Sónar 2010 e a música atemporal
A saga audiovisual do Chemical Brothers: grande destaque da 2ª noite
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ficha técnica
Nota: 4.6 / 5
Ano: 2010
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Sónar 2010 e a música atemporal
LCD Soundsystem, Chemical Brothers, Caribou, psicodelia, pós-dubstep e outras bizarrices do festival catalão mostram a música a ser celebrada e legitimada
23.06.10 02:15
E este ano o rraurl foi em peso pro Sónar. Um dos nossos festivais europeus preferidos, sempre contou com a presença de um ou outro membro da equipe em suas edições desde 2004. Em 2010 Gaía, Jade e Alisson foram pra lá atrás de novidades musicais, cultura alternativa e, claro, festa.

A edição 2010 do festival foi recebida por uma Barcelona em temperatura bastante amigável e bem distante - exceto por um turista ou outro - da Copa do Mundo. Segundo a imprensa local, o público deste ano foi de 10 mil pessoas a mais que o ano anterior, o que nos leva à uma marca de aproximadamente 85 mil passantes. Como sempre, o evento foi divido entre suas versões diurnas e noturnas, sendo a primeira mais voltada à descoberta de novos sons e artistas vindos dos mais variados cantos do mundo enquanto à noite os superstars dividem as atenções em três grandes palcos - além é claro do animado carrinho que bate-bate que sempre ocupa lugar de destaque no espaço enorme da Fira Gran Via.

bate bate


O line-up deste ano privilegiou artistas do Reino Unido, a cena que vem surgindo pós era dubstep e sons que pegam pesado na psicodelia. Climas inebriantes, guitarras flamejantes e muita distorção deram o tom lisérgico em várias das apresentações, tornado o festival num dos grandes pontos catalisadores da cultura alternativa atual. Tem alguns vídeos para ver também.


SÓNAR BY NIGHT - SEXTA 18/JUN

A apresentação do duo francês Air era das mais aguardadas, e eles não decepcionaram. Vestidos elegantemente com roupas brancas e escondidos atrás de um grande arsenal vintage que soava como uma banda de 40 membros tamanha a amplitude de seu som, o Air trouxe para o Sónar seus timbres doces e suaves, calmos na medida certa, e uma boa dose do velho ar francês kitsch que todos nós gostamos.

AIR, em momento kitsch francês
AIR, em momento kitsch francês


Com um setlist variando entre suas baladas mais recentes e produções de toda a sua carreira, Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel mostraram porque o nome da banda é uma sigla para "Amour, Imagination, Rêve" (Amor, Imaginação, Sonho). No telão, estrelas, imagens abstratas e minimalistas em vermelho, rosa e azul, criavam um ambiente puramente extravagante e com cara de cabaré esfumaçado, cheirando a perfume antigo, que estimulam ainda mais os sentidos para faixas como "Alpha Beta Gaga" (assobiada perfeitamente por Godin), "Cherry Blossom Girl", "La Femme d'Argent" e tantas outras. "Kelly Watch The Stars" e "Sexy Boy" não poderiam ficar de fora, e fizeram o encerramento com classe. Um show correto e simples, mas cheio de graça - separamos alguns trechos para você ver, em uma edição extraordinária de RRTV.

Na sequência veio o Aeroplane , com a expectativa nas alturas, graças a ótima reputação adquirida em sets mensais e remixes geniais para gente como Grace Jones, Lindstrom e Cut Copy. Vito de Luca, que agora responde pelo projeto (antes era uma dupla) assumiu os toca-discos para fazer um set curto, mas delicioso,pelos domínios da disco, italo disco, nu disco, disco-qualquer-coisa, além de faixas que misturavam vocais, guitarras psicodélicas e oitentices divertidas. Destaque para a abertura com "We Can't Fly", faixa própria que deve ser lançada em breve.


