Sunn O))) & Boris - Altar
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ficha técnica
Nota: 4 / 5
Ano: 2006
Selo: Southern Lord
Estilos: seita do zumbido
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Sunn O))) & Boris - Altar
Noise, psicodelia, punk , minimalismo, força e experimentalismo
05.10.10 10:30
ATENÇÃO! É muito necessário o uso de um bom fone de ouvido - ou soundsystem com o volume muito alto - para poder apreciar o disco adequadamente.
Peso, massa e volume são palavras tão usadas no meio musical, que às vezes até passa despercebida sua origem científica. Mas em uma apresentação do Sunn O))) (como a que vimos no último ATP NY) estes termos ganham significado real; é quase um experimento com as propriedades físicas do som.
 
A dupla formada por Stephen O'Malley e Greg Anderson em 1998 tem como característica principal o uso de muita distorção e baixas frequências assustadoras, sempre tocadas em velocidade extremamente lenta. Com mais de dez álbuns lançados, não utilizam baterias em muitos deles.
 
O trio japonês Boris também costuma tocar com o pitch bem lento e é normalmente classificado como doom, mas tem uma gama de influências mais ampla. Noise, psicodelia, punk , minimalismo... tudo misturado, tocado com força e experimentalismo.
 
O álbum Altar é uma peça singular, colaboração no sentido completo mais do termo. As bandas se fundem e criam um som diferente do que fazem normalmente. Mas é fácil saber quem é quem. Também é preciso destacar alguns importantes participantes no projeto, como Joe Preston (Melvins, High on Fire), Kim Thayil (Soundgarden) e Dylan Carson (Earth), entre outros.

Altar começa com a introdução poderosa de "Etna", onde a estética da baixa velocidade somada à força desencadeada pelas guitarras, baixo, eletrônicos e bateria conduz a um clima sombrio. Em seguida vem "N.L.T.", como que para depurar os ouvidos. A faixa é o que se poderia chamar de nodrum'n'bass. No caso, são somente o contrabaixo de Bill Herzog, acompanhado do provável fugitivo de hospício, Atsuo, "apenas" no cimbal e gongo.


 
Depois temos "The Sinking Belle (Blue Sheep)". Atenção aqui, a música é completamente alheia a qualquer composição de ambas as bandas, mas tem uma personalidade tão marcante que soa como uma nova música de uma velha banda folk. Destaque para a guitarra e space echo de Wata e para o lindo vocal de Jesse Sykes. Sem dúvida uma das mais belas (e menos notadas) faixas daquele 2006. E é claro que os fãs mais hardcore odeiam.


 
O clima, que já era cinematográfico, ganha alta dose de drama em "Akuma No Kuma" ("urso do mal" em japonês), abrindo a segunda parte do disco.



Sem guitarras ou baixo e com Joe Preston num vocoder do capeta, a banda constrói, com compassos espaçados e consistentes, uma cena sinistra. Contribuem para o desastre, uma massa de eletrônicos, com destaque para outro quase membro, Tod Nieuwenhuizen, tocando um lendário sintetizador Oberheim. A certa altura um trombone meio fora de afinação, parece anunciar que algo aterrorizante está se passando. O tom é ritualístico.

Em seguida, mais duas faixas sem bateria. Impossível não usar a palavra pesadelo para descrever "Fried Eagle Mind". O suave vocal de Wata mais guitarras e efeitos nos conduzem a este delírio onírico. A última faixa é um longo epílogo de 14:46 de puro drone. Camadas e camadas de zumbido encerram a cerimônia.


 
A versão em vinil triplo tem ainda "Her Lips Were Wet With Venom" como prelúdio. A faixa também é chamada de "Satan Oscillate My Metallic Sonatas" - mesmo nome de um EP do Soundgarden. O título da música é um palíndromo, aquelas palavras ou frases que se lêem iguais de trás para frente. Assim, um a um a partir de O'Maley, os participantes vão entrando até chegar na guitarra country (!) de Carson, que dobra solando e sai. E assim vão, um por um se retirando formando um palíndromo noise do tinhoso. Ou, como Kim Thayil (que não participa desta faixa) escreve no bom texto do álbum, um palindrone!

Laerte
Laerte
comentários
2 comentários
 Markan
Markan (05.10.10)
2AprovadoQueima
Música como Coisa.
Jade Augusto Gola
Não dá mesmo pra ouvir no fone branquinho do iPod...