Fiquei muito empolgado e curioso quando vi cartazes anunciando o show do Atari Teenage Riot aqui em Viena, no Szene, no último dia 14. Não sabia que eles tinham retomado a banda, que sempre admirei; talvez mais pela performance, conceito e atitude do que pela musicalidade. Mas fiquei me perguntando qual seria a então formação da banda e porque o que parecia ter sido enterrado durante o final da década de 90 estava de volta em 2010.
Ao correr atrás do meu ingresso descobri que no começo do ano foram anunciadas algumas datas especiais pela Europa. A primeira em maio, em Londres. De lá pra cá foram cerca de quinze apresentações, sendo duas em Tokio onde a banda é bastante popular. Atualmente a turnê já tem mais de trinta outras datas agendadas. No fim do mês eles embarcam para os USA.
A volta foi motivada pelo contato da vocalista Hanin Elias com o mentor Alec Empire, que resolveram se juntar para algumas gigs. O problema foi que Elias, com dificuldades na voz, sequer subiu aos palcos com o ATR. A formação atual conta com Alec, Nic Endo, e novo MC CX Kidtronic (que tem uns trabalhos com o NIN e o Kanye West no currículo).
No começo de 2000, depois de exaustivas turnês, a banda interrompeu atividades extra-oficialmente. Hanin Elias deixou os palcos para cuidar da vida pessoal enquanto Alec e Nic Endo continuaram a trabalhar juntos no próprio selo, o Digital Hardcore. Em setembro de 2001 veio a devastadora notícia da morte de Carl Crack, por overdose. Parecia o fim definitivo do ATR.
Vale lembrar também da tour do ATR pelo Brasil no começo de 1998, marcada por um episódio com Elias: ao tentar um stage dive ela foi agarrada pelas pernas por um segurança e, revoltada, deu com o microfone na testa dele. O resultado foram alguns pontos na cabeça do segurança e um processo nas costas de Elias. Me lembro que estava viajando, e quando voltei pro Rio uns amigos comentavam com excitação sobre o show. Fiquei com aquele vazio por dentro, mas de certa forma isso foi compensado agora.
Mas estamos em 2010 e, em uma noite fria e chuvosa em Viena, rumei para o Szene. Trata-se de um espaço excelente para apresentações desse porte: tem soundsystem poderoso, piso levemente inclinado que permite boa visão do palco e comporta cerca de mil pessoas com conforto. Fora da área de shows existe um amplo bar com mesas e drinks baratos, e ainda uma área externa.
O show começou pontualmente às 21h30, e para minha surpresa teve quase duas horas de duração. A primeira música foi "Activate", a única faixa nova da banda, lançado em março, que você pode ouvir abaixo. Tudo bem morno no início, mas Alec e seus comparsas trataram de aquecer o povo. Logo de cara ele e Kidtronic desceram do palco e começaram a empurrar o público. Pronto, o motim estava formado.
Logo na segunda música, Kidtronic já subia nas estruturas metálicas ao lado do palco, para desespero dos responsáveis pela casa, que tentavam tirá-lo de lá de qualquer maneira. Daí pra frente foi só alegria, empolgação, e aquela confusão saudável, como tem que ser. Não demorou para que todos os clássicos marcassem presença, inclusive "Sick to Death", para delírio geral.
O setlist foi bem pensado, variando as batidas mais aceleradas com beats mais quebrados, naquela onda meio jungle, se mantendo equilibrado ao distribuir as músicas mais conhecidas. Sem nenhuma novidade, todas as faixas reproduziram a sonoridade esperada do ATR. Muita luz e tudo muito furioso, uma pancada sonora atrás da outra. Destaque para a homônima "Atari Teenage Riot", e "Get Up While You Can" que ainda soam atuais.
Conversa, só na hora do bis. Algumas poucas palavras de Alec em alemão que bem-humorado, brincou com uma bexiga jogada pela platéia, agradeceu o público presente, e perguntou se todos estavam gostando. O final foi avassalador, com a dobradinha "Revolution Action" e "Start the Riot" mostrando o peso e a importância da banda num atual cenário musical sem graça e pouco original. Tudo bem, não é a formação clássica do ATR, mas deu pra ir pra casa de cabeça feita.
setlist
Activate Into the Death No Remorse Destroy Two Thousand Years of Culture Sick to Death Deutschland Has Gotta Die Atari Teenage Riot Fuck All No Success Midijunkies Get Up While You Can Too Dead for Me / US Fade Out Speed Not your business Ghost chase Revolution action Start the Riot