LCD SOUNDSYSTEM: CATARSE DISCO PUNk

James Murphy e companhia entraram ovacionados no palco do Sónar Club e de cara agradeceram ao festival por ter sido um dos primeiros locais a acreditar no som deles, quando ainda estavam em início de carreira. James & Pat inclusive tocaram no Sónar do ano passado como DJs, fazendo um dos sets mais elogiados do festival.

LCD Soundsystem


E o LCD Soundsystem, como banda ao vivo, soa dez vezes mais vigorosa e poderosa que em disco. Faixas clássicas como "Tribulations" e "Daft Punk Is Playing In My House" são entoadas em coro pela plateia, que a certa altura explode em êxtase e abre diversas rodinhas de pogo onde pessoas de todos os tipos, gêneros e idades dançam freneticamente. "All My Friends", mesmo que extendida em quase 15 minutos não perde pique em nenhum momento, é prova de que James, além de excelente produtor, é também um cantor de primeira, com voz que passeia desde a agressividade punk (como na novíssima "Drunk Girls" e na dançante "Yeah") e vai até momentos ternos e suaves ("I Can Change"). Histórico.

Com o repertório bem dividido entre faixas de seus três disco e fases, a banda surge soberana, com Pat dominado a bateria estrategicamente colocada ao lado de James, soando como um grupo em coesão total. A empolgação era tanta que James acabou interrompendo o que deveria ter sido uma música ainda nos primeiros acordes (dizem que era "Losing my Edge", dizem que era "Sound of Silver"), após ter sido avisado por um dos produtores do evento que eles já tinham ultrapassado o tempo total do show. Uma pena.

Depois da tempestade, a calmaria veio pelo groove gordo de John Talabot, DJ e produtor catalão todo misterioso que mostrou o rosto, equiparou seu bumbo rebolante ao do Aeroplane e sua viagem hipnótica houseira às ousadias de James Holden. Dica para os promoters e donos de club no Brasil: seria perfeito num clube.

Lá no palco aberto Lab, os pioneiros do hip hop Sugarhill Gang aproveitaram a passagem pelo festival para celebrar a sua cria. Com um setlist que incluiu vários clássicos old school e muita conversa com o público, os americanos empolgaram até mesmo quem não é expert no gênero. Entre as faixas executadas ao vivo pelos MCs originais do grupo estiveram "Paid in Full" (do Erik B. & Rakim), "The Breaks" (Kurtis Blow) e "The Message" (Grandmaster Flash).

Mas o chão veio abaixo mesmo quando eles tocaram a introdução de "Insane in The Brain" (Cypress HIll) e engataram imediatamente em uma das melhores e mais divertidas faixas de rap da história: "Jump On It!!" (dos próprios Sugarhill Gang). Daí até mesmo as tiazinhas da limpeza caíram na dança ao som do hit que sampleia o clássico da surf music dos anos 50, "Apache".

Sugarhill Gang mandando ver no oldschool
Sugarhill Gang mandando ver no oldschool


O show foi uma bela lembrança de como o rap americano atual é tedioso e pouco inspirado. Se 50 Cent e comparsas estivessem alí naquele momento, com certeza pensariam da mesma forma.

Pulando do passado para o futuro, o espaço Lab recebeu o branquelo Joy Orbison, mostrando que bass lines, beats com alma R&B e cultura MC não tem cor. Na mesma onda, Roskafez um animado set munido de laptops e suingue house funky, sonoridade em destaque na era pós-dubstep do Reino Unido. Destaque para "Wonderful Day", que durou quase uns 10 minutos com o MC trocando os versos do refrão para "Barceloona, Sóooonar!".


SÓNAR BY NIGHT - SÁBADO

O poderoso alemão DJ Hell abriu (e encerrou) a noite de sábado do Sónar 2010. Na abertura, parecia estar bem inspirado e iniciou o set com uma versão feita apenas com violinos de "The Robots", do Kraftwerk. O tom soturno e misterioso prevaleceu, que contou com mais uma do Kraft ("Home Computer") e "Israel" do Siouxsie & The Banshees meio que perdidas no meio de muito experimentalismo electro nonsense. A atenção do público acabou sendo recuperada no final, quando uma bailarina - usando um traje feito de espelhos que refletiam vários canhões de raio lazer verde - fez uma ótima performance ao som de duas faixas mais animadas.

