Cold Waves / The Minimal Wave Tapes
faça login para votar!
Enviar esse texto
login para votar!
Enviar esse texto
  • Currently 5.00/5
Nota: 5.0 (2 votos)
login para votar!
ficha técnica
Nota: 4.1 / 5
Ano: 2010
Selo: Angular Records / Stones Throw Records / Minimal W
Estilos: 80s, synth-pop, electropop, goth, industrial, cold wave, minimal wave
social bookmarks
Digg
Mugg
del.icio.us
Cold Waves / The Minimal Wave Tapes
Compilações garimpam raridades da música synth underground, romântica e obscura dos anos 80, em faixas que ilustram os primórdios DIY da música eletrônica
11.06.10 12:30
Saíram no começo deste ano nos EUA duas compilações que garimpam produtores, faixas e obscuridades do lado mais underground da música synth dos anos 80. The Minimal Wave Tapes Vol. 1 e Cold Waves and Minimal Electronics Vol. 1 são o trabalho de DJs, selos e pesquisadores que reavivaram e remasterizaram dezenas de canções que exemplificam a revolução causada no começo da década de 80 pela produção de música eletrônica caseira, revertendo a espontaneidade do DIY do punk em uma nova cultura que mesclava características dam a música gótica e do pop da época.

Cold Waves and Minimal Electronics Vol. 1

Flash Content
Jeunesse d'Ivoire - A Gift Of Tears (mp3)

Flash Content
The Vyllies - Babylon (mp3)

Flash Content
Absolute Body Control - Figures (mp3)

Flash Content
Ausgang Verboten - Consumer (mp3)


Cold Waves and Minimal Electronics Vol. 1 foi compilado pelo músico e DJ Pieter Schoolwerth, famoso no Brooklyn (NY) por suas festas que buscam o lado mais áspero e, ao mesmo tempo, poético da música feita por sintetizadores, sequenciadores e drum machines. O disco nasceu com um manifesto pregando a abstração, apostando na "sincera e afirmativa resistência humanística" desta época atual de pop e música eletrônica vazias, criadas por softwares. É uma mistura de vintage futurista e romancismo punk/gótico, em que a busca pela essência humana passa, basicamente, pelo lado mais obscuro da alma humana e da música criada por estes então novos instrumentos. Daí a assimilação do termo "cold" e também de 'minimal', no sentido de contraposição aos excessos do synth-pop grandioso de Depeche Mode e Duran Duran, por exemplo.

Em suas 19 faixas, Cold Waves... planta as sementes do techno, do electroclash dos anos 2000 e marca a transição simbiótica entre a disco music dos anos 70 e novas apostas sonoras da década seguinte. A repetição exaustiva das linhas de baixo e synths ditam uma hipnose sonora que era nova e representava um desconhecido mundo a ser explorado, da mesma forma assustadora que era para navegadores adentrar o mundo "plano", em que acreditava-se ter monstros em suas "bordas".

Canções como "Figures" exemplificam essa dualidade entre medo, beleza e romance: o synth é áspero, mas as linhas de synth são épicas e soam esperançosas, espaciais. "A Gift of Tears" é belíssima, com suas notas nostálgicas amansando os beats disparados e nervosos. Vocais quase incompreensíveis e claps pontuais completam a edição da música, que tem uma verve pop discreta.

O lado mais gelado do álbum traz o punk gritado de The Vyllies em "Babylon", espécie de synth endiabrado a la Nina Hagen, de novo o assombro synth sempre anestesiado pela repetição e as notas rítmicas. "Cannibal Dolls", do Land of Giants, é similar na fórmula DIY de vocais femininos, mas seu electro chicletinho é mais 8-bit, a mãe do Crystal Castles. "Consumer", do Ausgang Verboten, é o exemplo máximo de como era pensando o electro da época: ácido, de suinge metálico e evolução industrial e urbana dos sons do Kraftwerk que, mais tarde, geraria o techno.

