L.E.D. Festival (Londres, 27-28/ago)
Die Antwoord: ZEF SIDE!
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ficha técnica
Nota: 4.2 / 5
Ano: 2010
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L.E.D. Festival (Londres, 27-28/ago)
29.08.10 19:25
L.E.D. Festival (Londres, 27-28/ago)
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L.E.D. Festival (Londres, 27-28/ago)
Festival eletrônico estreia em Londres com boa fusão entre mainstream e underground
31.08.10 12:40
Numa iniciativa ousada, nasceu neste último fim de semana o primeiro London Electronic Dance Festival, capitaneado pelas produtoras Cream (megalabel de festivais), Goldenvoice (do Coachella), e Loud Sound. Com datas marcadas para a sexta e o sábado do feriado bancário do fim de verão, o evento competiria com as férias escolares, e outros eventos estabelecidos como o Creamfields UK, o manjado SW4 e o tradicional Reading/Leeds.

Realizado na bonita área aberta do Victoria`s Park (East London), o L.E.D. foi essencialmente um sucesso, mas com algumas críticas a serem pontuadas: o cancelamento de última horas de alguns acts como Ocelot e Swedish House Mafia; a chuva que ia e voltava no sábado e, principalmente, o baixo volume do palco principal (LED Stage) e da tenda, que devem ter tido que conviver pacificamente com a populosa região residencial entorno do parque.

SEXTA-FEIRA: O VALOR DE UM BOM DJ
Outra grande crítica que surgiu de ante-mão foi a ausência de um cronograma de horário das atrações, que só foi divulgado na porta do primeiro dia. Justamente com os cancelamentos encavalados na sexta, quem tinha a tabela de horários se perdeu, e o único set time correto foi o entregue à imprensa. Quando chegamos as primeiras atrações eram Afrojack, que cornetava a inglesada no LED Stage com bombação do tal crack house, e Boy 8-Bit na arena do selo Planet Turbo (de Tiga), que mando uma seleção bem madura e de bom gosto de neo-disco, prog e calmaria baleárica.

*Perdemos as seguintes apresentações ao longo do festival, que começava às 13h e acabava às 23h: Professor Green, Audio Bullys, Zinc e Thomas Von Party & Matt Walsh :( :(

A primeira grande atração a aparecer foi Calvin Harris, que, para dúvida geral do público, apresentou um DJ set, e não o seu animado e competente show com banda. Calvin é bom DJ, animado e arrisca um pouco mais na mixagem do que o efetivo corte seco com músicas bombantes. Hits de sua carreira de 2 álbuns surgiam picotados em espécies de mash-ups com house, techno, crack house e até funk carioca (rolou uma "bota o dedinho pro altooooo!"). Foi gostoso quando ele misturou "Ready for the Weekend" com Vengaboys (!!!), mas ele podia ter deixado os refrões completos de "Girls" e, principalmente, da emotiva "Flashback".

Calvin Harris, cheio de carisma, é um bom DJ
Calvin Harris, cheio de carisma, é um bom DJ


Na tenda, o Zombie Nation não animou muito com seu electro sub-Vitalic cheio de pausas e cortes no ápice da empolgação. Depois, a dupla Azari & III confirmou-se como um flop no evento. Quem esperava vocalistas para os hits "Hungry for the Power" ou "Reckless with your Love" se decepcionou, já que a dupla é um careca e um cabeludo cheio de pose que não se decidem bem entre tocar electro, techno farofento ou house music que não empolga uma tenda de festival de dia. Talvez funcione num clube.

Os shows da noite foram os belgas do Soulwax, mostrando o carisma dos irmãos Dewaele e o poderio de faixas como "E Talking" após cinco anos (fora o baterista, que eu quero para a minha banda!); outro live foi o encerramento da tenda Planet Turbo com o Bloody Beetroots Death Crew, uma espécie de opereta electro-metal feito pelo grupo italiano, famoso associado ao maximal. Curioso pela energia goth-metal, o BBeetroots exagera nas suas pretensões gore, mas agrada a todos intercalando calmaria melancólica, quase indie, e os berros exagerados.

O dia acabou com os DJs headliners, provando entre o underground e o mainstream a importância e a força de um DJ na comunhão entre música e público. Tiga fechou sua arena com pompa, fundindo o dirty electro com a sisudez envolvente do techno. Pecou um pouco por insistir muito na fofura e introspecção de seus remixes pop (a versão para "I Can Change", do LCD, é linda, mas para ouvir em casa), e quebrou tudo quando tocou em extended mix a sua épica "Mind Dimension".


