A primeira jóia de 2010 está prestes a ser lançada oficialmente nos EUA e na Europa. Luxuoso, o terceiro álbum da dupla
Beach House,
Teen Dream, é indubitavelmente mais comovente do que o impressionante debut homônimo de 2006 e do que o intenso
Devotion, de 2008.
Estreando na gravadora
Sub Pop, a vocalista e organista Victoria Legrand e o multi-instrumentista Alex Scally gravaram e produziram o disco com Chris Coady (
Yeah Yeah Yeahs,
TV on the Radio,
Grizzly Bear) em uma igreja que virou estúdio em Nova York. Serão distribuídos também um LP e um DVD contendo um vídeo para cada música do álbum.
O Beach House, diferentemente do que o nome possa sugerir, não faz um som colorido, e alegre. Sua proposta intimista está mais para outono/inverno do que para primavera/verão - evoca a desolação da temporada posterior a estadia numa casa de praia. A música deles é laranja, translúcida.
Os ritmos são lentos e atmosféricos, daí a insistência em rotularem o estilo da banda formada em 2004 como "dream pop". A voz de Legrand é freqüentemente comparada a de Nico e Hope Sandoval, do Mazzy Star. É fascinante e hipnótica. Ela encontra um tom em seu contralto que pode deixar os ouvintes de primeira viagem em dúvida se é um homem ou uma mulher quem canta. Scally, seu amigo de infância, completa a dupla com uma instrumentação sedutora. É notável a sintonia entre os dois.
Apesar de muito delicados, os álbuns anteriores por vezes remetiam escuros hinos fúnebres, sombrios, úmidos, sinistros, ásperos, com órgãos que gemiam, faixas coaguladas, que rastejavam. Estava abolida a diferença entre encantador e assustador.
A essência do Beach House (felizmente) permanece a mesma - autenticidade, atmosfera cintilante, mistura homogênea de melancolia e pop. Legrand continua cantando sobre o desejo, perda e sonhos, porém, as canções estão mais nítidas, mais claras, mais ousadas.
Teen Dream é o resultado do amadurecimento de uma banda que já era excepcional. Os órgãos estão mais controlados, nunca sangrando caoticamente como antes. A melodia e os ritmos avançaram na variedade, na densidade. Há um nível diferente de intimidade. E nada mais apropriado do que abrir um disco intitulado
Teen Dream com uma canção que tem o nome de um animal selvagem. Elegantemente, "Zebra" abre caminho com um belo arranjo, no qual o órgão é economizado. "Silver Soul" dá continuidade sob uma harmonia passional e uma escorregadia guitarra.
A misteriosa "Norway" demonstra complexidade e riqueza sonora. O piano dá o tom lírico a "Used to Be" enquanto "Better Times" é delicada. A cadência de "Walk in the Park" emociona. A música tem refrões incandescentes e a repetitiva melodia do teclado apenas torna a sua presença mais importante.
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Beach House - Walk In The Park (mp3)
Em "Lover of Mine", Legrand apresenta uma ordem rotativa do órgão, que sofre uma mudança repentina em sua melodia para concluir com maestria, acompanhada de discretos acordes de guitarra e percussão. A pulsação inicia a épica e etérea "10 Mile Stereo" de um jeito forte. Trata-se de uma canção que ruma o horizonte e, gradativamente, entra em erupção. A faixa tem boa dose de sentimento; nela o poder vocal de Legrand demanda uma presença sutil da instrumentação de Scally, embora o sintetizador seja penetrante.
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Beach House - Lover Of Mine (mp3)
O álbum é encerrado de um jeito esplêndido, com muito sentimento. Os ruídos ao fundo no começo de "Real Love" dão um tom nostálgico. Nela, ouvimos a mesma progressão de piano para a maior parte da canção. Na derradeira "Take Care", Legrand repete durante três minutos que ela vai "tomar conta de você / que é verdade".
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Beach House - Take Care (mp3)
A atmosfera áurea que conquistou fãs declarados como
Julian Casablancas e membros do
MGMT e
Grizzly Bear, com quem o Beach House excursionou recentemente, está de volta em um trabalho majestoso. O duo confirmou sua capacidade de se reinventar, abastecido por sua rara inspiração para produzir músicas de beleza poderosa.
Teen Dream está mais consistente e vívido, o vocal emite mais confiança do que em qualquer um dos álbuns anteriores. 2010 começa com um clima de grandes expectativas.