Lauryn Hill recria repertório e aposta no rock em show em São Paulo
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Ano: 2010
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Lauryn Hill recria repertório e aposta no rock em show em São Paulo
09.09.10 11:35
O esperado show de Lauryn Hill em São Paulo foi sobre expectativas, muito mais do que resultados. Explico: desde que a apresentação foi anunciada, os fãs se dividem entre recordar do fiasco que foi o show anterior da cantora no Brasil em 2007 e pensar no que aconteceu com a voz e o talento de Lauryn após um hiato de muitos anos longe da música, ou esperar por um ressurgimento arrasador e inesperado.

Quando a artista em questão é alguém como Lauryn Hill, é difícil conseguir escolher entre um destes dois extremos - afinal, embora seu currículo invejável (que conta com o sucesso de sua passagem pelo Fugees e o lançamento de seu elogiadíssimo álbum solo, The Miseducation of Lauryn Hill) aponte para a esperança por um show incrível, a imprevisibilidade, o temperamento genioso, a ausência de músicas inéditas e o afastamento prolongado do mundo da música trazem o perigo para muito, muito perto.

E o que se viu no Credicard Hall na noite desta terça (7) foi um misto entre estas duas expectativas tão diferentes, mas que hoje formam de maneira intrínseca a personalidade dúbia, complexa e difícil de definir de Lauryn Hill - uma persona que se situa entre a decadência e o brilho, o caricato e o surpreendente. Assistir ao show atual da cantora é lamentar pelo passado e enxergar a beira do abismo, mas sabendo que essa decadência pode ser efêmera e ser superada sem nenhum aviso prévio.

Após um atraso de mais de duas horas - péssimo começo para qualquer show -, a cantora subiu ao palco com o coro de Lost Ones, primeira faixa de seu álbum solo. E foi aí que os fãs da cantora, já confusos com tanta expectativa e ansiedade, sentiram mais um golpe: a percepção de que todos os arranjos originais das músicas foram modificados. As bases calcadas no hip-hop deram lugar a uma pegada roqueira, que contrastava de maneira estranha com o vocal falado de Lauryn Hill.

Artistas que nunca remodelam seu repertório costumam ser abandonados no passado e deixados de lado sem misericórdia. Lauryn é inteligente e experiente o suficiente para saber dessa regra básica de sobrevivência, e fez as modificações que achou pertinentes para que a energia de seus shows não se perdesse. Mais do que isso, a cantora está consciente da passagem do tempo - sua antes poderosa voz hoje está mais fraca, sem potência, e continuar cantando as músicas com o mesmo tom das versões clássicas não seria uma boa ideia. Por isso, a escolha por uma pegada roqueira e o abandono das bases mais grooveadas do hip-hop e do R&B é uma decisão consciente e até sábia, embora não tenha conseguido alcançar o resultado esperado.

O público não se animou durante grande parte do show, que além de irregular - em alguns momentos, até versões novas de clássicos antes consagrados não arrancaram aplausos do público, caso de To Zion - foi bastante cansativo, já que a cantora estendeu de maneira exagerada a duração de várias músicas.

Uma coisa é inegável: Lauryn Hill continua com uma presença de palco poderosa. A energia da cantora durante todo o show foi contagiante, mesmo que tenha exagerado em artifícios como repetir "São Paulo!" incessantemente no meio das canções.
Infelizmente, Lauryn Hill teve um grande inimigo durante toda a noite: o som da casa, que estava muito ruim. Não é exagero dizer que o show sofreu com um dos piores ajustes que o Credicard Hall ofereceu nas apresentações deste ano, já que o som estava alto além do necessário, extremamente embolado e os microfones não estavam funcionando de maneira correta. Muitos dos erros vieram do próprio técnico de som da cantora, que provavelmente teve problemas para operar a mesa, mas a acústica da casa não privilegiou o show em nenhum momento.

É muito difícil cravar um julgamento exato sobre o futuro de Lauryn Hill. O misterioso novo álbum da cantora (ela não lança nada inédito desde um MTV Unplugged, de 2002) ainda permanece um incógnita, e suas apresentações são sempre esparsas e erráticas. O que é possível apontar é que sua segurança no palco e a capacidade de superar seus próprios obstáculos são elementos que a acompanham por todos os momentos, até nos mais difíceis. O talento não abandonou Ms. Lauryn Hill. Se ela vai dar as costas a ele ou não, aí a história é outra.

Setlist
Lost Ones
When It Hurts So Bad
Ex-Factor
Zimbabwe (cover de Bob Marley)
To Zion
War In The Mind
Forgive Them Father
How Many Mics
I Only Have Eyes For You
Zealots
Fu-Gee-La
Ready or Not
Killing Me Softly
Turn Your Lights Down Low
Doo-Wop

foto: UOL

Stefanie Gaspar
Stefanie Gaspar
comentários
4 comentários
Lucas D'Aloia
Lucas D'Aloia(13.09.10)
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Perdi o show de 2007 então eu estava sonhando com o show desse ano .... é complicado mesmo falar do show ... pq ao mesmo tempo que tinha toda a emoção de finalmente ver um show da Lauryn ... ficou aquele desapontamento de ver que ela ja não é mais a mesma. Mesmo não sendo perfeito é um show que vai ficar na minha memória pra sempre ...
Luiz
Luiz(10.09.10)
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vi em SP em 2007, realmente deixou a desejar. É uma pena que tenha acontecido de novo.... Lendo essa resenha me senti assistindo ao show. E por incrível que pareça, o set list é bom!
João F.
João F.(10.09.10)
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Foi mto ruim no rio em 2007. Já era de se esperar q dessa vez não fosse legal.
Bela resenha.
Bernardo Martinelli
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no rio foi palha, dinheiro jogado no lixo