David Guetta @ L.E.D. Festival

Quem encerrou a noite foi ele, David Guetta, que ame você ou odeie, fez as pessoas correrem pulando e felizes quando ele começou seu set. O palco é impressionante, um altar de quase 10m de altura em que efeitos de luzes e lasers eram mixados de acordo com a música. Guetta tem pressa, e chegou elogiando os ingleses, comentando que estava em Ibiza, mas quem sabia festejar era Londres... Começou com o público cantando em uníssono "Gettin' Over You", daí seguiu lembrando suas origens houseiras (Robin S, Cristal Waters, basicamente hits) e ministrando tudo que é tipo de som eletrônico, em duas horas de set. Ouvimos desde trechos de Prodigy, UFO, jungle e vários de seus sucessos.

Com o cinismo ativado, você pode ver Guetta como um fanfarrão que deu sorte como produtor e quer agradar todo mundo tocando de tudo, com efeitos especiais. Mas é quase impossível não se contagiar o mínino com certa empolgação e clima de celebração, ainda mais com rojões e um palco impressionante daqueles.

Goldfrapp: glamour e potência synth-pop
Goldfrapp: glamour e potência synth-pop


**A libra é das moedas mais caras do Ocidente, mas ao portar pounds, os gastos são relativamente pequenos. Cervejas e Red Bulls saiam por £2 ou £2,50 na festa; drinks completos e combinações não passavam de £8, assim como a comida. Para os mais animados, uma pastilha de ecstasy e até mesmo ácido ou ketamina eram possível de encontrar por entre £3 ou £5 pounds. Sensação nos últimos meses (era até mesmo vendido legalmente), o adubo de planta metadona não chegou a ocupar o lugar das "pills" como droga predileta no festival

SÁBADO: A EPIFANIA AFX
Mesmo sendo época de férias, os ingleses estão trabalhando, então por isso o L.E.D. viu o público quase duplicar na segunda (e o conforto ser reduzido pela metade). Adicione a esta saga raver a chuva, que voltou no sabadão depois de uma trégua ensolarada na sexta, que secou a lama do parque.

Neste segundo dia, a tenda virou "Annie Mac Presents" e abriu suas atividades com o drum`n`bass de Shy FX e Boy Better Know, seguidos pela deliciosa versatilidade da anfitriã da tenda, uma DJ em ascenção na Radio 1 (BBC). Annie Mac começou jogando água morna de neo-disco no break da rapaziada, e navegou com boas mixagens para a house music, o prog farofa, techno e dubstep, uma verdadeira shuffle DJ que, graças a Deus, consegue manter coerência na pista.

***Annie Mac tocou dois de duas músicas mais tocadas em festas, rádios e TVs por aqui neste verão: a deliciosa "Coma Cat", ode piano house de Tensnake, e a farofeira e engraçada "We No Speak Americano", de Yolanda Be Cool & DCUP, uma espécie de novo "Mambo No. 5".

O palco principal teve logo cedo um dos principais shows do evento, o rap-rave freestyle dos sul-africanos do Die Antwoord. Os ingleses receberam esses ninjas bizarros do rap como se fossem um headliner, e celebraram a monstruosidade dos beats do DJ Hi-Tek, as rimas de Ninja e toda a safadeza infanto-juvenil da loirinha Yo-Landi Vi$$er, uma Tati Quebra-Barraco com classe e, ao que parece, dinheiro, já que a guria voltou montada no ouro para cantar o hit "Ritch Bitch".

No palco o Die mostra toda a cultura Zef Side de forma rígida ao reproduzir ipsis literis as canções do álbum $o$, mas esse rap afrikaaner nunca será politicamente correto e enlatado, pois a rima afiada de seus MCs e o beat caótico de suas faixas não permite - o show ao vivo apenas reproduz o estranhamento com essa música ao lado de uma catarse festiva, muito "FUCK YALL" e dedo no meio no ar, com direito a moshe e garrafadas.

