às nove da manhã!".
O produtor Nick Muir, do selo Bedrock de John Digweed, também esteve no ADE pela primeira vez, falando no painel "Acidentes Felizes", sobre técnicas de composição junto com os pioneiros da house music Pierre e Spanky, que demonstraram como eles usaram a Roland 303 para, quase sem querer, inventar a acid house.
"A conferência estava pegando fogo, com muitos personagens brilhantes, fóruns interessantes e ótimas música", disse Nick. "Ver Chris Frantz e Tina Weymouth, do Tom Tom Club, sendo entrevistados foi ótimo, quantas histórias eles têm para contar. E dividir um painel com DJ Pierre e Arthur Baker foi nada menos que uma honra", disse.
"Apesar das ótimas festas que a ADE oferece, eu acho que o evento consegue manter uma atmosfera direcionada aos negócios. Muita gente vem aqui para ver o que está acontecendo desse lado das coisas, porque estão genuinamente interessados em tornar isso um negócio viável. Isso é importante. Sem isso nós não conseguiremos manter os standards com que estamos acostumados".
"É legal pensar que você pode ficar chapado em Amsterdam sem a polícia aparecer para te tratar como um criminoso", continua Nick, "mas dessa vez eu fiquei na cerveja e queijo Gouda".
Apesar da percepção de Nick da polícia local, um batalhão nada amigável entrou na festa Future Sound of Brasil no Home Club na noite de sexta-feira e parou a música enquanto policiais revistavam as pessoas em busca de "armas e drogas". Representantes do Exit Festival e a DJ Claudia Cazacu estavam entre os que foram agressivamente abordados durante a ação, que durou quinze minutos. Os policiais foram embora sem encontrar nada.
Lembrando do melhor da ADE 2010 estava o DJ Pierre, inventor da acid house, que ficou encantado ao conhecer seus heróis do Tom Tom Club no hotel e também o produtor Arthur Baker - que ele sempre pensou que fosse negro.
"Esse foi o melhor ano de todos", Pierre disse. "Fiz alguns contatos incríveis, os paineis foram ótimos e as festas estavam lotadas. Esse é o melhor lugar para conhecer pessoas e mostrar meu selo, o Afro Acid. O mundo deveria reconhecer o ADE como a conferência com o melhor mix de música, negócios e eventos".
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