O quarteto londrino
New Young Pony Club, formado em 2004 e altamente influenciado pelo pós-punk e pela new wave, acaba de lançar seu segundo álbum,
The Optimist. Após uma
estréia bem sucedida, o grupo continua acrescentando novas tecnologias a uma sonoridade que teve seu age há 30 anos, mas, em nova gravadora, seu pop despojado está mais sério.
Com a saída do baixista Igor Volk, o NYPC conta agora com a vocalista Tahita Bulmer, o guitarrista Andy Spence (parceiro de composição de Ty), Lou Hayter, nos teclados, e Sarah Jones, na bateria. A versatilidade e a energia de Bulmer destacam-se no grupo. Ela salta, com desenvoltura e carisma, de um cantar sutil para um tom com mais atitude e agressividade. Algumas vezes o vocal soa melancólico, outras, sensual.
O primeiro disco,
Fantastic Playroom, de 2007, é uma impressionante coleção de singles. O grupo realmente veio como uma promessa, com hits como "I
ce Cream", "
Get Lucky" e "
The Bomb". Tratava-se de uma divertida e intensa mistura de Tom Tom Club, New Order, Talking Heads, Blondie, entre outros. Mas apesar de transbordar pop contagiante, paradoxalmente havia algo ligeiramente insípido no disco.
No mesmo ano da estréia, Bulmer revelou que ela e seus companheiros já estavam preocupados com os caminhos que a gravadora new rave australiana
Modular reservava para eles. Assim, eles tiveram que se contentar com um trabalho muito bem acabado, porém, superficial, totalmente direcionado para ingressar no mainstream.
Nos três anos desde então, o NYPC se desenvolveu, ainda que a banda mantenha o pé firmemente ancorado nos anos 80. Montou sua própria gravadora, The Numbers, e aprofundou tudo, mantendo a sedução. Diferentemente da estréia,
The Optimist soa mais natural. O som está mais livre e charmoso, ao invés de se apoiar no humor vestido de obscenidades. Está menos disco, e a percussão está contida.
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New Young Pony Club - The Optimist (mp3)
Sob melodias luxuosas, dessa vez reside uma sutil melancolia. O resultado é um pop talentoso e consistente. Porém, o novo material não tem o brilho mágico de antes. Sem os hits da magnitude de antigamente, será difícil conseguir o mesmo impacto pela segunda vez.
O álbum abre com as matadoras "Lost A Girl" e "Chaos", marcadas por um pop brilhante cheio de paradas, recomeços, refrões agitados e vocais que não tem a indiferença falsa da estréia. O grupo já mostra um desejo de mudar por meio da exuberância do sintetizador, e do baixo mais independente. A força do baixo e da bateria na faixa-título lembram The Cure e acenam para Siouxsie Sioux, enquanto a tecladista se encarrega da psicodelia. As disposições de camadas de harmonias vocais na canção dão um tom gótico.
"Stone" é hipnótica, onírica e frágil. "We Want You" é um hit óbvio do tipo descartável. Dançante, segue com desenvoltura e alegria em um refrão muito longe de ser elaborado: "Nós queremos você! Eu não quero fazer nada disso sem você!". "Dolls" é uma das músicas que mais lembram B52's. A faixa 7, "Before the Light", é séria e exige que Bulmer se liberte um pouco de sua presença de palco. É uma bela música, na qual a vocalista exibe elegância acompanhada da delicadeza do teclado e do backing vocal. O disco é encerrado com o romantismo de "Oh Cherie", o pop discreto de "Rapture" e a frieza de "Architect of Love".
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New Young Pony Club - Before The Light (mp3)
Alguns gêneros musicais são celebrados e revividos tantas vezes que, na verdade, nunca saíram de cena, mudando apenas de roupagem. Sem a menor dúvida, o som do NYPC se aproveita disso indiscriminadamente. No começo dos 00's, foi realmente refrescante o som de todas aquelas bandas de indie-rock redescobrindo os ângulos oblíquos do pós-punk e os últimos vestígios da contracultura da new rave. Mas com o tempo eles se desbotaram.
E a verdade é que o NYPC chegou atrasado para a festa. A banda merece crédito por fazer exemplos muito competentes do gênero e demonstrar desejo de evoluir, mas não há nada surpreendentemente novo.
The Optimist é o primeiro passo, mas se o grupo deseja amadurecer efetivamente, ele deveria deixar para trás os detritos de um gênero desgastado e buscar a própria identidade.