Leftfield live
Leftfield live


Na sequência, o caos deu lugar ao indie rock almofadinha e empolgante do Friendly Fires, que só conseguimos ver tocar a canção "Paris" - sinceramente, a única que importa. Depois veio o entardecer e também Alison Goldfrapp para apresentar as canções chicletinhas 80s do álbum Head First que, veja só, funcionam muito bem ao vivo com seus refrões fáceis e efeitos eletrônicos exacerbados num palco grandioso. Para uma diva electro-pop, Alison falta em carisma e sobra em voz, limitando-se a falar pouco com o público e uivar muito em hits como "Number 1", "Train" (tocada 2 vezes!) e as novas "Alive", "Rocket" e "Dreaming". Um grande espetáculo, e não tem como a gente sempre amar e achar você o máximo, Alison sua linda!

Quem encerrou o grande palco e o evento foram os britânicos do Leftfield, mostrando em banda completa (tinha até berimbau) sua fusão de ritmos e referências criando um bom exemplo da música urbana e eletrônica do Reino Unido (o Massive Attack ainda é o maior expoente disso). O show começou dubby e seguiu hipnótico com os cantos de uma vocalista loira gatona vestida de She-Ra, e cresceu para beats grandiosos e lunares apresentados por um MC que lembrava o Carl Cox e, basicamente, fazia o público pular. Confesso que esperava me surpreender mais com um act que já foi o próprio sinônimo da música eletrônica ousada e experimental.

Mas nem Leftfield nem nada mais importou, e o ingresso valeu a pena, com a presença de de Aphex Twin, que fechou a tenda da Annie Mac. Richard D. James estava num set up alto e vistoso, bem à mostra e ensaiando até sorrisos, ao contrário de quando o vimos no Coachella escondido entre máquinas. Na paranoia sonora que acompanhamos, AFX mergulhou a tenda em substratos de breakbeat e jungle sempre convertidos em abstrações e ecos sonoros. Pancadas pesadas e raivosas eram anestesiadas com suas linhas de melodias e efeitos humanas e belíssimas, aquelas apresentadas em sua fase mais ambient e introspectiva.

Aphex Twin com Die Antwoord: HISTÓRICO
Aphex Twin com Die Antwoord: HISTÓRICO


O telão apresentava imagens disformes, lisérgicas, e as máscaras de AFX tapando o rosto do público, em tempo eral. O som estava numa espécie de apocalipse hard techno quando vozes disformes competiam com o som, e o público começou a perceber que não eram efeitos, mas alguém cantando. Eis que entram no palco três nóias vestidos de Pokemón. Era o Die Antwoord, que anunciou no Facebook de antemão que fariam uma canja no set. Ninja e Yo-Landi gritavam, gemiam, e essa loucura em holandês africano casou como uma luva com o big bang techno que James soltava de seus botões. Ao final, era quase uma luta livre entre quem batia mais, quem mais sangrava, e os Pokemóns saíram, gemendo um pouco ainda mais do fundo. Foi um momento histórico, história da dance music sendo defenestrada ali, na nossa frente, com o ouvido em chamas.

Como sempre no AFX ao vivo, a relação envolve hostilidade e por um momento tivemos que sair da tenda abarrotada, logo quando ele virou à esquerda por um tipo de beat mais hardcore techno 90s e drum`n`bass. Ver Richard D. James ao vivo é mais do que um set, ou algo para "dançar", mas sim uma experiência, em que pode ser extraído o melhor e o pior da música, ou até de você mesmo. Inesquecível.


Aphex Twin @ L.E.D. Festival

Fotos: Fabio Viecelli

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
4 comentários
Tati Oldfield
Tati Oldfield(18.10.10)
0AprovadoQueima
Durante o verão inglês,o Victoria Park abriga vários festivais e festas durante o final de semana dos mais variados estilos,e a estrutura básica é mantida para todos os eventos.Um festival bacana que rola lá e tem o perfil dos leitores daqui é o Lovebox.Fica a dica para o ano que vem vcs cobrirem.
Brayhan Hawryliszyn
0AprovadoQueima
A muito tempo eu não ficava tão impressionado com um dj set como este do Richard D James. Sai muito feliz (e esgotado) do festival.
O L.E.D. sofreu bastante nas semanas antes do festival, vendendo poucos ingressos, até antes dos cancelamentos. Acabaram oferencendo vários ingressos de graca atraves de um site, o que enfureceu muitos que já tinham pago £50 pelo ingresso. Mas no fim parece que foi um sucesso, mesmo que todos seus problemas. Eu fui no sábado e achei bacana, acabei indo pro SW4 no domingo e achei bem fraco em comparacao. Espero que o L.E.D. consiga resolver seus problemas até o ano que vem para que seja melhor ainda!
bem q podia rolar um show desse do aphex twin por aqui hein rs om tanto festival por ai rolando...