Dupla canadense apresenta mistura furiosa de baquetas e teclados analógicos
21.02.10 20:30
Eles têm um som mais orgânico e enérgico que a maior parte dos grupos que produzem música eletrônica atualmente - e talvez por isso seja adequado dizer que a dupla canadense Woodhands faça electro-rock. Não que haja guitarras distorcidas nas canções, pois o mais próximo que eles chegam disso é com o keytar que usam durante seus shows incendiários. E as apresentações realmente impressionam (dê uma olha no vídeo abaixo).
O apreço pelo orgânico também aparece no nome. Segundo Dan Werb - um dos integrantes, ao lado de Paul Banwatt -, ele batizou o projeto de Woodhands para deixar claro aos ouvintes que, por trás do som eletrônico, havia um toque analógico na sonoridade que estava produzindo. Ao ouvir Remorsecapade, segundo álbum da dupla lançado em janeiro pela Paper Bag, chega-se a conclusão de que nem haveria a necessidade ser tão explícito.
Qualquer ouvido mais atento nota que os timbres de teclado são substanciosos demais para ter saído de um computador. Os graves preenchem o espectro sonoro pra valer. Tanto "CP24" quanto "Sluts" mostram isso muito bem, e com frases melódicas boas o suficiente para arrepiar os cabelos de qualquer entusiasta de sintetizadores com botões reais.
As linhas de bateria também não soam como se feitas de plástico - Banwatt é um baterista bem treinado nas artes dos pratos e bumbos. Em "Coolchazine", a pauleira que vêm de suas baquetas é impressionante... Tudo anabolizado por teclas enraivecidas e pelos vocais de Werb num arroubo pós-grunge. Som digno do Metronomy num dia de fúria.
Ao longo da audição, nota-se que a combinação de bateria e teclados tensos se repete um tanto. O timbre dos vocais não é exatamente instigante, mesmo quando apela para a gritaria. Mas com linhas de baixo tão boas quanto as de "I Should Have Gone With My Friends" (o nome também é ótimo), esses pequenos problemas pouco importam. Aproveite a folga das guitarras e curta o som anti-digital do Woodhands.