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ficha técnica
Nota: 3.7 / 5
Ano: 2009
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The Whitest Boy Alive em SP
Para Erlend Oye, público foi morno - mas o calor do Studio SP o fez dar "uma voltinha" no meio do primeiro show da banda na capital paulista
14.12.09 13:55
Em sua primeira passagem por São Paulo, o grupo norueguês The Whitest Boy Alive deu as caras numa festona de domingo ontem, num Studio SP lotado. Erlend Oye, conhecedor do público brasileiro por suas viagens solo e com o Kings of Convenience, trouxe agora pela primeira vez a banda formada por Sebastian Maschat (bateria), Marcin Öz (baixo) e Daniel Nentwig nos sintetizadores, todos empolgados pelo sucesso do álbum Rules, lançado em março.

Antes de entrar na análise da noite, uma breve contextualização. O show estava programado inicialmente para acontecer num evento da LED, produtora responsável por eventos como o Motomix. Mas entraves da Prefeitura de SP por alvarás não permitiram que o show do TWBA fosse a principal atração de um palco montado no novo Parque do Povo, ali na Vila Olímpia, Zona Sul, num mini-festival diurno que seria uma ótima novidade aos 45 do segundo tempo de 2009. Assim, sobrou o Studio SP abafado, onde o próprio vocalista da banda parou o show por 10 minutos para "tomar um ar fresco ali fora", e onde uma estúpida lei anti-fumo faz com que as pessoas tentassem, na sorte, acender um cigarro ou um rápido baseado, para serem expulsas do local na sequência.

Sim, EXPULSAS de um show em que o ingresso custava R$ 100 (CEM REAIS), situação em que um pouco de vista grossa ou cordialidade (pedir apenas para apagar a brasa, por exemplo) não fariam mal a ninguém. Fica então uma péssima sensação sobre São Paulo em 2009: uma Prefeitura acéfala, sem visão cultural, e um governo afobado que cria uma lei rígida e comportamental, colocando crachá de Xerife nos cidadãos - no caso os seguranças do Studio SP. São Paulo é um lugar muito legal, mas também pode ser uma cidade de merda.



De volta aos shows, que foram divertidos e valeram a noite.. Coube ao Stop Play Moon abrir com sua melancolia pós-punk musicada a duas guitarras+baixo+voz+synth, em que Geanine Marques não precisa variar muito o tom para manter a levada adocicada e espacial da banda, que é ótima, mas teve uma tarefa um pouco díficil, abrindo com uma hora de atraso para uma banda mais animada e um público ansioso. Assim como um DJ residente, que ao longo de festas certeiras pode treinar sua técnica, o SPMoon já é banda de abertura oficial em São Paulo e melhora cada vez mais sua performance. Um pouco mais de interação com o público talvez seria bom para criar uma relação mais profunda.

Já passava das 10 da noite quando Erlend e sua patota subiram ao palco. Começaram destilando grande parte de Rules, já que o disco recente está na ponta da língua do povo e "Keep a Secret", com seu fraseado que mais parece uma conversa, conquistou de cara. "High on Heels", na sequência, mostrou a habilidade de Erlend a frente das guitarras.

Em parceria com o baixista, o WBA é uma banda de cordas: o baixo dá um suingue acalorado e a guitarra vem contrapondo o ritmo - vale lembrar que o grupo tem em sua gênese a influência da dance music, e não de um grupo de rock e afins. Gravado no litoral do México, Rules é apelo certo ao público brasileiro com sua atmosfera de jam-session, em que todo o álbum soa como uma sequência improvisada em que essa "bossa" dançante não faz a gente nem ligar para as amarguras do amor adulto que Erlend canta.


The Whitest Boy Alive @ Studio SP - "Time Bomb" / "Golden Cage"

Interagindo com a pista do Studio, Erlend saudava aquele que era o "último show da década", e brincou dizendo que espanhóis eram mais animados que os brasileiros, que reagiam ao show como austríacos e noruegues ("isto não é um elogio", completava). À frente do Whitest Boy Alive, ele é mais relaxado, não tão pentelho quanto no Kings of Convenience, quando em 2005 no TIM do Rio ficou ironizando o público que estava ali para ver o Morcheeba e insistia com chateação no silêncio.

