Holly Miranda - The Magician's Private Library
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ficha técnica

Ano: 2010
Selo: XL Recordings
Estilos: indie, rock, pop
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Holly Miranda - The Magician's Private Library
Faixas recheadas de metais, cordas, sintetizadores, órgãos e ruídos
01.04.10 11:55
Do reino encantado do Brooklyn, Nova York, vem The Magician's Private Library, primeiro disco-solo da cantora Holly Miranda (ex-Jealous Girlfriends). O debut conta com produção de Dave Sitek, do TV on the Radio - uma das bandas mais interessantes do efervescente bairro nova-iorquino.

Embora possuam estilos diferentes, os diversos grupos e artistas surgidos no Brooklyn nos últimos anos têm algumas características em comum: aliam experimentalismo e pop e vão além da fórmula (pra lá de desgastada) vocal-guitarra-baixo-bateria. Neste quesito, The Magician's... faz jus à herança local: suas faixas são recheadas de metais, cordas, sintetizadores, órgãos e ruídos. Já na mistura entre o experimental e o pop, o disco deixa um tanto a desejar. A impressão que se tem é que Holly gravou a maior parte das músicas no esquema voz e guitarra (ou piano) e, sobre essa base, foram sendo adicionadas camadas e camadas de instrumentos e efeitos eletrônicos. O resultado é bem mais interessante do que o registro voz e guitarra, mas não é tão intrigante quanto o som de Grizzly Bear, Dirty Projectors ou do próprio TV on the Radio.

Enquanto nessas bandas o experimentalismo é algo intrínseco, em Holly Miranda parece ser superficial. Embaixo das camadas de instrumentação e ruídos restam apenas melodias simples e nenhuma ousadia rítmica. Além disso, tanto o timbre da voz, quanto a maneira de cantar e as composições um tanto deprê de Holly são muito parecidas com Cat Power - embora ela jure de pés juntos que não foi influenciada por Cat Power e sim por Nina Simone, sua música aponta o contrário.

Por outro lado, temos que levar em conta que utilizar como parâmetro de comparação essa safra de bandas excepcionais do Brooklyn é injustiça, ainda mais se tratando de uma estréia. Analisando fora desse "contexto geográfico" específico, The Magician's Private Library é um disco bom e bastante coeso.

Desde a foto de capa até os nomes de certas canções, o trabalho todo possui um clima onírico - mas nem sempre os sonhos são tranqüilos, como mostram os versos "Wake up and you're next to nothing/ But the weight of the world is on your side/ Most days you don't even notice/ But that's a lie" (de "Slow Burn Treason") e "Every time I go to sleep I kick and scream and dream a little bit/ Violently awakening to what's real is really bullshit/ And there's no light for me" (de "Every Time I go to Sleep"). No caso desta faixa, é interessante notar que a música segue o caminho oposto da letra: tanto a melodia quanto a maneira de cantar de Holly são extremamente doces, quase infantis - e a presença de uma celesta (ou um sintetizador emulando som de celesta) reforça ainda mais essa característica.

Já as faixas "Sweet Dreams" e "Sleep on Fire" chamam a atenção pela beleza. Ambas possuem uma certa grandiosidade no arranjo, mas passam longe da pomposidade vazia. São músicas emocionais, intensas, verdadeiras. E se The Magician's Private Library tem uma qualidade exemplar é a sinceridade impregnada em cada canção. Mesmo reconhecendo os problemas do disco, é praticamente impossível ouvi-lo sem fechar os olhos e sonhar, sonhar...
MP3
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Holly Miranda - Everytime I Go To Sleep (mp3)

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Holly Miranda - Sleep On Fire (mp3)

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Holly Miranda - Sweet Dreams (mp3)


Raquel Setz
Raquel Setz
Barulhos, experimentações e esquisitices em geral
comentários
3 comentários
Raquel Setz
Raquel Setz(15.04.10)
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Brigada, Rodrigo.

De cara, também fiquei com a impressão de que se tratava de um "disco de produtor" e, se não fosse o dedão do Sitek, Holly Miranda seria uma mera cópia da Cat Power. Mas pesquisando na internet, descobri que partiu da Holly a ideia de usar barulhos e instrumentos diferentes e que inclusive foi ela própria quem tocou vários desses instrumentos. Ao contrário de Johanson, que tá brincando de ser cantora, Holly realmente sabe o que tá fazendo. Talvez seja justamente por saber que queria um clima onírico e experimental que ela tenha chamado Sitek. Enfim, são especulações... mas que é um belo disco e que a moça não tá na música a passeio é fato.
Rodrigo Roman
Rodrigo Roman(03.04.10)
0AprovadoQueima
bela resenha, Raquel!
vale deixar uma impressão minha sobre a produção do álbum: é produto do Sitek. já faz um tempo ele já vem demonstrando o quanto as produções dele tem a cara da 4AD dos anos 80 e 90, carregada de uma atmosfera etérea, onírica...coisa q as bandas shoegazer da época faziam primordialmente. exemplos do "estilo Sitek" aplicados neste a gente pode encontrar nos discos das Telepathe e da Scarlet Johansson (bem fraquinho por sinal) ;-]
 Markan
Markan (01.04.10)
3AprovadoQueima
Bem bom. Valeu!