A banda de indie rock canadense
Broken Social Scene, fundada em
1999 por Kevin Drew e Brendan Canning, está lançando seu quarto álbum,
Forgiveness Rock Record. Dessa vez, com edição viva, o grupo não está tão áspero e desgrenhado como seu trabalho anterior, nem se sente como se algo estivesse desmoronando. Mantendo sua identidade ousada e comprovando que o trabalho em (uma grande) equipe funciona, percebe-se um foco aperfeiçoado.
O atual núcleo do BSS é composto por nada menos do que sete pessoas (e já foi maior!), incluindo
Leslie Feist, membros do Stars e do
Metric. Daí o rico conjunto de texturas em sua sonoridade, com estruturas incomuns de canções e um estilo de produção experimental (e às vezes caótico) de David Newfeld. Esse coletivo é determinado a evitar clichês - é ambicioso, impetuoso e arrojado. Uma única canção tem idéias suficientes para manter produtiva uma banda menor por alguns anos. Durante a turnê, a banda toca com os membros disponíveis.
O grupo estreou com o post-rock meticulosamente construído de
Feel Good Lost (2001). É o tipo de disco simultaneamente intrincado e sutil, que para ser plenamente vivido, exige uma audição reservada, protegida do mundo exterior. O debut não tem a originalidade de seu sucessor,
You Forgot It In People (2003), mas compartilham uma atmosfera íntima e melancólica.
O segundo álbum trouxe prestígio ao Broken Social Scene. Apresentou a mistura de vários estilos, com todos os elementos perfeitamente harmonizados. O disco tem atmosfera etérea e densa, mas é vivo e impetuoso. Com enorme quantidade de criatividade não filtrada e energia cinética, o resultado foi um disco poderoso, comovente, genial. E então lançaram o terceiro disco, homônimo, em 2005. A elegância da banda explodiu em um borrão de guitarras, muita distorção e uma produção desarticulada. Foi um álbum mais livre e excêntrico.
No trabalho mais recente a sonoridade está enxuta, aparada, podada - provavelmente isso se deve, em parte, a redução na quantidade de integrantes no BSS. Com um grupo mais estreito envolvido, parece que as músicas também tomaram essa forma. O caos do passado diminuiu, criando uma ordem que torna o disco mais conciso. Forgiveness centra-se mais na acessibilidade do que na abstração. Outra mudança é que Feist contribuiu apenas com backing vocals nesse trabalho, cedendo lugar a Lisa Lobsinger, que preenche muito bem a lacuna.
Trata-se de um bom disco, com alguns grandes momentos. E a verdade é que mesmo com as mudanças, o Broken Social Scene continua lá, mantendo seu nível de consistência. Acontece que eles encontraram uma maneira de fazer suas experimentações de um jeito mais suave e discreto. Como nos álbuns anteriores, as músicas percorrem diversos sons e texturas, e chegam armadas com um milhão de idéias.
Entre os destaques desse álbum de 14 faixas está a brilhante "World Sick", que abre o disco de um jeito contagiante, estabelecendo o tom desse lançamento. Em seguida, chega "Chase Scene", cheia de suspense, com direito a piano, bateria eletrônica, violinos e sintetizadores obscuros. Seus refrões avançam cada vez mais frenéticos. "Texico Bitches" é um divertido indie-pop suave - BSS puro, apenas mais limpo.
A faixa 4, "Forced To Love", cuja apresentação você confere no vídeo, é outra canção contagiante, apesar do nome bobo. A irônica "Ungrateful Little Father" tem aparente simplicidade, mas é composta por muitos sons e instrumentos diferentes. "Meet Me In The Basement" é um excelente instrumental que soa como se esperasse um refrão alegre, mas ele nunca chega. E isso realmente não importa.
O Broken Social Scene é uma unidade sólida que faz jus à soma de seus raros talentos individuais. Suas músicas têm equilíbrio, e eles ainda fazem parecer fácil com canções incrivelmente cativantes e melodiosas. Para tanto, não recorrem à simplicidade. Eles realmente nos fazem lembrar por que amamos o indie rock através da experimentação perfeita, da ousadia de tudo.