Faz seis anos que o DJ e produtor inglês
Norman Cook não lança um álbum de inéditas sob o pseudônimo Fatboy Slim - de longe seu projeto de maior sucesso.
Palookaville saiu em 2004 com algumas músicas bacaninhas (tipo "Don't Let the Man Get You Down"), mas faz tanto tempo que muita gente nem deve se lembrar de que faixas são essas.
Parece que o Sr. Cook estava cansado de dar grandes festas na praia, e se concentrou na administração de sua gravadora, a
Southern Fried. Também estreou no ano passado um novo projeto, o
Brighton Port Authority. Para a empreitada (que
analisamos aqui), recrutou artistas e produtores como Danger Mouse, Dizzee Rascal, David Byrne...
Para aqueles que ainda gostam de ouvir as colagens bem feitas e recheadas por bumbos gordos do Fatboy Slim, eis a novidade do mês: Cook reassumiu a carapuça para assinar uma nova música - ao lado do
DJ Hervé, especializado em fidget house. No EP "Machines Can Do the Work", a faixa-título vem acompanhada por um único remix, produzido por Hervé, sob o pseudônimo Action Man.
Na introdução, embaralhando frases recortadas, Cook resume: "Machines should work / People should think". Esta é uma tentativa assumida de ressuscitar o espírito lisérgico da acid house, gênero que abasteceu o inglês de boas ideias na virada dos anos 1980 para os 90. Não por acaso, a principal linha melódica vem tingida por timbres cítricos, obra dum sintetizador cujos parâmetros passeiam sem controle. Texturas espaciais e efeitos de eco completam a atmosfera viajante. (No remix, basicamente, esses elementos ganham realce.)
Bem menos pop que hits anteriores ("Weapon of Choice" ou "Praise You"), "Machines Can Do the Work" foi pensada para apreciação em pistas de dança. Sobrou pouco daquela eletrônica com sabor praiano, marca do Fatboy Slim. E nada de instrumentos gravados, como se ouvia nas faixas de
Palookaville.
Talvez esta seja uma indicação de como seguirão os próximos lançamentos de Cook, num eventual retorno mais sólido de seu antigo pseudônimo. Ou apenas um espasmo de nostalgia, da época em que ele era um cara menos sério. Hoje, ao que parece, o inglês tem que dar atenção a coisas mais complexas, como os balancetes de sua gravadora.