Este momento até houve no show de ontem, mas apenas como uma etapa da apresentação, e não como uma condição necessária: com as luzes apagadas e o público mais sossegado a seu pedido, surgiu "Island", o ponto alto do show em minha opinião. Misto de balada e introversão pop, foi quando sua voz surgiu mais cristalina do que nunca, devidamente bem tocada e com o tecladista Daniel Nentwig sendo louvado a frente de seu Moog Crumar imponente.


The Whitest Boy Alive @ Studio SP - "Intentions"

"Courage", que me disseram não ter sido tocada no Rio, foi outro ponto alto, agora com a pista mais vazia depois dos 10 minutos de pausa que Erlend fez para dar um rolê na Rua Augusta (!) - grande parte do público não entendeu, ou simplesmente achou melhor ir embora. Fica o registro também para boas canções do primeiro disco da banda, como "Golden Cage" e "Don't Give Up". Era impressionante como os paulistas sabiam grande parte da letra, ou principalmente os versos mais importantes, boas composições que a banda orquestrava de maneira freestyle, parando no meio e começando se fosse preciso, a bateria soando diferente dos álbuns, sempre tão bem produzidos e polidos.

Fotos por: Move that Jukebox
Vídeos por: Trabalho Sujo

Jade Augusto Gola
Jade Augusto Gola
Ilegal, imoral e engorda
comentários
21 comentários
djBizarra - Marcus
1AprovadoQueima
Muito, mas muuuuito caro 100$ pra um show no Studio SP... quer dizer, muito caro pra um show em qualquer lugar!
huahuahuahua

Eu quanto a esse lance do cigarro... o brasileiro que é foda mesmo, sempre no jeitinho... e na boa, fico mega feliz com essa lei. Não fumo, nunca fumei, e to agradecendo todos os dias de não chegar em casa parecendo um cinzeiro!

PS> Mas de qualquer maneira sou lógico, acho ridículo a lei não permitir nem fumódromo... afinal, quem quiser fumar, que fume!!!
Tech Head
Tech Head(18.12.09)
1AprovadoQueima
de onde saíram tantos paladinos?
Gaía Passarelli
gente, acho que "vista grossa" que o Jade quer dizer é mais uma questão de trato do que de deixar fumar. não pode fumar e ponto, acabou. no caso de infratores a casa não pode resolver pedindo para apagar e no caso de insistência por parte do cliente, aí sim tomar essa atitude de expulsão? é assim que se faz quanto, por exemplo, um cliente bebe demais e se torna desagradável. afinal, certas ou erradas no fumar em local fechado, são clientes. quanto a cumprir a lei, vale lembrar que o mesmo studio sp que considera de suma importância cumprir a lei do cigarro não cumpre a lei da venda para estudantes. e aposto que alguns dos que apoiam cegamente a lei do cigarro também estão na gigantesca porcentagem dos que portam carteirinhas conseguidas com docimento falso, algo tão comum na cidade, ou que não vê mal em dirigir depois de tomar umas cervejinhas. enfim, olhar para o próprio umbigo antes de atirar pedras é bom também. []s a todos! g.
Thiago V. R. Cunha
1AprovadoQueima
E me desculpa mas o "um pouco de vista grossa" é uma das piores coisas desse país! Este tipo de atitude deve ser combatida e não motivada, pelo amor de Deus. Fiquei meio revoltado com esse texto. Questiono a índole de quem encabeça o rraurl 2010...
Thiago V. R. Cunha
1AprovadoQueima
Nossa! Não acredito que li isso aqui. O eterno jeitinho brasileiro de burlar as coisas. Imagino a cena das pessoas que acenderam o cigarro. "Ah, acende aí, dá nada não" Quando é que vamos aprender que lei é pra ser cumprida? Considero que a lei cidade limpa e anti-fumo foram grandes conquistas. O tabagismo é um hábito que deve ser banido pelo simples fato de ultrapassar a esfera individual...vc não tem como nao inalar fumaça se estiver do lado de alguém que fume! Lamentável saber que vc, Jade, pensa diferente.