Cinco anos sem lançar um álbum parece uma eternidade. Depois desse jejum enorme, a cantora sueca Robyn finalmente volta à cena (seu último trabalho, Robyn, saiu em 2005). Mais precisamente, com um mini-álbum de oito faixas. Body Talk Pt. 1 integra um projeto que pretende lançar mais três disquinhos de inéditas ainda este ano.
E a julgar pelas boas músicas deste primeiro, os fãs devem terminar 2010 plenamente saciados pelo pop moderninho da cantora. Mérito também do afiado time de produtores que ela escalou para cuidar das bases instrumentais. Os rapazes do Royksopp, Diplo e Kleerup dividem créditos pelos arranjos eletrônicos.
"Eu tenho notícias para você. Fembots [robô com formas femininas] têm sentimentos também. Você dividiu meu coração em dois", começa Robyn na brilhante "Fembot" (). Sua voz, levemente metalizada por efeitos, emenda sobre uma bateria de fraturar a pélvis. A velocidade das rimas, junto ao teclado frenético ao fundo, é atordoante. Prova de como o pop pode ser saborosamente ousado.
A colaboração com o americano Diplo pode ser adivinhada pelo nome: "Dancehall Queen" (), óbvia referência ao trabalho que ele faz ao lado do inglês Switch no bem-sucedido projeto Major Lazer. (Eles realmente se deram bem explorando o gênero jamaicano.) Baixo obeso, levada esfumaçada, tecladinhos vagarosos... Engraçado que a fórmula que embala rebolations violentos na ilha caribenha casou bem demais com os timbres frágeis da sueca.
Outro bom momento de Body Talk Pt 1., "None of Dem" deixa claro logo na partida a parceria com a dupla norueguesa Royksopp. Trata-se de um tech-house soturno, cujos sintetizadores lembram os momentos mais fanfarrões do agora-homem-sério Anders Trentemoller. Tem aquela atmosfera de pista coberta por brumas, onde clubbers transformados em zumbis por substâncias químicas vagam à procura de miolos.
Na amargurada "Don't Fucking Tell Me What to Do", Robyn reclama do salto, telefone, email, dieta... Nem o namorado sai ileso. A declamação vem sobre um teclado tão ácido quanto suas palavras. A base eletrônica poderia servir ao tipo mais tolo de euro-dance. Mas essa capacidade de transformá-la em instrumento de provocação faz as músicas soarem tão divertidas.
Se as próximas safras do projeto Body Talk vierem tão afinadas quanto esta, a sueca estará perdoada pela sua ausência prolongada. Ao menos, deixará material suficiente para nos satisfazermos pelos próximos anos.