The Minimal Wave Tapes Vol. 1

Flash Content
Crash Course in Science - Flying Turns (mp3)

Flash Content
Deux - Game & Performance (mp3)

Flash Content
Esplendor Geometrico - Moscu Esta Helado (mp3)

Flash Content
Mark Lane - Who's Really Listening (mp3)


The Minimal Wave Tapes Vol. 1 é, digamos, mais polida. Fruto antológico do trabalho de Veronica Vasicka, que criou nos EUA o selo Minimal Wave para recuperar jóias perdidas dos anos 80 e relançá-las, o disco virou parte da lista de releases da Stones Throw e marca o synth-pop mais underground, que não logrou o sucesso não por fracasso, mas por características peculiares.

Nesta compilação alguns nomes podem ser mais conhecidos, como a dupla Deux, Martin Dupont e a nervosa "Flying Turns", do Crash Course In Science, que voltou como hit nos anos do electroclash com seu synth disparado e rajadas de choques. Como a compilação propõe até mesmo um sub-sub gênero, a ênfase Minimal Wave é presente, hipnótica. "Who's Really Listening", de Mark Lane, é uma prévia transcendental do electro que Vitalic faz hoje: vocais hipnóticos, Rolands em aceleração constante e os beats surgindo para destilar a tensão.

Se Duran Duran, Soft Cell e Erasure cansaram a fórmula ao fim da década, este disco se mostra relevante por, agora em 2010, mostrar as raízes de muito do que é feito hoje na música alternativa e louvado como novo. Mas não é preciso enxergar este fato como um bode expiatório, nem como o moralismo banal de "no passado era melhor". É muito mais interessante você unir o passado e presente, como pode ser feito ao ouvir/mixar/juntar qualquer faixa do Ladytron com o electro spoken-word de "Game & Performance", faixa de 1983 da dupla francesa Deux.

Além do pop "discreto", Minimal Wave Tapes... mostra como a música é um ciclo constante que, por alguma razão cartesiana, foi ditada pelas décadas no século 20. Então o disco transborda krautrock ("Tempusfugit" - Tara Cross; "Mickey Please" - Bene Gesserit) e disco music ("Way Out Living" - Linear Movement; "Radiance" - Oppenheimer Analysis), por exemplo. E se for para escolher uma faixa entre ambos discos que melhor resume essa fusão DIY de sonoridade tecnológica, minimalista e dançante, "Moscu Esta Helado" (Esplendor Geometrico) é o melhor exemplo. Principalmente porque se fosse produzida por computadores agora em 2010, ninguém notaria.

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
7 comentários
Monica Vicious
Monica Vicious(03.07.10)
1AprovadoQueima
Esse cd "Cold Waves and Minimal Electronics Vol. 1" é muito bom. Vale a pena escutar. Adorei!
o som da ruth ja toquei varias veses , mas nao conhecia as outras ... babylon é demaiss !!! fodaaa
Rodrigo|Digha
Rodrigo|Digha(11.06.10)
1AprovadoQueima
Trechos do tal manifesto por trás da coletânea:

"O sucesso agora é determinado pela popularidade, de uma forma mais carente de identidade baseada simplesmente em vendas de álbuns e posições nas paradas."

"Ao contrário dos grupos de new wave, que usaram esses sons para assumir um certo vazio, [em Cold Waves...] a postura irônica tem uma visão apocalíptica de um futuro incerto..." "...essas bandas de minimal eletrônico criaram sons "frios", que eram vulneráveis, mas ao mesmo tempo eram românticos, melancólicos, e afirmativamente agressivos."

"Longe de ser uma viagem nostálgica, as emoções fundamentais, atitudes e métodos destas bandas tem relevância concreta para responder à abstração do mundo contemporâneo."

"Na música eletrônica, a mudança veio pela substituição dos sintetizadores virtuais para hardware... ... removendo todos os erros, a vulnerabilidade e a fragilidade do instrumento..."

"Onde está o lado "humano" na engenhosa pose do artista? Quem é ele realmente?"

Pensável.
God-Dog
God-Dog(11.06.10)
1AprovadoQueima
Eu escutei assim que a Resident Advisor resenhou há um tempo atrás, mas confesso que só depois de umas três ouvidas bem atentas eu consegui ver a preciosidade dessa compilação.
CAio C B
CAio C B(11.06.10)
1AprovadoQueima
Jade, essa resenha esta bem descritiva, nao sabia desse lançamento, depois de ler eu já estou na procura.