Em novo disco, grupo responsável por tornar o kuduro popular envereda pelo europop
Se você não consegue dissociar o nome Buraka Som Sistema do kuduro angolano (mesmo eles sendo portugueses), é melhor rever conceitos. Seguindo por uma ascendente pop desde que estourou três anos atrás com as toscas e originalíssimas "Yah" e "Wawab", chegando até a acessível estreia
Black Diamond (2008), o som do Buraka mudou. E aos poucos deixa para trás as características que tornaram notável - por tabela - a cena eletrônica de Luanda.
Em
Restless, seu mais recente EP lançado em novembro, o grupo continua nessa direção. Além da faixa-título original, há um
remix assinado pelo produtor inglês Julio Bashmore. Em nenhuma das versões se ouve sinal de tambores secos; deram lugar a bumbos cheios de reverberação, na medida para rádios europeias.
Também não espere ouvir aquele português de sotaque deliciosamente arrastado. Os vocais são pronunciados no mais límpido inglês, ecoando como numa faixa de David Guetta. (A linha de teclado em arpejo ao fundo poderia ter vindo de algum disco de trance holandês.) Repicando agressiva, no compasso de pélvis sacolejantes, a bateria é um dos poucos elementos que tornam a música algo diferente da eletrônica anglo-saxã.
É irônico que seja no remix de Bashmore que as características do Buraka circa 2006 apareçam menos diluídas. Os vocais são triturados e recompostos sobre uma solitária linha percussiva. Não há teclados melódicos, linha de baixo... Apesar de ser menos pretensiosa que a original, sua simplicidade aborrece rapidamente.
Restless é um atestado do amadurecimento técnico do grupo - suas faixas estão muito bem produzidas, longe da precariedade de três anos atrás. Mas a cada lançamento, o estilo dos portugueses parece desbotar no universo de produtores europeus que fazem um som similar. Longe de fazer apologia do exótico, mas a pergunta surge à primeira audição: sem estar à frente de um gênero original como o kuduro, haverá futuro para o Buraka Som Sistema?
boa materia!
mas tomara que não tenham esquecido Luanda definitivamente