O esperadíssimo show de retorno do Roxy Music foi impecável do começo ao fim. Contando com quatro membros da formação original - Bryan Ferry, o guitarrista virtuoso Phil Manzarena, o sax de Andy MaCkay e o baterista Paul Thompson - devidamente acompanhados por ótimos músicos, o Roxy encheu o palco do Sónar Club com rock glam, sedutor e viceral. Bryan continua o roqueiro mais elegante do planeta, e comanda com maestria a sua banda que toca em perfeita sintonia. Todos os hits estiveram presentes - de "Jealous Guy" até "Do The Strand", de "Love is The Drug" até "Virginia Plain", de "Editions of You" até "Ladytron". Ouro puro.

Bryan Ferry, ainda arrasando corações...
Bryan Ferry, ainda arrasando corações...


Engana-se quem pensa que a primeira fila para assistir ao show do Roxy era formada só por fãs esperando pelo Chemical Brothers, uma das próximas atrações. A maioria do público era formado por antigos admiradores da banda (alguns devidamente paramentados com camisetas do grupo) e senhoras já trintonas que com certeza já tiveram muitos sonhos molhados com Mr. Ferry. E a voz dele continua arrasando corações. Love is the drug, and we need to score, baby....

No mesmo horário de Brian Ferry e companhia, Jónsi representava a fabulosa música islandesa. A turnê de Go passou pelo Sónar e mostrou o impressionante cenário de fazenda abandonada, a interpretação de figurino e audiovisual que o vocalista do Sigur Ros faz dos pássaros, com destaque para sua voz, que soa como um canário do frio. Músicas e climas em harpas, cordas e ritmos percussivos, é de uma melancolia explosiva que agrada fãs de Radiohead e The Knife.

O "DUBSTREAM" DE CASPA

Embora desconhecido do grande público, o produtor Caspa foi uma das melhores surpresas do Sónar este ano, abrindo pro Chemical Brothers com um dubstep ensurdecedor, de fazer admirar o fato das caixas de som terem continuado intactas até o final. Assista.



Num set de uma hora e meia, Caspa - devidamente auxiliado pelo MC Rod Azlan - mostrou todas as variações do gênero alternando faixas de diversas BPMs e climas fantasmagóricos daqueles que só o dubstep nos proporciona. E não pense que o estilo causou estranhamento: a pista do DJ era uma das mais agitadas, com muita bateção de cabeça e até rodinhas de pogo improvisadas. Valeu, e muito, a surdez temporária do dia seguinte. Mas os mais exigentes se incomodaram com as notas de trance farofa que ele acoplou ao dubstep (!!), dando uma de Tiësto do gênero.

E Dizzee Rascal, superstar do grime, mostrou bem a que veio. A maior prova disso era a fila grudada na grade, formada basicamente por meninas enlouquecidas querendo subir no palco de qualquer jeito e - por incrível que pareça - ter uma "casquinha" de um dois MCs (frases como "Fuck me, Dizzeeeeeee!" era constantes).

Dizzee Rascal, sexo e diversão
Dizzee Rascal, sexo e diversão


Com faixas que misturavam grime, bass, dubstep, e até um pouco do bom e velho kuduro (hit absoluto do festival do ano passado), Dizzee não deixou pedra sob pedra. O set privilegiou os hits "Bonkers", "Pussyole", "Suk My Dick", "Flex", "Dirtee Disco", "Dance Wiv Me" e abriu espaço até mesmo para o hino do festival deste ano, a já clássica "Pon de Floor" do Major Lazer. Acompanhados apenas de um DJ, a dupla de MC's fez valer cada gota de suor derramada na pista. O Dizzee Rascal foi, em 2010, o equivalente ao Buraka Som Sistema em 2009: pura diversão, suor e sexo.

