LCD Soundsystem - This is Hapenning
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ficha técnica
Nota: 4.4 / 5
Ano: 2010
Selo: DFA
Estilos: Dance punk, synth pop,eletrônico,rock
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LCD Soundsystem - This is Hapenning
Gaía Passarelli e Jade Gola discorrem sobre as delícias, as incoerências e a importância do grupo de James Murphy no lançamento de seu terceiro disco
20.05.10 18:35
This Is Happening, o terceiro disco do LCD Soundsystem, veio cercado de expectativa. E a banda pode ser acusada sobre muita coisa: de não segurar o tranco pós Sound of Silver, por exemplo. De dar entrevistas com aquelas histórias sobre gravar o disco em Los Angeles como contraste à cinzenta Nova York, dizendo em tom esnobe que este era o "disco da década na hora errada", que poderia ser o último trabalho da banda. Eles podem até ser culpados de não continuar soando frescos e inovadores no papel de banda definidora de uma geração.

Tudo isso estava na mesa quando "Drunk Girls", primeiro hit a vazar, surgiu de repente, anunciando um LCD totalmente rock e nova-iorquino - são óbvios os ecos de Velvet Underground. Logo em seguida veio "Pow Pow" e não demorou para que todo o disco fosse jogado aos leões via torrent mundo afora. E, como em todos os grandes discos - e este é um grande disco - as opiniões não são unânimes.


A rebelião infantil e joselita dos ursos contra a banda em "Drunk Girls"

Numa primeira audição ficam claras outras menções ao som do LCD: Talking Heads ("Somebody's Calling Me"), "Heroes" do Bowie ("All I Want") e mesmo o LCD das antigas ("Pow Pow"). Além do excesso de referências - coisa que não havia no seminal e definidor Sound of Silver - fica também a pergunta: cadê o LCD solar cheio de inspiração disco californiana prometido? E, mais importante ainda: aonde o LCD se situa neste momento, e aonde a banda pmode chegar depois de This is Happening?

O disco traz novas delícias e incoerências do LCD. Como a música metalinguística (canções que falam sobre fazer música), além das redenções sobre o amor e o esforço de James Murphy em se entregar ao ouvinte, contando causos do amor e da vida jovem do século 21, martelando sempre sua culpa (e o prazer) de ser um cara über cool. A música aqui evolui da semente plantada em Sound of Silver, definidor de identidade, e demonstra ânsia e crise existencial sobre qual rumo seguir.

O excesso de homenagens, como a desnecessária versão de "Heroes" em "All I Want" e o delicioso grude Human League de "I Can Change", é fruto não de alguma característica atual da banda, mas sim da música hoje: cheia de possibilidades, mas sempre remetendo com angústia a um passado sonoro não muito distante. É só ouvir e ler as letras do 1º disco do MGMT, que sintetizou tão bem este sentimento.

Flash Content
LCD Soundsystem - I Can Change (mp3)

Um fato irrecusável de This is Happening é que James Murphy acabou se metendo sozinho na sinuca de bico criada com a crítica "Losing my Edge", lá em 2005: ninguém hoje na música cospe mais conhecimento e referências musicais como ele, quase um esnobe. Mas é inegável como ele, ex-técnico de som, se esforça mais e mais como músico, e o resultado é um disco feito de coração, em que Murphy até arrisca com sucesso falsetes e variações tonais, provando ser um bom cantor. Por isso que não faltam comparações, e por isso que os sentimentos são díspares - e as críticas tão angustiadas quanto o disco, mesmo que no fundo a conclusão seja a mesma: o LCD está no auge da sua maturidade sonora, transborda aura pop e mexe com as paixões de seus fãs e o cenário musical.

Se resolver parar, James Murphy terá encerrado uma banda de sucesso no seu melhor momento. Se continuar, que novas faixas e o 4º quarto disco venham com ainda mais rigor musical e novas idiossincracias, pois esta é a graça de seguir a carreira de um artista.

