Desde segunda-feira passada, Plastic Beach está disponivel para audição no no site do jornal inglês Guardian. Ouça aqui.
Se pra você os nomes
2D, Murdoc Niccals, Noodle e Russel Hobbs não significam nada, eu sinceramente não sei onde você esteve nos últimos dez anos. Criado por
Damon Albarn (ex-Blur) e
Jamie Hewlett em 1998, o grupo virtual
Gorillaz, formado por personagens animados, está de volta.
A primeira faixa de
Plastic Beach, o terceiro disco do grupo, pode soar um pouco estranha aos ouvidos acostumados a
Gorillaz (2001) ou
Demon Days (2005), os dois primeiros trabalhos.
"Orchestral Intro (ft. Sintonia ViVa)" é apenas uma demonstração de o que vem pela frente é grandioso, uma obra completa. Mas sem pressa.
Plastic Beach é complexo e necessita ser ouvido de ponta a ponta - um álbum conceitual, no final das contas.
Em seguida, "Welcome to the World of the Plastic Beach", com Snoop Dogg, dá as boas vindas ao ouvinte e convida para um passeio a algo como o "fantástico mundo do Gorillaz". Em poucos minutos de audição do disco, fica claro que Albarn e Hewlett conseguiram novamente criar um universo complexo de referências, estilos e imagens que faz mais sentido do que nunca quando colocados juntos sob o nome da banda.
Embora a essência seja a mesma, o Gorillaz mudou. Ou como definiu Hewlett em uma entrevista em 2008: "O Gorillaz agora, pra nós, não são mais quatro personagens animados - é mais uma organização de pessoas trabalhando em novos projetos. Queremos oferecer coisas novas".
As participações de artistas tão diferentes quanto Lou Reed e Mos Def, Little Dragon e Snoop Dogg ou Gruff Rhys (aquele do Super Furry Animals) e De La Soul logo mostra sua importância na criação deste, que é desde já um dos 10 melhores discos de 2010.
As muitas partes instrumentais clássicas, interpretadas por orquestras, cercadas de influências hip hop, eletrônicas e dub, dão um tom diferente no novo trabalho, mostrando - mais do que alguns críticos chamarão de evolução - um interesse em fazer um disco musicalmente mais interessante.
"Overload, overload, coming up to the overload"
"Stylo", a quinta faixa do álbum, já é um hit. Com a participação do lendário Bobby Womack e do gênio Mos Def (que passa um pouco despercebido aqui), não tem como ficar indiferente à batida eletrônica da faixa que às vezes cai para o soul (ou ao seu refrão). O clipe da música também mostra toda a criatividade de Hewlett, que é também responsável pelos vídeos da banda, combinando live action e animação. E uma surpresa: a participação do "duro de matar" Bruce Willis.
O uso de vozes conhecidíssimas de vários estilos também deve conquistar fãs, ou seja, pode incluir na lista que aquela heterogeneidade de público que o Gorillaz consegue alcançar desde a sua estreia só deve crescer.
Na faixa "Some Kind of Nature", por exemplo, fica impossível não reconhecer a voz do mestre do Velvet Underground, Lou Reed.
Quem gosta de Little Dragon, outro convidado especial do disco, também deve curtir as faixas "Empire Ants" e "To Binge", que tem até partes cantadas pela vocalista Yukimi Nagano.