FAIL EXPERIMENTAL

Dois nomes que tinham o público na mão, Fuck Buttonse Matthew Herbert decepcionaram. Os primeiros tocaram burocraticamente uma ou outra faixa de Tarot Sport, e preferiram ficar emanando frequências elétricas ensurdecedoras e variações modulares que só tinham sentido por fazer o estrobo piscar.

E Herbert incorporou uma persona esquizofrênica pentelha, subindo em escadas e descompassando sons, rajadas, interferências e ruídos. Os sons são parte de seu disco One One, que tem sonoridades de um clube eletrônico como tema, mas ao vivo soou apenas como uma irreverência sem graça. Ele não devia ter saído da barraca de camping (!) de onde seu show começou.



CHEMICAL BROTHERS

Eles foram bem espertinhos. Dividiram o show em duas partes, sendo a primeira exclusivamente composta por faixas do seu novo álbum, Further. Músicas como "Horse Power" e "Escape Velocity" ganharam mais peso ao vivo, garantindo a diversão mas deixando uma dúvida na cabeça de todos: por melhor que isso seja, será que o show todo vai ser só de músicas novas?

Pensamos isso mesmo, e boa parte do público também. O intervalo entre a primeira e a segunda parte foi grande o suficiente para acreditarmos que o show ia acabar ali e não raro pessoas passaram pela massa de público em direção à saída. Mas eles encerram a saga audiovisual de pessoas nadando e andando sobre feixos de luz e, para a alegria geral, voltam ao palco ao som de "Hey Boy, Hey Girl", iniciando a segunda parte de uma batalha eletrônica travada por grandes hits. "Out of Control", "Setting Sun" e "Believe", estavam todas lá. Para apoplexia geral "Chico's Groove", lá do primeiro álbum, substitui sem falta de peso e grandiosidade a pop "Block Rockin' Beats".

Posicionados atrás de uma verdadeira muralha sonora de equipamentos que mais pareciam canhões de guerra e tendo, ao fundo, um gigantesco telão de LEDs que projetava imagens em altíssima definição, o Chemical Brothers produziu um espetáculo para os olhos, ouvidos e pés. E haja pé: as faixas eram executadas quase sem intervalos entre si, e em versões muito mais poderosas que as originais. No final, os dois, visivelmente satisfeitos, saem do palco com cara de "dever cumprido". E nós permanecemos jogados no chão. Com esse show o Chemical Brothers, com um histórico de excelentes apresentações ao vivo, entra em definitivo no panteão de mestres dos palcos eletrônicos como Kraftwerk e Daft Punk. As imagens simplesmente não fazem justiça à experiência.




Caribou e a eletrônica orgânica: destaque absoluto do Sónar Day
Caribou e a eletrônica orgânica: destaque absoluto do Sónar Day


AS DELÍCIAS E NOVIDADES DO SÓNAR BY DAY
ESPAÇO TOMADO EM MUSEU CONTEMPORÂNEO MOSTRA COMO O FESTIVAL SERVE COMO SINALIZADOR ARTÍSTICO DE DIVERSAS DÉCADAS

O espaço ocupado pelo Sónar no grandioso MACBA, o Museo de Arte Contemporáneo de Barcelona, consiste em um prédio com exposições de tecnologias sonoras, um espaço para exibições de filmes, um palco com gramado sintético (Village), uma tenda powered by Red Bull Music Academy mais dedicada a DJs e pocket shows (Dôme) e o Hall, espaço interno de experimentalismo e orquestração.

O destaque absoluto da versão diurna do evento foi o show do Caribou, na primeira tarde (quinta), que mostrou o poder da música eletrônica orgânica de Dan Snaith. Acompanhado de baterista, base de efeitos, microfone e teclado, o Caribou ao vivo é uma máquina ambulante que aquece em seu trajeto no palco as faixas de Swim e brinda um ou outro bônus de Andorra, faixas como "Sandy" e "After Hours".

