Produtores do cast da Ghostly assinam versões para novo single do trio.
Na quinta passada (16), o trio nova-iorquino
School of Seven Bells faturou o prêmio de Aposta Internacional na
festa do VMB promovida pela MTV. Dois dias antes, a banda formada por Benjamin Curtis (teclados e programação), Alejandra e Claudia Deheza (vocais) lançou o mais recente single do álbum
Disconnect from Desire, para a música "Heart Is Strange". No pacote, além da faixa-título, um remix do produtor alemão
Pantha du Prince mais versões para "ILU" e "Dust Devil", assinadas pelos americanos Phantogram e White Sea, respectivamente.
Para quem não lembra, "Heart Is Strange" resume o rótulo dream-pop, usado para descrever a sonoridade do School of Seven Bells. Ela começa com teclados radiofônicos e uma linha de baixo dançante. Guitarras chegam na sequência para completar o arranjo acessível. Mas esta não é mais uma canção de FM: instrumentos e vozes vêm carregados num eco moroso, como se deles emanasse um fogo fátuo.
Na versão criada por Pantha du Prince, ficaram apenas os versos cantados pelas gêmeas. Todo o resto deu espaço a um techno sombrio e rico em camadas de percussão digital. Borbulhas e estouros se transformam em bumbo e chimbau. Ao fundo, uma linha monocórdica de sintetizador dá unidade aos inúmeros loops e barulhinhos eletrônicos que surgem sem aviso. Seguem-se sete minutos e meio de um exercício repetitivo (e sofisticado) de soma e subtração.
Samples abstratas também aparecem no remix de "ILU" assinado pelo Phantogram - nome do projeto shoegazer formado pela dupla nova-iorquina Josh Carter (guitarra) e Sarah Barthel (teclados). Ouve-se ao fundo ruídos que lembram o de insetos chiando num gramado. Grilos que cantam, sapos coaxando... Num instante, a melodia se embaralha e acaba rendida a um fluxo seco de ruído e estática.
Numa excelente versão produzida pelo projeto White Sea da cantora e compositora californiana Morgan Kibby (ela colaborou e excursionou com o francês
M83), "Dust Devil" encerra o pacote. A música se coloca mais próxima da original, por manter um tanto do ritmo dançante antes de se entregar (no ultimo minuto) a uma levada entorpecida, quase dub. Se a carga de espacialidade e abstração do School of Seven Bells não lhe bastar, eis um disco que torna ainda mais abstrata a viagem do trio.