Norueguês lança disco com faixas conhecidas e inéditas da parceria com a cantora Christabelle: disco-funk puro!
Muito além da neo disco. O norueguês
Hans-Peter Lindstrøm encerra 2009 provando ser o mais autoral artista da invasão nórdica que assolou a música dançante com seus "øs" cortados e aquela característica percussão espacial bailando com BPMs aconchegantes. Depois da truncada jam session que marcou o retorno da parceria com Prins Thomas (o álbum
II; leia a resenha), Lindstrom fecha o ano com o disco
Real Life is no Cool, vitrine de seu trabalho ao lado da cantora
Christabelle. O lançamento se deu este mês na Noruega via Feedelity (selo de Lindstrom) e também pelo incrível selo Smalltown Supersound, um dos melhores redutos de música nesta década.

Christabelle é a morena Isabelle Haarseth Sandoo, cuja sensualidade está na voz macia e também em sua pose de moleca folgada, ela com seus grandes lábios. Ela é parceira das progressões interestaleres de Lindstrøm desde o começo de sua fama, cantando em faixas que saíram já há algum tempo em EPs (consulte o
Discogs), músicas bem conhecidos para quem acompanha essa galera nórdica: "Music (In My Mind)" é de 2003 e esteve no primeiro álbum dele,
It's a Feedelity Affair; "Let it Happen" e "Let's Practise" são de 2007 e tocaram muito em sets por aí, qunado Christabelle ainda assinava como Solale. São músicas que também integram
Real Life is No Cool, este novo álbum de 10 faixas traz ainda várias inéditas dentro de uma libidinosa trinca disco-pop-funk.
O nome do álbum ("A vida real não é bacana") é uma ironia às avessas, já que Lindstrøm ao lado de Christabelle está mais divertido e sexy do que nunca. Ou talvez este seja a idealização desses artistas nórdicos, que tiveram o disco recebido por resenhas que sempre associam o calor da música a este "tempo de tanto frio". Tome como exemplo "Music (in My Mind)". Se ela já tinha deixado sua cueca suada nesta trilha de strip tease em Marte, prepare-se para faixas como "Lovesick", em que o clima de cabaret continua num cambalacho bem-humorado de poucas notas e alguns synths, todos requebrados por explosões disco que não vão te deixar parado.
Flash Content
Lindstrøm & Christabelle - Music In My Mind (mp3)
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Lindstrøm & Christabelle - Let's Practise (mp3)
Olhando para os primórdios da disco music, Lindstrøm & Christabelle hoje é como uma reinvenção da parceria entre Moroder e Donna Summer: a sensualidade negra é casada magistralmente com o branquelismo harmônico e robótico europeu; dualidade essa que originou a house music e também o techno. Aliás, "Let's Practise" é quase um edit de "I Feel Love" (Moroder & Donna Summer), com Christabelle praticamente gritando em êxtase feminino ao final da música - sensacional.
Real Life is no Cool abre com a curiosa "Looking for What", em que Lindstrom picota os versos de Christabelle numa abstração quase assustadora (seria a língua norueguesa?) e o synth Morodiano surge ritmado por pianos gordos e riffs hipnóticos. Quando o piano surge grandioso e em definitivo, a moça começa a cantar e soltar suas frases desconexas - detalhes da construção da faixa, como quando Christabelle protagoniza monólogos sussurados, fazem com que Lindstrom esteja muito além do hype neo-disco: sua música é cada vez mais autoral e cheia de personalidade, pop eletrônico em sua excelência.
O disco de fato vai além, muito além. "Baby Can't Stop" é um electro-funk que lembra Yuksek e Les Rythmes Digitales, saxofones homenageando "Wanna be Startin' Something". É para as pistas, mas
Real Life is no Cool tem uma animação mais contemplativa e "atmosférica", do que necessariamente clubber. As explosões de "Lovesick" são ótimas, mas seriam perfeitas se seguissem aceleradas como no começo - para quem quer tocar em pistas e festinhas, espere por algum remix do Aeroplane e afins.

"So Much Fun" é piano house puro, com guitarras abafadas. Estas cordas são um típico efeito da neo-disco que desconfio ter origem nas cordas do ABBA, referência ainda mais próxima a eles. De todo modo, é das faixas que mais demonstra a instrumentalidade nas composições de Lindstrom e de Christabelle (ela é co-autora de todas as canções). O breve encerramento do álbum se dá com a estranha "Never Say Never", que brinca de rotação ao contrário e, duvido eu, traga alguma mensagem do demo - pelo título, deve ser alguma ilustração de confusão sentimental e ressaca moral.
E "High & Low" chega mansinha toda R&B, com Christabelle toda fofa cantando sílaba por sílaba de um jeito tenro e viciante, quase um Sampa Crew das cafonices do amor nórdico. Lembra bastante a doçura de Glass Candy e Chromatics, só que sem o carão.
A parceria de Lindstrom e Christabelle é um novo ápice na carreira do produtor norueguês, que tem boa visão mercadológica e está sempre nos holofotes até lançando suas músicas antigas. O disco, que sai nos EUA e Europa só em janeiro, deve dar muito o que falar também por suas faixas bônus (aguarde atualização em breve), e também por uma hipotética parceria dos dois no palco: o
MySpace de Christabelle já lista uma data dia 10/ago/2010 no Øyafestivalen, em Oslo. Se você achou que não tinha mais nenhum disco bom para baixar neste ano, olha aí a sua trilha perfeita para o tórrido verão.