Foi curioso e esplêndido ver a empolgação do público com os dois microfones que Snaith precisava para ecoar os versos de "Sun"; e a descida techno de "Found Out", que fez a rodinha próxima puxar um assunto sobre Derrick May, Rolando e Joris Voorn - Sónar puro! O show começou um pouco tenso com "Leave House", em que as flautas - assim como no Air - são mero efeitos de notas, e a presença de um backing vocal e a excelência do baterista garantiram uma apresentação redonda, memorável e feliz do Caribou, que saudou o Sónar com alegria psicodélica.

No mesmo dia Teri Gender Bender aqueceu o Sónar Dôme com uma performance que misturava horror punk, psychobilly, new wave e surf music. Acompanhada por músicos mascardos e uma gogo-girl ensaguentada, a mexicana soava como uma mistura de Nina Hagen e Siouxsie Sioux, às vezes pecando um pouco por exageros. Outra curiosa atração mexicana foi Los Amparito, um baixinho bigodudo com cara de muchacho que dissolvia cumbias, marimbas e sonoridades latinas em psicodelia molenga a la Animal Collective. Empolgava pelo estranhamento, mas uma inserção mais intensa de beats seria perfeita.

"Hello, i'm here to play some records" -- Moodyman


MOODYMAN É O CARA

Se você já viu uma foto dele, com pinta de negão cafetão de filme dos anos 70, pode acreditar que pessoalmente ele é a mesma coisa. Dono de uma voz grossa de fazer corar Barry White e ancorado por duas seguranças (leia-se duas negras altíssimas e de roupas minúsculas), Moodyman abre seu set falando que foi parado no aeroporto pois a oficial da imigração achou "que meu vinil era um CD grande demais". E foi com as bolachonas pretas e empoeiradas que ele fez o melhor DJ set do Sónar Day, com direito à muita disco, funk, soul, doo woop e uma ou outra novidade.

O excesso de carisma desbocou num momento "Seven Nation Army", do White Stripes, mas o público perdoou entre uma outra dezena de faixas que você se cortaria para saber o nome. Figuraça que por si só já vale uma olhada, Moodyman comentava as faixas e pedia salvas de palmas para gente como James Brown e Jimmy "Bo" Horne, e colocava disco atrás de disco transformando o palco do Sónar Dôme num grande baile funk setentista. Todo mundo saiu de lá com sorriso no rosto - e uma enorme vontade de ter um belo cabelo black power.

Ainda na black music, a malandra inglesa Pursuit Grooves impressionou pela versatilidade entre beats, R&B, dubstep e rap, descabelando seus dedos na MPC, mixando e cantando, tudo ao mesmo tempo. Seguida pelo DJ inglês de dubstep Braiden, esta ênfase do Sónar no dubstep mostrou que, mais que um novo gênero cabeçudo, o bass é apenas um novo elemento protagonista para mostrar vivacidade musical.

Trish Keenan, do Broadcast: gótico, psicodélico e folk ao mesmo tempo
Trish Keenan, do Broadcast: gótico, psicodélico e folk ao mesmo tempo


Entre guerras de pianos (Aufgang), orquestras de violino (Tristan Perich) e dark metal eletrônico (Necro Deathmort), o destaque da pista experimental Hall foi outra atração inglesa, a banda psicodélica Broadcast. Agora um dueto comandado por James Cargill e com a instigante presença e voz de Trish Keenan, o Broadcast apresentou o show mais hipnótico do festival, que variava tonalidades psicodélicas e folk em um assombro de beats a la Fever Ray, fundindo também frequências elétricas e góticas e Trish Keenan dosando fofura pop com sua sombra projetada atrás. Puro Jefferson Airplane.

A fase mais pop de faixas como "Before We Begin" não estava presente, mas o público teve com o que se ocupar ao observar a vocalista cantar e mudar as modulações de efeitos, enquanto Cargill variava beats a 100 BPM e riffs de corda, mostrando que psicodelia é um estado da mente, e não mero saudosismo dos anos 60.