LCD Soundsystem @ Coachella 2010: a disco ball gigante não é mero elemento decorativo
LCD Soundsystem @ Coachella 2010: a disco ball gigante não é mero elemento decorativo


Esta tensão sobre que rumo seguir tem um relaxamento no álbum a partir de "One Touch", no meio do disco, bem Gary Numan. "I Can Change" (a "Someone Great" do álbum?) é de reconhecer a banda de olhos vendados, e isso é prova de uma banda no controle. E "You Wanted a Hit" pode ser bem um exemplo desse LCD 2010: é contida e bem feita, com a ironia esperada e dada a bons remixes - a mea culpa de Murphy no verso "Yeah, você queria algo inteligente / mas sinceramente eu não sou inteligente / na real nós nunca somos" é uma coisa tão nova-iorquina...

Numa coisa o LCD atual não peca: com tudo isso, ainda soa como nenhuma outra banda. E se This Is Happening não confirmar, no tempo certo, o poder de influência de Murphy e sua crew, tudo bem, está perdoado. Mas confirmado o poder de persuasão da banda, em breve eles serão reconhecidos como o Talking Heads de nossa época.

Flash Content
LCD Soundsystem - Home (mp3)

Até porque, na falta de "All My Friends" podemos muito bem ir de "Home", épica e eletrônica, perfeita para ser bem aplicada à pistas de dança em momento de comunhão. Sua letra abstrata, que mistura medos e tensões sempre dissipados pelo esclarecimento e a busca pela diversão (o hedonismo dos nossos tempos), encerra bem o disco com a alegria contida necessária para relaxar os corações impulsivos da geração de 20-30 anos. "Se você tem medo do que você precisa / olho ao redor, você está cercado / as coisas não poderiam estar melhor", diz Murphy. E ele está mais que certo.
MP3
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LCD Soundsystem - One Touch (mp3)

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LCD Soundsystem - You Wanted A Hit (mp3)

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LCD Soundsystem - Pow Pow (mp3)

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LCD Soundsystem - Somebody's Calling Me (mp3)


Gaía Passarelli
Gaía Passarelli
YYSSW
Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
comentários
12 comentários
Leno
Leno(23.05.10)
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Queria muito ter o entusiasmo encima desse disco. Mas pra mim o disco do ano é de Flying Lotus, ali sim, a vanguarda faz sentido.
 Markan
Markan (21.05.10)
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@Raul Cornejo - Sim, todo mundo sabe que Faixa Longa é mais difícil de tocar em rádio mas nem toda faixa longa é criada primordialmente sob essa diretriz: "... assim como limitar a exposição nas rádios."

Causa não é conseqüência. Entenda, você ATÉ PODE tá certo.


Raul Cornejo
Raul Cornejo(21.05.10)
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David, não é achismo pq QQER ARTISTA q faça faixas tão longas num álbum q se pretende pop SABE MUITO BEM q esse é o preço q vai pagar. Então É intencional.
 Markan
Markan (21.05.10)
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@Raul Cornejo

Mas realmente foi uma das primeiras coisas me chamou atenção quando escutei o álbum e eu achei que funcionou bem, tanto nas faixas progressivas(nem precisa explicar o porque de serem longas) como nas repetitivas(não achei redundante porque o formato também é mensagem e caiu como uma luva)
 Markan
Markan (21.05.10)
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@Raul Cornejo

Eu também não acho achismo isso: -> "Achismo não é, David. Isso é regra desde q a pop music existe no formato q a conhecemos até hj (década de 50): música longa "aliena" o público." Concordo e entendi o que você quis dizer. Eu me referi que escrever isso no texto: -> "A intenção é justamente exigir mais do ouvinte, assim como limitar a exposição nas rádios." era um pouco de achismo porque podemos facilmente criar mais 3 ou 4 interpretações sobre qual era a intenção de faixas tão longas. Acho que só mesmo entrevistando o James Murphy para saber.