Para Erlend Oye, público foi morno - mas o calor do Studio SP o fez dar "uma voltinha" no meio do primeiro show da banda na capital paulista
Em sua primeira passagem por São Paulo, o grupo norueguês The Whitest Boy Alive deu as caras numa festona de domingo ontem, num Studio SP lotado. Erlend Oye, conhecedor do público brasileiro por suas viagens solo e com o Kings of Convenience, trouxe agora pela primeira vez a banda formada por Sebastian Maschat (bateria), Marcin Öz (baixo) e Daniel Nentwig nos sintetizadores, todos empolgados pelo sucesso do álbum
Rules, lançado em março.
Antes de entrar na análise da noite, uma breve contextualização. O show estava programado inicialmente para acontecer num evento da LED, produtora responsável por eventos como o Motomix. Mas entraves da Prefeitura de SP por alvarás não permitiram que o show do TWBA fosse a principal atração de um palco montado no novo Parque do Povo, ali na Vila Olímpia, Zona Sul, num mini-festival diurno que seria uma ótima novidade aos 45 do segundo tempo de 2009. Assim, sobrou o Studio SP abafado, onde o próprio vocalista da banda parou o show por 10 minutos para "tomar um ar fresco ali fora", e onde uma
estúpida lei anti-fumo faz com que as pessoas tentassem, na sorte, acender um cigarro ou um rápido baseado, para serem expulsas do local na sequência.
Sim, EXPULSAS de um show em que o ingresso custava R$ 100 (CEM REAIS), situação em que um pouco de vista grossa ou cordialidade (pedir apenas para apagar a brasa, por exemplo) não fariam mal a ninguém. Fica então uma péssima sensação sobre São Paulo em 2009: uma Prefeitura acéfala, sem visão cultural, e um governo afobado que cria uma lei rígida e comportamental, colocando crachá de Xerife nos cidadãos - no caso os seguranças do Studio SP. São Paulo é um lugar muito legal, mas também pode ser uma cidade de merda.

De volta aos shows, que foram divertidos e valeram a noite.. Coube ao Stop Play Moon abrir com sua melancolia pós-punk musicada a duas guitarras+baixo+voz+synth, em que Geanine Marques não precisa variar muito o tom para manter a levada adocicada e espacial da banda, que é ótima, mas teve uma tarefa um pouco díficil, abrindo com uma hora de atraso para uma banda mais animada e um público ansioso. Assim como um DJ residente, que ao longo de festas certeiras pode treinar sua técnica, o SPMoon já é banda de abertura oficial em São Paulo e melhora cada vez mais sua performance. Um pouco mais de interação com o público talvez seria bom para criar uma relação mais profunda.
Já passava das 10 da noite quando Erlend e sua patota subiram ao palco. Começaram destilando grande parte de
Rules, já que o disco recente está na ponta da língua do povo e "Keep a Secret", com seu fraseado que mais parece uma conversa, conquistou de cara. "High on Heels", na sequência, mostrou a habilidade de Erlend a frente das guitarras.
Em parceria com o baixista, o WBA é uma banda de cordas: o baixo dá um suingue acalorado e a guitarra vem contrapondo o ritmo - vale lembrar que o grupo tem em sua gênese a influência da dance music, e não de um grupo de rock e afins. Gravado no litoral do México,
Rules é apelo certo ao público brasileiro com sua atmosfera de jam-session, em que todo o álbum soa como uma sequência improvisada em que essa "bossa" dançante não faz a gente nem ligar para as amarguras do amor adulto que Erlend canta.
The Whitest Boy Alive @ Studio SP - "Time Bomb" / "Golden Cage"Interagindo com a pista do Studio, Erlend saudava aquele que era o "último show da década", e brincou dizendo que espanhóis eram mais animados que os brasileiros, que reagiam ao show como austríacos e noruegues ("isto não é um elogio", completava). À frente do Whitest Boy Alive, ele é mais relaxado, não tão pentelho quanto no Kings of Convenience, quando em 2005 no TIM do Rio ficou ironizando o público que estava ali para ver o Morcheeba e insistia com chateação no silêncio.
Este momento até houve no show de ontem, mas apenas como uma etapa da apresentação, e não como uma condição necessária: com as luzes apagadas e o público mais sossegado a seu pedido, surgiu "Island", o ponto alto do show em minha opinião. Misto de balada e introversão pop, foi quando sua voz surgiu mais cristalina do que nunca, devidamente bem tocada e com o tecladista Daniel Nentwig sendo louvado a frente de seu
Moog Crumar imponente.
The Whitest Boy Alive @ Studio SP - "Intentions""Courage",
que me disseram não ter sido tocada no Rio, foi outro ponto alto, agora com a pista mais vazia depois dos 10 minutos de pausa que Erlend fez para dar um rolê na Rua Augusta (!) - grande parte do público não entendeu, ou simplesmente achou melhor ir embora. Fica o registro também para boas canções do primeiro disco da banda, como "Golden Cage" e "Don't Give Up". Era impressionante como os paulistas sabiam grande parte da letra, ou principalmente os versos mais importantes, boas composições que a banda orquestrava de maneira freestyle, parando no meio e começando se fosse preciso, a bateria soando diferente dos álbuns, sempre tão bem produzidos e polidos.
Fotos por: Move that JukeboxVídeos por: Trabalho Sujo
huahuahuahua
Eu quanto a esse lance do cigarro... o brasileiro que é foda mesmo, sempre no jeitinho... e na boa, fico mega feliz com essa lei. Não fumo, nunca fumei, e to agradecendo todos os dias de não chegar em casa parecendo um cinzeiro!
PS> Mas de qualquer maneira sou lógico, acho ridículo a lei não permitir nem fumódromo... afinal, quem quiser fumar, que fume!!!