E o destaque local da versão dia foi o show do Delorean, catalães alçados à fama indie com o recente disco Subiza, e que mostraram uma potente mistura de shoegazer com dance punk. No entardecer das 22h, o público se dividia entre os chapados e animados, já que hits como "Stay Close" são dançantes e hipnóticos, no estilo My Bloody Valentine de ser. Destaque também para a versão de "Sunshine", do amigo John Talabot, tocada de forma orgânica, e que foi épica.



GAÍA
TOP 5
LCD Soundsystem
Caribou
Chemical Brothers
Broadcast
Delorean

PERDI :(
John Talabot
Flying Lothus
2ManyDJS
Moodyman
Nosaj Thing


PERDA DE TEMPO
Jónsi
Mathew Herbert

BOAS SURPRESAS
Lemonade DJs
Buenavista
Photonz
Delorean

VI POUCO E GOSTEI
Larytta
Roxy Music
ALISSON
TOP 5
Roxy Music
Chemical Brothers
Air
LCD Soundsystem
Caribou


PERDI :(
Speeche DeBelle
Hot Chip
Aufgang
Broadcast


PERDA DE TEMPO
Booka Shade
Jónsi

BOAS SURPRESAS
Dizzee Rascal
Caspa feat. MC Rod Azlan
Moodyman


VI POUCO E GOSTEI
2ManyDJs
Bomba Estereo
JADE
TOP 5
LCD Soundsystem
Moodyman
Caribou
Chemical Brothers
AIR

PERDI :(
Flying Lotus
Carte Blanche
Sandwell District
Zomby

PERDA DE TEMPO
Matthew Herbert
New Young Pony Club
Fuck Buttons

BOAS SURPRESAS
Jónsi
The Sugarhill Gang
Broadcast
Pursuit Grooves

VI POUCO E GOSTEI
Aeroplane
Roska
2ManyDJs



NOVOS CAMINHOS, NOVAS CIDADES

Em 17ª edição em Barcelona, o Sónar também é reconhecido e premiado como um dos maiores acontecimentos culturais da cidade. Mas para disseminar a ideia de "música avançada" nesta sempre combinação de line-ups estabelecidos, experimentais e de promessas, a marca catalã viaja mundo afora em edições eventuais em algumas cidades.

Asim São Paulo teve a sua em 2004, esse ano Londres recebeu o "Taste of Sónar", com Four Tet e Matthew Herbert. Lisboa, Seul, Hamburgo e Roma também já tiveram seus "Sónar Sound". E para celebrar a data religiosa do Xacobeo 2010, o festival deslocou-se em 2010 até A Coruña, no mesmo fim de semana da edição principal. Laurent Garnier, Alva Noto e Sasha foram alguns artistas exclusivos da edição Galícia do festival.

Pouco antes da festa na Espanha, os organizadores anunciaram o Sónar Chicago, que levará atividades, instalações e música de 9 a 11/set no Chicago Cultural Center. É a segunda edição americana do festival, que em 2009 foi à Washington. O line-up ainda não foi divulgado.

Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
YYSSW
Alisson Gøthz
Alisson Gøthz
Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
comentários
17 comentários
Renato Lima
Renato Lima(06.07.10)
1AprovadoQueima
Estou decepcionado com a qualidade dos vídeos desta matéria.
Não rola uma parceria da equipe do site com a organização do festival para postar um material com qualidade?
Hermes
Hermes(29.06.10)
1AprovadoQueima
Passado que Fuck Buttons foi xoxo. Pensei que seria incrível ao vivo. Hunf!
 Markan
Markan (26.06.10)
1AprovadoQueima
Eu ví o Caribou em um show não grande aqui em Montréal e foi impressionante. Você até pode ter um bom álbum mas é no palco que a gente vê quem é quem no bilhar no dominó.
fueloop
fueloop(24.06.10)
1AprovadoQueima
@gaia, : *
Gaía Passarelli
@daniel fuel legal vc ter apontado pq foi super sem querer isso. mas, ó, tem uns rappers no meio :) e o air por mais que use guitarra (que nem na foto) é uma coisa super synth-vintage né? e o brodcast é super eletrônico, só que, errrr, meio estranho :) []s!