Kings of Leon - Come Around Sundown
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ficha técnica

Ano: 2010
Estilos: rock, pop, country, blues
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Kings of Leon - Come Around Sundown
18.10.10 11:25
A trajetória do Kings of Leon é peculiar: os irmãos Caleb, Nathan e Jared Followill, ao lado do primo Matthew, resolveram formar uma banda em 1999 em sua cidadezinha natal, Tennessee. Em 2003 lançaram seu primeiro álbum, Youth and Young Manhood, elogiado pela crítica especializada (a NME chegou a cravar que este é um dos melhores álbuns de estreia dos últimos dez anos) e que abriu caminho para o rock alternativo, sulista e influenciado pelo punk que o grupo queria fazer.

O tempo passou, e o Kings of Leon lançou mais dois álbuns: Aha Shake Heartbreak, de 2004, e Because of The Times, de 2007. Ambos foram elogiados pela crítica e venderam bem - Because of The Times, aliás, foi tão bem recebido que foi definido como a prova final de que o Kings of Leon não era fogo de palha e estava pronto para dominar o mundo.

E foi aí que o novo porta-voz do "indie-rock", ironicamente, virou as costas para sua identidade alternativa e abraçou sem medo um dos elementos que sempre havia ficado nas sombras em seus álbuns: a farofa. Várias músicas de seus primeiros álbuns, como "On Call", "Slow Night, So Long" e "Knocked Up" prenunciava que o Kings of Leon tinha tudo para apostar no clichê (melodias chorosas com a mesma base, guitarras burocráticas e vocal sempre no mesmo tom), mas um toque de malícia, de cinismo e uma sonoridade mais suja evitavam que o grupo se transformasse em mais uma bandinha repetitiva que só sonha em atingir as paradas musicais.

Com o lançamento de Only By The Night, de 2008, tudo isso mudou. O Kings of Leon deixou de ser a banda queridinha da NME para se tornar a arrasa quarteirões das paradas da Billboard - e no mundo da música independente, não existe traição mais criminosa. No lugar da sonoridade mais suja e pesada, letras em clima de desilusão e cinismo ("Slow Night, So Long") e músicas que combinavam o background rural da banda com influências alternativas, o Kings of Leon apostou em melodias grudentas e hits radiofônicos como "Use Somebody", "Sex on Fire" e "Crawl".

Pode ter sido uma decepção para os antigos fãs da banda, mas uma coisa é certa: o bolso da família Followill nunca esteve tão feliz quanto após o lançamento do álbum, que vendeu mais de 6 milhões de cópias. Com hits feitos para as multidões e refrões pensados para grandes arenas, o Kings of Leon havia conseguido a fama, o dinheiro e muitos novos fãs.

E foi aí que veio a insatisfação: o grupo se revoltou com sua recém-adquirida imagem mainstream, afirmou que seus novos fãs "não eram nem de longe o que queriam" e entrou em uma gravde crise de identidade. O que fazer para se livrar da alcunha de "vendidos"? Como é altamente improvável (e ingênuo) imaginar que o Kings of Leon tenha de fato se arrependido do novo rumo de sua carreira - ou alguém jogou os cheques fora e foi para o exílio? -, o que parece ter acontecido com os irmãos Followill é uma indefinição a respeito do futuro: como conciliar essa fase farofa com uma nova sonoridade?

O resultado desse embate é o álbum Come Around Sundown, recém-lançado e já alvo de polêmica por parte dos fãs da banda e da crítica especializada. É fácil identificar o paradoxo deste novo trabalho do Kings of Leon: a banda lutou para deixar para trás sua imagem farofa, mas não ofereceu no lugar uma sonoridade consistente e madura o suficiente para convencer alguém.

Falando sobre seu novo trabalho, o Kings of Leon chegou a afirmar que havia "sabotado de propósito" suas novas músicas, que poderiam ter ficado muito mais pop e cantaroláveis. É visível que esse desconforto gerou muita confusão no processo de composição de Come Around Sundown, e o resultado é uma indefinição que impede que tanto os fãs antigos quanto os mais recentes se identifiquem com as músicas novas.

