Mente ultracriativa do produtivo filho de Detroit não decepciona em novo experimento
Jeff Mills será uma das atrações do D-Edge ainda nesse semestre, em uma edição da festa D_Edge Concept. Fique de olho no nosso Guia de Shows e Festivais.
Jeff Mills é figura lendária da música eletrônica. Nativo de Detroit, começou a fazer história à partir da década de 80 quando sob o pseudônimo
The Wizard era DJ do programa The Electrifying Mojo - um dos berços do techno de Detroit - na rádio WJLB.
Membro fundador do coletivo ultrapolitizado
Underground Resistance, à partir dos anos 90 e da mudança para Nova Iorque Mills passa a investir em sua carreira como DJ e produtor, e após assinar um contrato com o selo alemão
Tresor lança seu primeiro álbum solo,
Waveform Transmission - Volume 1 em 1992.
Tomava forma o mito Jeff Mills. Além das habilidades quase paranormais atrás dos toca-discos, suas produções elevaram o techno em alguns andares. Com uma mente criativa e fervilhante de ideias, o homem
já tocou com orquestra (como pode ser conferido no CD/DVD
Blue Potential); atrás de uma vitrine de loja (performance também registrada em áudio e vídeo sob o excelente título
The Exhibitionist);
trazendo à terra os sons de Saturno (no Sónar de 2008) e fazendo ao vivo a trilha sonora para o filme Metropolis, clássico de 1927 do diretor alemão Fritz Lang.
Esses dois últimos exemplos mostram um lado de Mills que está diretamente ligado à música que produz, a ficção científica. E aí chegamos ao que interessa: seu último álbum,
The Occurrence.
Lançado em maio último pelos selos
Axis (do próprio Jeff Mills) e Third Ear Japan,
The Occurrence traz o produtor de Detroit utilizando a alcunha
Sleeper Wakes (mesmo nome do livro de 1910 do escritor H.G Wells - outra referência ao universo sci-fi) e criando mais uma vez o novo.
A novidade? O disco é um híbrido entre CD e vinil de 5 polegadas. De um lado ele toca no CD player; do outro a boa e velha vitrola rola a faixa "Markings". E apesar de não ser a primeira experiência do tipo, esta é com certeza a mais relevante.
Mergulhando fundo no espaço sideral e tirando dele sua inspiração, Mills editou, mixou e produziu
The Occurrence para que este funcione como um set. Reutilizando faixas de trabalhos anteriores (de
Sleeper Wakes e
Something In The Sky, ambos de 2009, por exemplo) e apresentando outras inéditas, ele vai do Detroit techno clássico ao minimalismo, sem deixar vestígios.
Altamente hipnótico e dark, o álbum traz em cada uma de suas músicas a adição cíclica de efeitos e elementos; serve de aditivo para o corpo, e para a mente funciona como um potente estimulante. Com momentos que beiram o transe (nem pensar em trance, por favor), e outros poucos em que simplesmente não há batidas - apenas fragmentos espaciais -
The Occurrence mostra o techno em seu estado de graça, com toda a carga de dub que as melhores produções do estilo apresentam e com os beats 4X4 menos acelerados - mas poderosos, como de praxe nas produções de Mills.
Flash Content
Jeff Mills - Infected (mp3)
Flash Content
Jeff Mills - The Occurence (mp3)
O disco chega ao mercado com um preço salgado - cerca de R$80 nos sites europeus - e provavelmente servirá mais como objeto de adoração para colecionadores que outra coisa.
E Jeff Mills, o mago, se firma novamente como grande inovador dentro da música (seja ele eletrônica ou não) e como líder dos alienígenas que estão entre nós disfarçados de DJs, produtores, músicos, enfim, de humanos.
queria "muito" um desse !
abraço