Stone Roses - The Stone Roses
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ficha técnica
Nota: 4.5 / 5
Ano: 1989
Selo: Silvertone
Estilos: rock, indie, brit,90s
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Stone Roses - The Stone Roses
27.10.10 18:15
Ouvi pela primeira vez os Stone Roses em uma fita cassete emprestada por um amigo, em algum dia ensolarado entre 1990/91. A fita em questão tinha também Charlatans, Happy Mondays, James, Inspiral Carpets e outras bandas que não me recordo agora - afinal faz muito tempo. Mas não esqueço do impacto causado por "I Wanna Be Adored" e "Elephant Stone" em minha vida.



Na época não se ouvia aqui no Brasil nada sobre ecstasy - a não ser talvez quando os Mondays vieram tocar no Rock in Rio - o Haçienda ou raves, e Manchester era (era?) para a grande maioria dos brasileiros apenas a cidade do Manchester United. Mas mesmo assim os álbuns de lá eram lançados por aqui, e por isso consegui minha cópia do famigerado disco das laranjas, que até hoje está comigo.

Desembrulhar o pacote, tirar a bolacha, colocá-la para rodar sob a agulha na vitrola e ouvir os primeiros acordes de "I Wanna Be Adored" me parecem hoje ter servido como uma iniciação a algo maior, arrebatador. Inexplicável.

Stone Roses


Se agora sei que a banda já existia desde 1985 e que foram aos poucos - e principalmente com a entrada do baixista Mani - evoluindo de algo próximo do pós-punk para o que é The Stone Roses (o álbum), ainda não descobri a fórmula que Ian Brown (vocal), John Squire (guitarra), Remi (bateria, vocal) e o já citado Gary Mounfield (o Mani) utilizaram. E acho que nem eles.



O álbum traz uma mistura dosada em partes desiguais mas quimicamente balanceada entre as guitarras do pop rock inglês dos anos 60 e toda a cultura ligada ao acid house que explodiu na cabeça das conservadoras famílias inglesas à partir da segunda metade da década de 80. A guitarra clássica e cheia de efeitos de Squire e a cozinha funkeada formada por Remi e Mani criam um groove efervescente com altos teores de psicodelia. Mesmo quando é roqueiro, The Stone Roses chama para o baile; e mesmo quando é mais dançante, é nitidamente tocado por uma banda de rock. À frente dessa banda, um malemolente Ian Brown de olhos arregalados sacode os braços e canta com um ar insolente, de um jeito que mais tarde faria escola (alguém disse Liam Gallagher?).
No meio da bagunça regada à beats e ecstasy que foi o Madchester, os Stone Roses - apesar de entusiastas da dance music - nunca foram como os Mondays nem muito menos como o 808 State, por exemplo. Em seu álbum de estreia, as batidas dançantes e outros fragmentos eletrônicos servem mais como aditivos para o pop perfeito tocado pelo quarteto que como força motriz. Mas mesmo assim permeiam quase todas as 11 faixas da versão inglesa do disco (ou 13 da versão americana) e explodem definitivamente no surpreendente final de "I Am The Resurrection" e em "Fool's Gold", um dos hinos do segundo verão do amor e antena que captou como poucas o espírito meio hippie, meio raver da época.

Quando é puramente roqueiro - como em "Bye Bye Badman", "This Is The One" e "Made Of Stone" - o álbum soa deliciosamente melódico e harmônico aos ouvidos, trazendo para 1989 e modernizando o legado de Beatles e cia.



A New Musical Express o elegeu (em 2003 e 2006) como melhor álbum de todos os tempos e melhor álbum britânico de todos os tempos, respectivamente; o jornal The Observer também o listou como melhor álbum britânico de sempre. E hoje, 21 anos após seu lançamento, The Stone Roses permanece atual e segue influenciando as novas gerações de roqueiros que continuam a beber da fonte baggy, que pelo visto não secará tão cedo.

Stone Roses


Ian Brown: o ex-vocalista dos Stone Roses segue com uma prolífica e irregular carreira solo

Após o final dos Roses, em 1996, cada membro da banda seguiu uma trilha diferente. O guitarrista John Squire montou o Seahorses e depois foi tocar com o The Shinning, além de ter lançado dois discos solo; Mani foi tocar com o Primal Scream, onde está até hoje; Remi sumiu da face da terra e Ian Brown desde 1998 vem gravando e lançando discos, mantendo uma estável carreira solo. Seu último disco, My Way, saiu ano passado pela Polydor e assim como seus outros cinco trabalhos autorais não segue a cartilha de sua ex-banda, alternando boas canções e momentos pobres.

Com várias influências em seu DNA, My Way - com uma capa ridícula - catalisa tudo de bom e ruim que Brown vem fazendo desde os bons discos Golden Greats (1999) e Music Of The Spheres (2001) até o fraco The World Is Yours (2007).

Um pouco de eletrônica (em "Marathon Man"), outro de soul music ("So High") e uma bela cover dos psicodélicos Zager & Evans ("In The Year 2525") são os destaques do álbum. Digno de nota também é o fato de Brown ser o único membro do Stone Roses contra o retorno da banda, que já foi pedido para shows em festivais como o Coachella. Ele diz que não faz sentido.
MP3
Flash Content
Stone Roses - I am the resurrection (mp3)

Flash Content
The Stone Roses - Elephant Stone (mp3)

Flash Content
The Stone Roses - Fools Gold (mp3)


Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
comentários
4 comentários
$pacebo$$a
$pacebo$$a(23.01.11)
1AprovadoQueima
Eu amo com toda força os Stone Roses e a música deles mudaram minha vida até hoje tenho guitarras semi acúsiticas pintadas por mim com manchas de tintas como a do John Squire e a múysica e efeitos na voz entraram na minha música e é muito bom ler um texto que me faz lembrar exatamente o ponto chave onde a música mudou vc só esqueceu de dizer que quem produziu o disco foi o Peter Hoork baixista do New Order heheeheh em fim muita paz pra ti ! Parabéns pelo texto ! Só o RRAURL para proporcionar essa alegria em mim .Grato !
Wild Robson ;)
Luiz
Luiz(04.11.10)
1AprovadoQueima
Fábio, sempre lembrando sons antigos que soam atuais ainda hoje. Ótimo esse disco, marcou época,....deu vontade de escutar, assim como a dica do Joy Division...abs
Angelo
Angelo(28.10.10)
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Adorão!
Evandro Rozentalski
1AprovadoQueima
É um album fantástico mesmo,
quando escutei pela primeira vez "I Wanna be adored" eu fiquei hipnotizado,
a introduçao é surreal, os instrumentos vão aos poucos aparecendo, primeiro baixo, depois guitarra, e por fim a bateria, todo o desenrolar ocorrendo de forma magistral!
Eu conheci a banda a pouco tempo, infelizmente, graças ao documentário "Seven Ages of Rock" da BBC ( o último episódio). Fiquei maravilhado com o som dos caras e me questionava, "como eu não conhecia isso?".
De qualquer forma, depois disso, a justiça foi feita, e hoje escuto muito o álbum referido!