O início de Come Around Sundown é extremamente significativo ao mostrar como a banda está hesitando em sua sonoridade. A primeira música, The End, traz uma melodia com ares grandiosos propositalmente contidos, como se Caleb Followill quisesse gritar, abrir os braços e assumir de vez a pose de guitar hero em frente a uma multidão extasiada, mas decidisse se conter para não fazer papel de bobo. Depois de explorá-lo ao máximo, o Kings of Leon tem medo do clichê, tem medo da megalomania, mas acaba caindo na própria armadilha sem nem perceber.

O primeiro single do álbum, "Radioactive", estreou no site oficial da banda ao lado de seu videoclipe, que motra o Kings of Leon em meio ao que parece ser uma vila em uma cidade africana. A presença da banda ali é tão deslocada que é difícil entender quais as intenções do vídeo - mas acabou sendo o retrato perfeito de uma banda em busca de uma identidade que não sabe se existe de fato.



O álbum continua com "Pyro", que evidencia a escolha da banda por uma sonoridade mais crua, evitando o abuso de elementos eletrônicos de "Only By The" Night. O refrão é contagiante, mas a animação da música nunca chega nem perto à entrega completa de hits como "Use Somebody".



Em "Mary", o grupo resgata alguns elementos de seu passado com uma pegada mais country, mas novamente o resultado é abaixo do esperado. A mesma coisa acontece com outra música, "Back Down South". O Kings of Leon não consegue provocar nenhuma emoção genuína com Come Around Sundown, mesmo com algumas boas melodias e muito esforço.



O irônico é que mesmo depois da banda afirmar que odeia seus hits e não suporta mais ver a plateia pedir só por "Use Somebody" e "Sex on Fire", em apenas uma audição de Only By The Night é possível perceber que havia alguma verdade ali. O Kings of Leon parecia à vontade, relaxado e inspirado em suas músicas mais pop, como se a banda tivesse de fato se divertido e encontrado ali um espaço para abrir os braços e abraçar grandes arenas sem culpa e sem medo de ser brega. Em Come Around Sundown, é possível ver tudo, menos diversão. É como se a banda estivesse entediada, fazendo música por obrigação. A paixão, essa se foi junto com a farofa.



O público brasileiro pôde testemunhar esses paradoxos na apresentação que a banda fez no festival SWU no dia 10 de outubro. Foi triste ver o Kings of Leon com uma turnê nova e um repertório completamente retrabalhado em frente a uma plateia que só se animou com seus hits. A banda sentiu na pele que Come Around Sundown não resolveu nenhum problema, ajudando apenas a trazer ainda mais indefinição para a identidade do Kings of Leon.

OK, os irmãos Followill querem deixar os hits mainstream no passado. Mas pelo jeito ainda não descobriram qual é o próximo passo.

Stefanie Gaspar
Stefanie Gaspar
comentários
3 comentários
Carlinhos
Carlinhos (28.10.10)
1AprovadoQueima
Tem boas palhetadas, uns tecladinhos mais salientes e muitas linhas de baixo bem fluídas. Mas a voz do Caleb me dá no saco. Acho insuportável. "Beach Side" é bacana.

Não, eu também não entendi "Mi Amigo".
Quando vejo críticas como essas, parece q todas as bandas que lançam um cd novo, na verdade estão numa olimpiada, vence o q tem som mais inusitado, oq criou algo quem jamais criou, para aí sim ser elogiado. Esquecem, q não se trata de olimpíada e sim de algo chamado música. Padece, o KOL, do mesmo mal que Radiohead após o OK Computer, basta ler as criticas dos cds pós-ok, os críticos parecem nunca estarem satisfeitos pois sempre estão esperando algo inovador, q supere, perdem tempo com comparações vazias e esquecem de analisar o q está em suas mãos e passam batido muita coisa, música de qualidade. Toda banda de sucesso é fato tem uma obra-prima, e o quem vem em seguida é um re-invenção em si mesmo, nunca , perdendo a qualidade ou a coerência. KOL passa por esse processo em 7 anos o q outras bandas levam mais de 10. Creio que o problema foi a proximidade dos albuns, desde q saiu OBTN(2008) + 2 anos em turnê emendou com Come Around, Tóxicolpara a banda e publico se desapegar do q passou.
Fabio Spavieri
Fabio Spavieri(18.10.10)
0AprovadoQueima
Vou ouvir o álbum novo, mas gostei da análise.