Não espere encontrar nenhuma pancada do tipo "Shake a Fist" neste novo álbum do Hot Chip. Em
One Life Stand, o grupo inglês deixou de lado as batucadas enérgicas do electro-rock ouvido em
Made in the Dark (2008) para se arriscar pelo pop à moda dos anos 80 e 90... Muitos tecladinhos cafonas fazendo base para os vocais açucarados de Alexis Taylor e Joe Goddard - sempre provocando alguma vontade de cantarolar.
Essa toada se apresenta logo na primeira faixa, "Thieves in the Night". Os sintetizadores se enroscam alegremente e servem de prelúdio para a melhor faixa do disco, "Hand Me Down Your Love" -
piano house deliciosa, com uma linha de baixo eletrônica puxando o conjunto com robustez. Mas o legal mesmo é ouvir as teclas martelando uma melodia extremamente envolvente junto aos versos-título cantados por Taylor.
Todos os momentos altos deste álbum estão do lado dançante/tolo/romântico... "I Feel Better" é indefectível com sua linha de teclados estupidamente pegajosa, sinetas e assovios eletrônicos. Afetação clubber também preenche "We Have Love", com vocais repicados em pequenas fatias, e "Take it In" - aquela melodia não lembra o tema de
Mortal Kombat (antes do refrão mela-tanga, claro)?
"One Life Stand" tem a linha de baixo mais potente - desenhada num formato que a faz descer quadrada pelo tubo auditivo. Os vocais afinados de Goddard dão um ar classudo e espectral à canção, que é uma das mais similares ao trabalho-padrão do Hot Chip.
Mas os ingleses insistem (assim como fizeram em Made in the Dark) em incluir no pacote algumas músicas excessivamente sentimentais. Difícil se manter acordado ouvindo aos versos de "Brothers" ou "Slush". A produção é impecável, os arranjos bem pensados, mas escapam da memória rapidamente... Uma possível exceção é "Alley Cats", que oferece uma melodia divertida apesar de ser para lenta digestão.
Nem os momentos sacais fazem desta One Life Stand tediosa - há mais material divertido para se ouvir aqui. E "Hand me Down Your Love" já valeria todo álbum caso fosse a única boa faixa (e não é). Pois mesmo que precisamos saltar algumas das músicas, sempre acabamos pousando sobre alguma outra que vale o repeteco, fazendo deste disco um parceiro para mais que simples one-night stand.
Uma pena.
Eu gosto muito de Thieves in the night, me lembra Chemical Brothers.