Broken Bells - Broken Bells
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2010
Selo: Columbia Records
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Broken Bells - Broken Bells
Uma fusão genuína de forças
05.04.10 12:45
Considerada uma das parcerias musicais mais improváveis dos últimos tempos, o duo norte-americano de indie-rock Broken Bells nasceu da diferença acentuada entre seus criadores.

O lançamento recente de seu debut homônimo confirma o sucesso da lei de atração dos opostos da física moderna, com um material melódico e experimental em proporções iguais, além da ampla gama de sonoridades trazidas na bagagem de cada membro.
Uma das metades do projeto corresponde a James Mercer, líder de uma das bandas de indie mais respeitadas dessa década, o The Shins. Introvertido e perfeccionista, o vocalista, guitarrista e compositor de melodias sublimes é o responsável pela visão singular que impulsiona sua primeira banda, revelando sua aparente aversão pelo trabalho em equipe.

Por outro lado, o produtor Brian Burton, mais conhecido como Danger Mouse, completa a dupla com seu talento nato de melhorar as peculiaridades inerentes a seus parceiros. Sua especialidade é a experimentação, os desajustes brilhantes, criando misturas de músicas associado a outros artistas. Em seu respeitado Grey Album, de 2004, ele combinou Beatles e Jay-Z. No projeto Gnarls Barkley, ele colaborou com a crescente abertura do indie rock para o hip-hop e o R&B.

Broken Bells


Em 2004, após se encontrarem em um festival dinamarquês de música e se descobrirem fãs um do outro eles decidiram trabalhar juntos. O primeiro trabalho da dupla foi na elaboração de uma faixa para o projeto de David Lynch e Sparklehorse, Dark Night of the Soul. O Broken Bells captou o espírito desse álbum cativante centrado na perda pessoal.

A ótima e excêntrica combinação desses dois nerds peritos em pop produziu arte de boa qualidade. O Broken Bells dá menos ênfase nas letras e concentra-se no clima e no ambiente, a fim de explorar o ponto forte de Burton com suas variações arrojadas. O multi-instrumentista exerce controle criativo sobre a obra, com estilo pessoal forte, acelerando um processo normalmente fatigante para o vocalista do The Shins.
Escondidos no estúdio de Burton em Los Angeles no começo de 2008, a dupla produziu trinta e sete minutos e meio despretensiosos, com auto-avaliação rigorosa, a ponto de rearranjos de última hora terem sido recorrentes durante o processo. Canções pessoais tiveram elevados seu nível de ambigüidade, já que refletiram a cumplicidade entre duas mentes sobrecarregadas.

As letras são sobre solidão e rompimento - talvez se refiram às recentes decisões profissionais de Mercer (ele praticamente demitiu dois membros do The Shins). As melodias do vocalista são dispostas adequadamente na atmosfera sonora densa e transparente construída por Burton através da sua marca registrada: a fusão de samples enraizados no hip-hop e batidas com a psicodelia vintage.

O disco abre com o single líder, a pessoal "The High Road". Os sintetizadores improvisados e a percussão lenta proporcionam uma cama para o refrão crescente. Em seguida, chega "Vaporize", um dos momentos em que é possível lembrar dos outros trabalhos dos pais do projeto. A neo-psicodélica "Your Head Is On Fire" é discreta e etérea, com coral em torno de seus versos.



A faixa 4, "The Ghost Inside" é um dos destaques do álbum. Trata-se de uma jóia pop com vocal irreconhecível. Nela, temos a perfeita harmonia de refrões espumantes e ritmos agitados. "Sailing to Nowhere" é uma valsa em atmosfera nebulosa. "Trap Doors" é cativante e beneficiada por alguns sintetizadores extra. A sétima canção, "Citizen", é pomposa e psicodélica, "October" é um pop barulhento e "Mongrel Heart" é dançante, com baixo bem marcado. O disco é encerrado pela complexa "The Mall & Misery", que começa com uma viagem de violões e teclados, para então se desviar em guitarra pós-punk e sintetizadores.



O Broken Bells não substitui o trabalho principal de Mercer e Burton, nem está no nível das melhores realizações de cada um. Algumas canções parecem minguadas. Mas como projeto paralelo, eles realmente acertaram. O conjunto das canções é muito bom e é notável como a dupla teve o cuidado de não misturar seus trabalhos individuais. O debut nunca soa como um disco do The Shins com batidas, ou um álbum de hip hop com guitarras. Temos aqui uma fusão genuína de forças. Mais dez canções já foram escritas e estão prontas - o Broken Bells olha o jogo para estar aqui a longo prazo. Com altos padrões já estabelecidos em seu lance inicial, só nos resta esperar e seguir os conselhos do duo em "October": "Não corra, não se precipite, apenas flutue".

Vivian Reis
Vivian Reis
Vivian é jornalista e vê a música como um meio de comunicação.
comentários
2 comentários
Diego Medeiros
Diego Medeiros(08.04.10)
0AprovadoQueima
Putz ... fiquei fã.
CAio C B
CAio C B(05.04.10)
3AprovadoQueima
Vivian, muito obrigado por ter escrito essa resenha, pela leitura fiquei com vontade de escutar esse projeto e outros mencionados no texto. Vou escutar e comento melhor a respeito.