Vivian Girls - Everything Goes Wrong
Trio de meninas do Brooklyn agradam a mídia mas ainda não tem base fiel de fãs do seu noise rock confuso
10.12.09 17:40
Como bem aprendemos nas aulas de história, as mulheres, por muitos séculos, viveram social, econômica e politicamente oprimidas pela suposta soberania dos homens. Ao passar dos anos, com a ampliação dos horizontes através de movimentos culturais nascidos principalmente na Europa, as mulheres foram conquistando sua liberdade até que, finalmente, começaram a contribuir na área das artes.
Hoje, depois de muitos protestos e revoltas de queimas de sutiãs, vemos muitas delas liderando bandas de rock - e o que começou como uma forma de auto-afirmação do poder feminino acabou se propagando: Algumas cantoras, como Beth Ditto, Emily Haines e Karen O, deslancharam na carreira, enquanto centenas de outras simplesmente ficaram pra trás em meio a tantos lançamentos.
É exatamente entre esses dois grupos que aparecem Cassie Ramone (sobrenome forte), Kickball Katy e Ali Koehler: as Vivian Girls. Oriundas do Brooklyn, berço de grandes artistas (principalmente nessa década), o trio simplesmente não parece ter bebido da mesma fonte de inspiração que seus conterrâneos do Vampire Weekend ou do TV On The Radio. Arriscando-se em um gênero diferente dos supracitados, as moças se jogaram na empreitada de fazer noise rock - ou algo parecido - e, pelo o que parece, agradaram a mídia, mas não conquistaram a fidelidade de muitos fãs.
O último disco das garotas, Everything Goes Wrong, é um pouco controverso, uma vez que o sucesso de crítica e a infinidade de shows agendados por sua causa vão contra a ideologia expressa pelo título. O conteúdo do álbum, mesmo assim, fica pra trás: O disco carrega 12 faixas de um punk que poderia ser fino, mas começa a se perder rápido com tantos experimentos fora de hora. O estilo lo-fi acaba se generalizando e, a partir da terceira música, você já mal sabe dizer quais são as diferenças entre uma composição e outra.
O som é confuso, de uma forma difícil digerir - não é como, por exemplo, o experimentalismo do No Age, que age lentamente e, pouco a pouco, conquista o ouvinte. Músicas como "Out For The Sun" e "When I'm Gone" carregam a mesma essência de canções rápidas, dinâmicas e com pouco tempo de duração (como a maior parte do trabalho do The Death Set, que desenvolve gravações lo-fi em ótimos trabalhos), mas se estendem por mais tempo que deveriam - a segunda delas passa dos quatro minutos de duração. É um Fever To Tell, do Yeah Yeah Yeahs, feito na pior das garagens de Nova York.
A observação mais curiosa e paradoxal é que a guitarra, o baixo, a bateria e o vocal estão lá, aparentemente em sincronia, mas a heterogeneidade não poderia ser maior, como se não houvesse o comprometimento de um instrumento com outro. Falta solidez, um elemento que costuma dar as caras no terceiro disco de diversas bandas. Será que o Vivian surpreende?