My Bloody Valentine - Loveless
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ficha técnica
Nota: 5 / 5
Ano: 1991
Selo: Creation / Sire
Estilos: Indie Rock / Shoegaze
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My Bloody Valentine - Loveless
Em novembro de 1991, após dois anos de estúdio, álbum quebrou gravadora mas entrou para a história do rock independente.
17.08.10 09:10
O segundo semestre de 1991 é daqueles períodos na história da música quando discos voadores posam nas prateleiras das lojas e nos levam a outras dimensões sonoras. Em setembro, Nevermind tirava o Nirvana dos porões de Seattle e as camisas xadrez dos armários; em outubro Screamadelica do Primal Scream injetava no rock doses cavalares de dance music, da cultura das raves e de seu combustível, o ecstasy; e em novembro Loveless, do My Bloody Valentine - o tesouro de hoje - extrapolava os limites sensoriais ao elevar as distorções de guitarra a níveis nunca antes - ou depois - ouvidos.

MBV


O My Bloody Valentine surge em Dublin, Irlanda, ainda dentro do contexto da época, tocando uma mistura de rock gótico e pós-punk. A partir de seu segundo EP (The New Record of My Bloody Valentine, de 86), sob uma clara influência do Jesus and Mary Chain, a banda passa a experimentar discretamente formas de barulho que culminariam em Isn't Anything, disco que em 1988 apresentava ao mundo outro tentáculo do rock: o shoegaze.

Isn't Anything abriu portas para o MBV. Kevin Shields (voz e guitarra), Colm O'Ciosoig (bateria), Debbie Googe (baixo) e Bilinda Butcher (voz e guitarra) conseguiram distribuição nos Estados Unidos via Sire Records e fincaram pé como uma das bandas mais queridas da efervescente cena indie da virada das décadas 80/90. Com isso, a Creation Records - lar original do grupo - passou a investir quantias consideráveis na produção de seu sucessor.

Já em 89 Shields e cia. entram em estúdio para começar a gravar seu terceiro álbum. Mas com o passar de semanas, meses e finalmente dois anos, as expectativas dão lugar a boatos sobre o lançamento do disco e sobre o excesso de perfeccionismo do líder do My Bloody Valentine ser um problema. Enquanto isso, a Creation se via em uma situação financeira difícil: 1989 foi embora, 1990 também, e em 1991 a gravadora já havia gasto mais com um álbum que em toda sua história (não oficialmente foram $500.000). O resultado? A quebra da Creation e finalmente o lançamento, em 05 de novembro de 91, de Loveless.

MBV


Se Isn't Anything é a pedra fundamental do shoegaze, Loveless é considerado por muitos (músicos, jornalistas, público) a marca d'água do estilo. Erguendo de uma vez por todas a conhecida parede de guitarras do MBV, em Loveless essa parede é colocada à frente de todo o resto, deixando baixo, bateria e os vocais sufocados, escondidos. As distorções são levadas ao extremo, a velocidade do disco anterior é reduzida e do barulho se faz música. Estranho no meio disso existir espaço para algo de pop. Mas há.

Por meio de frestas na barreira de fuzzes, distortions, delays, reverbs e sabe-se lá quantos pedais e efeitos há nela, a sensibilidade pop encontra espaço e penetra em faixas como "When You Sleep" e a bela "Sometimes" (da trilha sonora de Lost in Translation, filme de Sofia Copolla), faixas com letras bonitas - e razoavelmente compreensíveis - onde catarse e melodia dividem o mesmo espaço.



Mas na maioria dos quase 50 minutos de Loveless, a atmosfera é densa e esconde a sensualidade presente no My Bloody Valentine (nas letras ou nos vocais de Kevin Shields e Bilinda Butcher). Seja no dream pop de "To Here Knows When" e "Blown a Wish", deixando transparecer a influência dos Cocteaus Twins; no experimentalismo do interlúdio "Touched" ou quando a banda só lembra a si própria (e aí se encaixam "Only Shalow" - que abre o disco - e todas as outras músicas), tudo é nublado, um tanto claustrofóbico, e estranhamente sentimental.



Destacar essa ou aquela faixa é bobagem, mas não há como falar sobre esse álbum sem comentar a última de suas onze músicas, a hipnótica "Soon". Aproximando o My Bloody Valentine da já madura cena indie-dance da época, "Soon" une as guitarras furiosas, os vocais preguiçosos, sonhadores e indistinguíveis da dupla Butcher/Shields e batidas que a colocaram em pistas de dança e até em raves - graças a um remix elástico de Andrew Weatherall, que subtraiu um pouco do barulho, amplificou os beats, pôs uma percussão e colocou os shoegazers para sacudir.



No final das contas, Loveless pode não ser o marco zero do shoegaze, mas é com certeza a pedra filosofal de onde outros alquimistas das distorções tiraram suas lições para tentar realizar a grande obra. Mas outro álbum como este, se acontecer, somente numa dimensão paralela.=
MP3
Flash Content
My Bloody Valentine - Soon (Andrew Weatherall Mix) (mp3)

Flash Content
My Bloody Valentine - Sometimes (mp3)


Fábio Bridges
Fábio Bridges
www.pequenosclassicosperdidos.wordpress.com
comentários
3 comentários
Fábio Bridges
Fábio Bridges (02.09.10)
0AprovadoQueima
Também não gosto do remix, mas pro povo da época devia fazer sentido.
Raquel Setz
Raquel Setz(02.09.10)
0AprovadoQueima
Eu seria uma pessoa bem mais feliz se não tivesse clicado play nesse remix medonho....
Angelo
Angelo(17.08.10)
1AprovadoQueima
sempre que ouço esse disco fico passado como se fosse a 1° vez...