Husky Rescue - Ship of Light
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ficha técnica
Nota: 3.5 / 5
Ano: 2010
Selo: Catskills Records
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Husky Rescue - Ship of Light
Novo álbum oscila entre extravagância e fragilidade.
26.02.10 16:45
Você sabe como é viver em um país gelado, onde o sol simplesmente não aparece durante cerca de 50 dias em seu implacável inverno, cujas temperaturas chegam a -20ºC? O quinteto finlandês Husky Rescue sabe, e expressa a atmosfera a qual estão habituados através de som.

A banda de ambient-pop fundada em 2002 pelo multi-instrumentista Marko Nyberg acaba de lançar seu terceiro álbum, Ship of Light. O clima continua envolvente e imaginativo. A ênfase permanece na fantasia, a essência glacial continua, mas ocorreram algumas mudanças em sua direção.

A música do Husky Rescue expressa muito o clima de sua terra natal. Quando não aquece as intermináveis noites de inverno ou combate o frio da vida cotidiana em qualquer parte do mundo, as canções soam como odes ao clima quente, ao brilho do sol, à alegria, remetendo aos contínuos dias ensolarados de verão da pátria nórdica.

Husky Rescue: nórdicos

Algumas vezes, a proposta do grupo parece ser a produção de canções para contos de fadas e elfos, com guitarras lânguidas, outras, exercícios mais espalhafatosos com vocais mais enérgicos abrindo caminho para a turbulência de sintetizadores. Sua música é imagética, visual, como uma trilha sonora em que você cria seu cenário - o próprio Nyberg declarou sua intenção de fazer uma espécie de música cinematográfica, com um alcance abrangente e autêntico. A obra de David Lynch, inclusive, foi citada pelo compositor como uma de suas referências.

O vocal afetuoso de Reeta-Leena Korhola é um capítulo à parte. Sua voz é doce e suave, e seu jeito é adorável, nerd e tímido. As batidas cadenciadas, as guitarras e os violões se entrelaçam com fluidez em torno dela, tornando tudo surreal, fascinante e mágico. Nyberg e Korhola trabalham bem em conjunto, na medida em que o lamento inocente dela encontra a emoção alegre e incompleta dele.

O delicado debut do grupo, Country Falls (2004), foi marcado por um dream-pop de boa qualidade com influências folk, instrumentação orgânica e poucos, mas comoventes, samples. O Husky Rescue se apresentou como um convite cheio de calor, sensualidade e urbanidade brilhante. Um pouco mais frio e sombrio, Ghost Is Not Real (2007), chegou com as intenções originais, leve e bucólico.

Ship of Light mantém as gotas de melancolia e a sensibilidade melódica, mas está menos chill out. A maior parte do álbum realmente é calma, mas está mais experimental, eletrônico, pessoal, hipnótico e misterioso. Esse disco está mais complexo do que os anteriores.

Não há tanto espaço pra pensar, pois fizeram música ambiente com muitos níveis de atenção sonora, sem uma aplicação em particular. Exige atenção. Em princípio, as músicas parecem simples, mas é possível encontrar mais a cada audição. Os minutos foram detalhadamente produzidos. As faixas soam diferentes entre si, mas um estado de espírito primordial prevalece.

O álbum começa com a sinistra "First Call", uma música ambiente de um minuto. "Sound of Love" dá continuidade com a voz delicada de Korhola em um pop atraente. A faixa 3, "Fast Lane", como o nome sugere, é rápida, mais enérgica e possui algumas guitarras tempestuosas. Em seguida chega "Wolf Trap Motel", com melodias country. Ela começa instrumental, e em sua segunda metade ganha um pouco de velocidade e a sedução de Korhola.



Os violinos tristes de "Man of Stone" dão o tom da canção. "When the Time Was on Their Side" inicia a segunda metade do álbum oscilando entre a melancolia e o vigor. Tem algo de sombrio que parece já chamar "Grey Pastures, Still Waters", que a sucede. Este é um momento bonito do trabalho, uma viagem composta de sintetizadores, violão sutil e alguns ‘la-la-las'. É solitária, ávida de luz e parece ser uma das partes do disco que foram gravadas no estúdio da banda em uma floresta ao ar livre, já que é possível ouvir o pipilar de pássaros.

Flash Content
- (mp3)

A faixa 8, "We Shall Burn Bright", é o destaque do disco, com cinco minutos de instrumentação intrincada. É esquizofrênica e frenética. Vai do electro-pop ao sombrio. Começa com a melodia de sintetizadores indo de encontro a uma batida forte, até que se transforma em um número de dança com luzes transitando entre as guitarras e o órgão psicodélico. O álbum é encerrado com os vocais sussurrados de "They Are Coming" e "Beautiful My Monster".

Flash Content


O mais novo do Husky Rescue deve agradar aos fãs do pop adulto da banda e manter a banda sem muita exposição. O projeto é interessante: tende à timidez e, ao mesmo tempo, tem ímpeto. Nyberg se mostra ambicioso com seus arranjos e justamente por isso corre o risco de vacilar quando oscila entre a extravagância e a fragilidade. O equilíbrio desejado é perturbado em alguns momentos quando ele não detém suas idéias, o que pode soar confuso ou, até mesmo, bizarro. Seja lá como for, vale a pena conferir.

Vivian Reis
Vivian Reis
Vivian é jornalista e vê a música como um meio de comunicação.
comentários
7 comentários
Giovanni
Giovanni(13.05.10)
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Realmente, esse album do husky rescue é excelente, é uma banda que tenho um puta respeito, ate mesmo pela sua originalidade!
Mary Zander
Mary Zander(04.03.10)
1AprovadoQueima
linda a música deles, uau. conhecia a Summertime Cowboy, mas numa versão remixada pelo Serge Santiago, boa demais!

ótima resenha... ;)
Rods On The Rocks
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Esse álbum é um pouco menos digerível que os anteriores mas, esse élbum é uma prova da consistência da banda que continua a ser uma das minhas dez preferidas...
God-Dog
God-Dog(01.03.10)
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Poucas bandas conseguem fazer musicas com identidade musical inerente sem soar mais do mesmo. Excelente resenha, ótimo álbum.
Fabio Spavieri
Fabio Spavieri(01.03.10)
1AprovadoQueima
Gostei do álbum.